Rússia alerta contra ação militar e pede negociação entre EUA e Irã
Kremlin disse que potencial para acordo ‘não se esgotou’; Teerã se dispõe a conversas ‘mutuamente benéficas, justas e equitativas’, mas diz que não foi procurada por Washington
A Rússia alertou, nesta quinta-feira (29/01), que uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã só “criaria caos” na região, afirmando que o potencial de negociação entre os dois países “ainda não se esgotou”.
Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin (sede da Presidência Rússia), defendeu “concentração, antes de mais nada, nos mecanismos de negociação” entre os EUA e o Irã.
“Qualquer ação militar poderia criar o caos na região e levar a consequências perigosas, como a desestabilização dos sistemas de segurança em toda a região”, alertou Peskov, citado pela agência russa de notícias TASS.
O representante do governo Vladimir Putin também pediu que todas as partes “exerçam moderação e renunciem a qualquer uso da força na resolução da questão”.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que Teerã “sempre acolheu com satisfação um acordo nuclear mutuamente benéfico, justo e equitativo — em pé de igualdade e livre de coerção, ameaças e intimidação — que assegure o direito do Irã à tecnologia nuclear pacífica e garanta a não aquisição de armas nucleares”.
“Essas armas não têm lugar nos nossos cálculos de segurança e nunca procuramos adquiri-las”, acrescentou o chanceler.
Segundo a agência de notícias iraniana IRNA, Araghchi também rejeitou, na última quarta-feira (28/01), negociações com os EUA “enquanto persistirem a intimidação e as imposições” e que a “diplomacia imposta por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil”.
De acordo com o chanceler, o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Wittkoff, não o procurou para novas negociações. Ele observou que alguns países estão atualmente atuando como intermediários e realizando consultas, e disse que o Irã permanece em contato com essas partes.
Citado pela IRNA, a autoridade reconheceu que “ameaças e diplomacia muitas vezes andam de mãos dadas nas relações internacionais”, mas que os Estados Unidos “devem abandonar as ameaças, os exageros e as exigências irracionais se realmente desejam negociar”.
Araghchi também mencionou manter contato com a liderança de demais países do Oriente Médio, como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, sobre o aumento da tensão pelos EUA. Segundo o chanceler, há uma “preocupação generalizada” de que as ameaças militares possam causar instabilidade na região.

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin =, defendeu “concentração nos mecanismos de negociação” entre EUA e Irã
Kremlin
Diante das ameaças, o ministro iraniano declarou que seu país tem capacidade de responder “de forma ainda mais forte, rápida e profunda”, com as lições aprendidas com a Guerra dos Doze Dias, referindo-se ao ataque promovido por Israel, com apoio dos EUA, contra o Irã em junho de 2025.
Nas primeiras horas de 13 de junho, Israel lançou um ataque não provocado contra o Irã, que se intensificou numa troca de mísseis e ataques com drones entre as duas nações. Durante o conflito, Israel atacou instalações nucleares da República Islâmica, bem como comandantes militares, altos funcionários e cientistas nucleares.
O confronto se intensificou quando os EUA se juntaram à agressão, atacando três importantes instalações nucleares iranianas. O presidente Donald Trump afirmou então que o programa nuclear da nação persa havia sido “destruído”, uma avaliação contestada pelas próprias agências de inteligência de Washington.
Teerã respondeu à ofensiva americana lançando um ataque à maior base militar dos EUA no Oriente Médio, localizada no Catar. Em 24 de junho, Tel Aviv e Teerã anunciaram um cessar-fogo que pôs fim aos combates.
EUA e Israel instigam caos, diz Irã na ONU
A Guerra dos Doze Dias também foi mencionada pelo embaixador e representante permanente do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, na quarta-feira (28/01), durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a “Situação no Oriente Médio e na Palestina”, realizada em Nova York.
“Tendo falhado em alcançar seus objetivos por meio da guerra de agressão de 12 dias em junho de 2025, o regime israelense agora busca esses mesmos objetivos através da desestabilização política, instigando distúrbios internos e espalhando deliberadamente o caos dentro do Irã”, disse Iravani durante a reunião, lembrando do apoio direto do governo norte-americano de Donad Trump no ataque.
Iravani também chamou a atenção para a urgência das ameaças de Washington contra Teerã. Citando declarações recentes e demonstrações de força militar por parte dos EUA, o enviado iraniano afirmou que as ameaças constituem uma violação flagrante da Carta da ONU e do direito internacional.
“O Irã rejeita e condena categoricamente tais declarações belicistas como irresponsáveis, provocativas e em flagrante violação dos princípios fundamentais do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”, instou o embaixador.
Iravani lembrou que as declarações de Trump “não são incidentes isolados”, mas sim “fazem parte de um padrão mais amplo e bem documentado de coerção, intimidação, atividades desestabilizadoras, operações secretas de inteligência e pressão ilegal”.
“Tal conduta agrava as tensões regionais, aumenta o risco de erros de cálculo e representa uma ameaça direta à paz e à segurança internacionais”, acrescentou.
Além de reafirmar seu “total comprometimento” com os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, o Irã reafirmou “inequivocamente seu direito inerente de autodefesa sob o direito internacional”.
Assim, alertou que “exercerá seu direito de tomar todas as medidas necessárias para defender sua soberania, integridade territorial e povo contra qualquer ataque armado ou ato de agressão, pelo qual os Estados Unidos seriam totalmente e diretamente responsáveis”.
(*) Com RT en español e Tasnim News Agency
























