Presidente iraniano acusa interferência dos EUA e Israel na escalada violenta das manifestações
Masoud Pezeshkian aponta 'infiltração de terroristas estrangeiros’ e diz que ouvirá manifestantes pacíficos; Donald Trump reitera ameaças contra o Irã
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que “inimigos externos” estão interferindo diretamente nos protestos que escalaram no país desde o dia 29 de dezembro. Em entrevista televisionada à emissora estatal IRIB, neste domingo (11/01), ele acusou a infiltração de “terroristas estrangeiros” pelos Estados Unidos e Israel entre os manifestantes.
Pezeshkian diferenciou os protestos legítimos, como direito do povo, dos distúrbios violentos que estão em curso no país. E afirmou que tumultos, ataques a propriedades públicas, incêndios criminosos contra mesquitas e incêndios no Alcorão fazem parte dos planos arquitetados pelos Estados Unidos e pelo regime israelense que “cometeram os crimes mais hediondos do mundo”, informa a agência Tasnim.
O presidente iraniano afirmou que, mesmo os países europeus que se opõem à República Islâmica não conseguem defender as brutalidades que se desenrolam em Gaza, Palestina e Líbano. “O inimigo está treinando terroristas dentro e no exterior e trazendo terroristas para o país”, acrescentou.
“Essas pessoas não pertencem a este país”, disse, ao ao mencionar a série de incêndios contra mesquitas, residências, bancos, comércios e veículos públicos. Já, aos manifestantes pacíficos, Pezeshkian garantiu: “os que pertencem a este país que protestem. Nós ouviremos e resolveremos o problema.”
Protestos
As manifestações inicialmente pacíficas contra o governo e a crise econômica que atinge o país começaram em 29 de dezembro, mas escalaram e, segundo organizações de direitos humanos, os confrontos entre os manifestantes e as forças de segurança iranianas já resultaram na morte de dezenas de pessoas, entre civis e membros das forças de segurança iranianas.
Pezeshkian afirma que seu governo está tentando responder às demandas da população, mas que os protestos ultrapassaram o âmbito do legítimo, envolvendo grupos armados dispostos a promover o caos por meio de atos violentos contra alvos civis e religiosos.
Cerca de 200 pessoas, apontadas como lideranças desses grupos, foram presas neste final semana e um bloqueio da internet, criticado por várias organizações, está em vigor no país desde quinta-feira (08/01).

Presidente iraniano acusa interferência dos EUA e Israel em protestos
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As autoridades alegam que as manifestações vêm sendo estimuladas por uma conta em farsi ligada ao Mossad israelense, que chegou a alegar ter agentes infiltrados nas multidões. De acordo com a PressTV, confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança deixaram dezenas de mortos, entre agentes e civis.
Trump reitera ameaças
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar uma intervenção direta no país. Na sexta-feira (10/01), ele escreveu que os Estados Unidos estão prontos a ajudar e ameaçou atacar o país, caso o governo atire nos manifestantes. No domingo (11/01), ao falar com jornalistas, reforçou o tom beligerante.
“Governam por meio da violência, mas estamos analisando isso muito seriamente; o Exército está analisando. E estamos considerando algumas opções muito fortes”, afirmou. Questionado sobre uma eventual retaliação iraniana contra instalações dos EUA, Trump advertiu: “se fizerem isso, nós os atingiremos a níveis que eles nunca sofreram antes”, ameaçou.
Frente à retórica de Washington, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, dirigindo-se diretamente ao presidente norte-americano, advertiu: “para evitar erros de cálculo, compreenda que, se decidir atacar o Irã, tanto os territórios ocupados quanto todos os centros militares, bases e navios americanos na região serão alvos legítimos”.























