Presidente de Israel diz que decidirá indulto de Netanyahu 'pelo bem do Estado'
Premiê está sendo julgado há cinco anos em três casos distintos de corrupção; israelenses protestam em Tel Aviv contra perdão
O presidente israelense Isaac Herzog disse nesta segunda-feira (01/12), em resposta ao pedido de impunidade feito por Netanyahu no domingo (30/11), que colocará o “bem do Estado de Israel em primeiro lugar”. O atual primeiro-ministro de Israel está sendo julgado há cinco anos em três casos distintos de corrupção, incluindo acusações de suborno, fraude e quebra de confiança.
“Entendo perfeitamente que isso seja profundamente perturbador para muitas pessoas em todo o país e em diferentes comunidades, e que gere debates. Mas já deixei claro que será tratado da maneira mais adequada e precisa. Considerarei apenas o bem do Estado e da sociedade israelense, tendo em mente exclusivamente os interesses do Estado de Israel”, declarou segundo o veículo de Tel Aviv, Haaretz.
Por sua vez, o ministro da Segurança Nacional de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir, instou o presidente a conceder indulto ao primeiro-ministro, criticando o departamento do Ministério da Justiça responsável por investigar má conduta policial.
O departamento “nunca morreu – operou discretamente como ferramenta política da esquerda para encobrir a má conduta policial em governos de esquerda”, disse Ben-Gvir de acordo com o Haaretz, acrescentando que ignorou as alegações de táticas ilegais de investigação no julgamento de corrupção de Netanyahu.
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O líder da oposição, Yair Lapid, afirmou que Netanyahu não deveria ser perdoado sem admitir a culpa, expressar remorso e se aposentar imediatamente da vida política. Outro político da oposição, Yair Golan, ex-vice-chefe das Forças Armadas, pediu a renúncia do primeiro-ministro e instou o presidente a não conceder o indulto. “Só os culpados pedem perdão”, disse Golan.
O Movimento por um Governo de Qualidade em Israel afirmou que conceder indulto a um primeiro-ministro acusado de crimes graves de fraude e abuso de confiança enviaria uma mensagem clara de que existem cidadãos acima da lei.
O pedido de impunidade de Netanyahu surge semanas depois de Donald Trump, em claro ato de interferência, ter instado publicamente Israel a absolver o primeiro-ministro, dirigindo-se a Herzog durante o seu discurso ao parlamento israelita no mês passado. O republicano também enviou uma carta ao seu homólogo israelense, chamando o caso de corrupção de “perseguição política e injustificada”.
Protestos contra o indulto
Multidões de israelenses se reuniram em frente à residência do presidente Isaac Herzog, em Tel Aviv, para protestar contra o pedido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por um perdão total das acusações de corrupção.
O protesto de domingo (30/11) à noite ocorreu horas depois de Netanyahu ter solicitado o indulto presidencial em seu longo julgamento por corrupção, sem admitir culpa ou expressar remorso.
Parlamentares da oposição, incluindo Naama Lazimi, juntaram-se a dezenas de ativistas no protesto em frente à residência particular de Herzog, exigindo que ele rejeitasse o pedido.
האיש שאמר שהוא ישן עם מצפון נקי אחרי הטבח שקרה במשמרתו הוא רוצה אחדות?
המכתב הזה הוא עוד סימוכין להיותו של נתניהו לא כשיר ועל החובה להוציא אותו לנבצרות ולא לחנינה.
אנחנו לא נוותר. העם הזה מדהים והוא גדול ממנהיגו והעם הזה ינצח! pic.twitter.com/Klf2lqOqIz
— 🎗 Naama Lazimi – נעמה לזימי (@naamalazimi) November 30, 2025
Um manifestante estava vestido como Netanyahu, com um macacão laranja estilo presidiário, enquanto outros estavam atrás de uma grande pilha de bananas e uma placa com a palavra “perdão”.
“Ele está pedindo que seu julgamento seja completamente cancelado sem assumir qualquer responsabilidade, sem pagar o preço por como devastou este país”, disse a proeminente ativista antigovernamental Shikma Bressler segundo a emissora catari Al Jazeera. “O povo de Israel entende o que está em jogo, e é realmente o futuro do nosso país”, acrescentou ela.
Condenações de Netanyahu
O atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está sendo julgado há cinco anos em três casos distintos de corrupção, incluindo acusações de suborno, fraude e quebra de confiança.
Num dos casos, o premiê e sua esposa, Sara, são acusados de aceitar mais de 260 mil dólares em bens de luxo, como charutos, joias e champanhe, de bilionários em troca de favores políticos. Ele também é acusado de tentar negociar uma cobertura mais favorável por parte de dois veículos de comunicação israelenses em outros dois casos.
Netanyahu nega as acusações, e seus advogados afirmaram em uma carta de 111 páginas ao gabinete do presidente que o primeiro-ministro ainda acredita que o processo judicial resultará em sua absolvição completa.
Em Israel, o perdão geralmente só é concedido após a conclusão dos processos judiciais e a condenação do acusado. O pedido de Netanyahu provocou uma reação imediata.
Além das acusações internas, Netanyahu também é procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia. Em novembro de 2024, o TPI emitiu mandados de prisão contra Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant, sob acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade por sua liderança no genocídio contra o povo palestino em Gaza.























