ONU alerta para ciclo de violências no Irã; China e Rússia falam em ingerência externa
China, Rússia e Turquia destacam ingerência externa; países europeus condenam repressão interna, enquanto o Catar busca mediação para evitar escalada bélica
Em meio à escalada da violência nos protestos em curso no Irã, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, fez um apelo público para que o governo iraniano interrompa a repressão contra a população.
Ele afirmou que “este ciclo de violência horrível não pode continuar” e que “o povo iraniano e suas demandas por justiça, igualdade e equidade devem ser ouvidos”. Disse ainda que “o assassinato de manifestantes pacíficos deve cessar” e que “rotular manifestantes como ‘terroristas’ para justificar a violência contra eles é inaceitável”.
O governo iraniano sustenta que as manifestações iniciadas em 29 de dezembro, de forma pacífica, contra a situação econômica no país, foram instrumentalizadas por Washington e Tel Aviv, ganhando uma escalada de ações violentas e “terroristas”, incluindo mortes, incêndios em residências, prédios públicos, veículos e comércio em todo o país.
Somadas às reiteradas ameaças de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de atacar o território iraniano, a Casa Branca anunciou, nesta terça-feira (13/01), uma tarifa de 25% contra todos os países que comercializarem com o Irã.
Em Israel, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu elogiou o “tremendo heroísmo dos cidadãos do Irã” e o exército israelense afirmou que os protestos são internos, afirmando estar “equipado para responder, se necessário”.

ONU alerta para ciclo de violências no Irã; China e Rússia falam em ingerência externa
Reprodução / Vídeo Tasnim
Catar
Frente a este cenário, o Catar afirmou que está tentando mediar as crescente tensões e as ameaças de uma nova guerra entre Irã e EUA. “Há expectativas de que a tensão atual leve a uma escalada na região, e estamos tentando desescalar a situação”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, em uma coletiva de imprensa em Doha.
Al-Ansari acrescentou que a diplomacia é a forma mais eficaz de resolver crises regionais. “Estamos trabalhando nisso com nossos vizinhos e parceiros”, afirmou, ao reiterar os esforços para “acalmar a situação na região e resolver as disputas entre Washington e Teerã”.
China, Rússia e Turquia
Ao comentar as tarifas de Trump, a China se opôs à qualquer “interferência externa nos assuntos internos de outros países”, acrescentando que “a soberania e a segurança de todas as nações devem ser totalmente protegidas pelo direito internacional.”
Sergei Shoigu, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, “condenou” o que ele disse ser “a mais recente tentativa de forças estrangeiras de interferir nos assuntos internos do Irã”.
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, também destacou que os protestos foram “manipulados por rivais do Irã do exterior”. “O Mossad não esconde isso; eles estão convocando o povo iraniano a se revoltar contra o regime por meio de suas próprias contas na internet e no Twitter”, afirmou.
Europa
A UE disse estar “pronta para propor novas sanções” contra o Irã. O chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou que o governo iraniano está em seus “últimos dias e semanas”, afirmando que o regime perdeu legitimidade popular. “Se um regime só pode se manter no poder pela força, então está efetivamente no fim”, disse.
A Espanha, por sua vez, manifestou “repúdio e condenação” à repressão dos manifestantes pelo governo iraniano. O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, afirmou à Rádio Catalunya que “o direito dos homens e mulheres iranianos ao protesto pacífico, sua liberdade de expressão, deve ser respeitado” e “prisões arbitrárias devem cessar.”
Já a ministra das Relações Exteriores da Finlândia, Elina Valtonen, anunciou que convocará o embaixador iraniano e declarou que “o regime iraniano desligou a internet para poder matar e oprimir em silêncio. Isso não será tolerado. Estamos ao lado do povo do Irã – mulheres e homens igualmente.” Ela também disse que juntamente com a UE, a Finlândia está explorando medidas “para ajudar a restaurar a liberdade do povo iraniano”, acrescentou.
Austrália e Japão
O ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, disse que o governo japonês “pede fortemente a cessação imediata da violência e espera fortemente uma solução rápida da situação”.
Já a Austrália elevou o nível de alerta e pediu que seus cidadãos deixem o Irã imediatamente. A ministra das Relações Exteriores, Penny Wong, disse que o país “está ao lado do corajoso povo do Irã em sua luta contra um regime opressor” e condena “inequivocamente a repressão brutal do regime iraniano contra seu próprio povo”.
“Exorto qualquer australiano ainda no Irã a sair agora, enquanto houver opções comerciais disponíveis”, acrescentou.























