Partido comunista do Irã refuta ingerência externa nos protestos e convoca greve geral
Tudeh afirma que manifestações no país resultam ‘de políticas econômicas desastrosas, corrupção e opressão generalizada’
O Partido Tudeh do Irã, legenda comunista e histórica da esquerda iraniana, divulgou um manifesto em seu site, neste domingo (11/01), declarando apoio à onda de protestos no país contra o regime do aiatolá Ali Khamenei e o governo do presidente iraniano Masoud Pezeshkian.
O partido descreveu as manifestações como uma insurreição nacional e rejeitou a versão oficial do governo iraniano de que eles seriam estimulados por potências estrangeiras.
“Este movimento popular de protesto não é uma criação do imperialismo dos Estados Unidos, nem do regime genocida de Israel, mas sim o resultado direto das políticas econômicas desastrosas do sistema capitalista dominante e da corrupção, insegurança e opressão generalizadas impostas ao povo pelos dirigentes do regime”, diz o texto.
Segundo os comunistas iranianos, o agravamento da pobreza e a deterioração das condições de vida impulsionaram a revolta, ocasionada pela “cirurgia econômica” do atual governo, que teria empurrado “milhões de iranianos para abaixo da linha da pobreza”, fazendo com que salários e rendas “não cubram sequer as necessidades básicas da vida”.

Partido comunista do Irã refuta ingerência externa nos protestos e convoca greve geral
Reprodução / Vídeo Tasnim
Autodeterminação
Segundo o Tudeh, “a única saída viável é por meio da afirmação da gerência do povo e do seu direito de determinar o seu próprio futuro”, um caminho que “não se alinha com déspotas internos, nem passa pela guerra ou pela dependência de potências estrangeiras”.
O manifesto também alerta para tentativas de manipulação da revolta por meios de comunicação ligados ao Ocidente e a setores monarquistas. Eles acusam a manipulação de “vídeos de protestos, incluindo a adição de áudios e a montagem de imagens, numa tentativa de apresentar falsamente a restauração da monarquia como a principal exigência deste levante popular”.
Segundo a declaração, “substituir a ditadura teocrático-capitalista por um sistema monárquico-capitalista, restaurando o antigo regime repressivo e transformando novamente o Irã em uma base militar do imperialismo, não pode significar um futuro livre do despotismo ou um caminho para a justiça social.”
O Tudeh critica ainda os grupos que depositam esperanças nos Estados Unidos e em Israel, afirmando que “forças que confiam no governo quase fascista de Trump e no governo genocida de Israel para ‘libertar o Irã’ não podem ser consideradas portadoras de um Irã livre, independente e próspero.”
Greve geral
O manifesto propõe “avançar para a organização de uma greve geral nacional para restringir e, finalmente, desmontar completamente a capacidade da República Islâmica de continuar governando”. E a criação de um governo transitório e a realização de um referendo livre e democrático para determinar o futuro do país.
A declaração termina com uma série de apelos diretos à população e às forças de segurança para se manterem na luta e exige o fim imediato da repressão e a libertação, “imediata e incondicional’ de todos os detidos do movimento atual e todos os presos políticos no país.
Confira a íntegra do manifesto.























