Terça-feira, 3 de março de 2026
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As negociações entre Irã e Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano tiveram início nesta sexta-feira (06/02), em Mascate, capital de Omã, com participação de delegações de alto nível dos dois países e mediação do governo omanita.

Antes do encontro, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que Teerã entrou no diálogo “de boa fé”, mas com plena consciência das experiências passadas. Em reunião com o chanceler de Omã, Badr bin Hamad Al Busaidi, ele agradeceu o papel do país como anfitrião e mediador.

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O ministro iraniano advertiu contra “exigências excessivas ou atos de aventureirismo” por parte dos Estados Unidos e reiterou a disposição do Irã de defender sua soberania e segurança nacional. Al Busaidi, por sua vez, elogiou a boa vontade iraniana e expressou esperança de que a rodada de negociações abra caminho para um entendimento sustentável entre Teerã e Washington.

Esta é a primeira negociação presencial entre Irã e Estados Unidos desde junho do ano passado, quando ataques lançados por Israel contra o Irã desencadearam um conflito regional com ataques aéreos e envolvimento direto dos EUA.

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Quem participa

A delegação iraniana é composta por altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores, incluindo os vice-ministros Majid Takht Ravanchi (Assuntos Políticos), Kazem Gharibabadi (Assuntos Jurídicos e Internacionais), Qanbari (Diplomacia Econômica) e o porta-voz Esmaeil Baqaei.

Do lado norte-americano, a comitiva é liderada por Steve Witkoff, enviado especial do presidente dos EUA para o Oriente Médio, e conta ainda com a presença de Jared Kushner, genro e conselheiro próximo do presidente Donald Trump.

Abbas Araqchi e Al Busaidi se reúnem antes das negociações com os representantes dos Estados Unidos
Tasnim

Mediadores do Catar, da Turquia e do Egito apresentaram às partes um conjunto de princípios para discussão. Entre as propostas, estaria um compromisso do Irã de suspender o enriquecimento de urânio por três anos e, posteriormente, limitá-lo a menos de 1,5%, além da transferência do estoque atual de urânio altamente enriquecido, incluindo cerca de 440 kg enriquecidos a 60%, para um terceiro país.

O esboço também incluiria um acordo de não agressão entre Irã e EUA e restrições adicionais, como a não transferência de armas a aliados regionais não estatais. Teerã, no entanto, afirma que qualquer avanço dependerá do respeito a seus direitos e do fim efetivo das sanções norte-americanas.

‘Olhos bem abertos’

Teerã afirma que o foco das discussões será exclusivamente o programa nuclear, rechaçando a tentativa do governo Trump de incluir outros temas, como o programa de mísseis balísticos e a política regional iraniana. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o objetivo da reunião é alcançar “um acordo justo, mutuamente satisfatório e honroso em relação à questão nuclear”.

Em mensagem publicada em sua conta no LinkedIn, Araqchi ressaltou que “o Irã inicia a diplomacia com os olhos bem abertos e uma memória sólida do ano passado. Nos envolvemos de boa fé e defendemos firmemente nossos direitos”, escreveu.

Segundo ele, “os compromissos precisam ser honrados. Igualdade de condições, respeito mútuo e interesse mútuo não são retórica — são imprescindíveis e os pilares de um acordo duradouro”.