Terça-feira, 9 de dezembro de 2025
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O presidente israelense Isaac Herzog disse nesta segunda-feira (01/12), em resposta ao pedido de impunidade feito por Netanyahu no domingo (30/11), que colocará o “bem do Estado de Israel em primeiro lugar”. O atual primeiro-ministro de Israel está sendo julgado há cinco anos em três casos distintos de corrupção, incluindo acusações de suborno, fraude e quebra de confiança.

“Entendo perfeitamente que isso seja profundamente perturbador para muitas pessoas em todo o país e em diferentes comunidades, e que gere debates. Mas já deixei claro que será tratado da maneira mais adequada e precisa. Considerarei apenas o bem do Estado e da sociedade israelense, tendo em mente exclusivamente os interesses do Estado de Israel”, declarou segundo o veículo de Tel Aviv, Haaretz.

Por sua vez, o ministro da Segurança Nacional de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir, instou o presidente a conceder indulto ao primeiro-ministro, criticando o departamento do Ministério da Justiça responsável por investigar má conduta policial.

O departamento “nunca morreu – operou discretamente como ferramenta política da esquerda para encobrir a má conduta policial em governos de esquerda”, disse Ben-Gvir de acordo com o Haaretz, acrescentando que ignorou as alegações de táticas ilegais de investigação no julgamento de corrupção de Netanyahu.

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O líder da oposição, Yair Lapid, afirmou que Netanyahu não deveria ser perdoado sem admitir a culpa, expressar remorso e se aposentar imediatamente da vida política. Outro político da oposição, Yair Golan, ex-vice-chefe das Forças Armadas, pediu a renúncia do primeiro-ministro e instou o presidente a não conceder o indulto. “Só os culpados pedem perdão”, disse Golan.

O Movimento por um Governo de Qualidade em Israel afirmou que conceder indulto a um primeiro-ministro acusado de crimes graves de fraude e abuso de confiança enviaria uma mensagem clara de que existem cidadãos acima da lei.

O pedido de impunidade de Netanyahu surge semanas depois de Donald Trump, em claro ato de interferência, ter instado publicamente Israel a absolver o primeiro-ministro, dirigindo-se a Herzog durante o seu discurso ao parlamento israelita no mês passado. O republicano também enviou uma carta ao seu homólogo israelense, chamando o caso de corrupção de “perseguição política e injustificada”.

Protestos contra o indulto

Multidões de israelenses se reuniram em frente à residência do presidente Isaac Herzog, em Tel Aviv, para protestar contra o pedido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por um perdão total das acusações de corrupção.

O protesto de domingo (30/11) à noite ocorreu horas depois de Netanyahu ter solicitado o indulto presidencial em seu longo julgamento por corrupção, sem admitir culpa ou expressar remorso.

Parlamentares da oposição, incluindo Naama Lazimi, juntaram-se a dezenas de ativistas no protesto em frente à residência particular de Herzog, exigindo que ele rejeitasse o pedido.

Um manifestante estava vestido como Netanyahu, com um macacão laranja estilo presidiário, enquanto outros estavam atrás de uma grande pilha de bananas e uma placa com a palavra “perdão”.

“Ele está pedindo que seu julgamento seja completamente cancelado sem assumir qualquer responsabilidade, sem pagar o preço por como devastou este país”, disse a proeminente ativista antigovernamental Shikma Bressler segundo a emissora catari Al Jazeera. “O povo de Israel entende o que está em jogo, e é realmente o futuro do nosso país”, acrescentou ela.

Condenações de Netanyahu

O atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está sendo julgado há cinco anos em três casos distintos de corrupção, incluindo acusações de suborno, fraude e quebra de confiança.

Num dos casos, o premiê e sua esposa, Sara, são acusados ​​de aceitar mais de 260 mil dólares em bens de luxo, como charutos, joias e champanhe, de bilionários em troca de favores políticos. Ele também é acusado de tentar negociar uma cobertura mais favorável por parte de dois veículos de comunicação israelenses em outros dois casos.

Netanyahu nega as acusações, e seus advogados afirmaram em uma carta de 111 páginas ao gabinete do presidente que o primeiro-ministro ainda acredita que o processo judicial resultará em sua absolvição completa.

Em Israel, o perdão geralmente só é concedido após a conclusão dos processos judiciais e a condenação do acusado. O pedido de Netanyahu provocou uma reação imediata.

Além das acusações internas, Netanyahu também é procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia. Em novembro de 2024, o TPI emitiu mandados de prisão contra Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant, sob acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade por sua liderança no genocídio contra o povo palestino em Gaza.