Presidente iraniano destaca unidade dos países islâmicos como 'única garantia de paz na região'
Em conversa com príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Masoud Pezeshkian denunciou estratégia deliberada de Washington para desestabilização do Oriente Médio
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian conversou com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, nesta terça-feira (27/01), sobre a escalada das ameaças de Washington, após a chegada do porta-aviões USS Abraham Lincoln, com um efetivo de 5 mil militares na região do Oriente Médio.
Durante a conversa, o presidente iraniano acusou os Estados Unidos de conduzirem uma estratégia calculada de desestabilização política da região. “As ameaças e operações psicológicas dos norte-americanos têm como objetivo perturbar a segurança da região e eles não alcançarão nada além de instabilidade”, declarou.
Ele relatou ao príncipe saudita que a hostilidade contra o Irã se intensificou desde o início de seu governo, com sanções econômicas, ataques militares na “Guerra dos 12 Dias” e, recentemente, o apoio direto a ações terroristas durante os violentos protestos no país.
“Imaginaram que poderiam transformar o Irã em outra Síria ou Líbia. Não reconheceram a verdade, a natureza nem a grandeza da nação iraniana. A presença consciente e massiva do nosso povo frustrou essas conspirações”, acrescentou, referindo-se às mobilizações populares em apoio ao governo, ocorridas nas últimas semanas no país.
Em resposta, informa a agência Tasnim, bin Salman reafirmou o compromisso da Arábia Saudita com a estabilidade regional. Ao enfatizar a importância da solidariedade entre os países islâmicos, o príncipe herdeiro disse que Riade se opõe a qualquer forma de agressão ou escalada contra o Irã. Ele também expressou a disposição do país em cooperar com o Irã e outros estados no estabelecimento da paz na região.
Ceticismo
O presidente iraniano também expressou ceticismo em relação às negociações com o Ocidente. “Estávamos em conversações com os norte-americanos quando eles lançaram um ataque contra nós diante do mundo inteiro”, disse. “Para eles, ‘negociação’ significa apenas executar o que impõem. Isso não é diálogo”, acrescentou.
O chefe de Estado reiterou que o Irã permanece disposto a participar de iniciativas que, dentro do direito internacional, evitem conflitos e promovam a paz, desde que os direitos do país sejam plenamente respeitados. “A unidade e a coesão dos países islâmicos são a única garantia real de estabilidade e paz duradouras na região”, afirmou.
Ele também agradeceu o apoio demonstrado por nações islâmicas — em especial a Arábia Saudita — durante os ataques recentes. “A Ummah islâmica é uma comunidade fraterna. Juntos, podemos construir uma região segura, desenvolvida e avançada”, acrescentou.

Em conversa com príncipe herdeiro da Arábia Saudita, presidente iraniano destaca coesão dos países islâmicos como ‘única garantia de paz na região’
Reprodução / Agência Tasnim
‘Mentiras’
Autoridades iranianas reforçaram o discurso do presidente. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, classificou como “uma grande mentira ao estilo Hitler” os relatos da imprensa ocidental que falam em até 80 mil mortos durante os protestos no país. Segundo ele, dados oficiais apontam 3.117 mortes, sendo 2.427 de civis e agentes de segurança mortos por grupos terroristas.
Já a porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, afirmou que a diplomacia segue como prioridade de Teerã, embora “todas as opções estejam sobre a mesa” diante das ameaças externas, com o país em “plena preparação” para responder a qualquer agressão.
Um grande contingente naval encontra-se na região. O porta-aviões USS Abraham Lincoln é acompanhado por destroieres, caças F-15E e cerca de 5 mil militares. O Reino Unido também enviou caças Typhoon em caráter classificado como “defensivo”.
O Comando Central das Forças Armadas (CENTCOM) anunciou nesta terça-feira (27/01) a realização de exercícios aéreos de prontidão de vários dias na região, descritos como uma demonstração da capacidade de “desdobrar, dispersar e sustentar poder aéreo de combate”. As manobras, afirma o Pentágono, buscam fortalecer parcerias regionais e preparar respostas flexíveis em caso de agravamento das tensões.
*Com TeleSur e Tasnim
























