Quarta-feira, 4 de março de 2026
APOIE
Menu

O diretor da Organização de Energia Atômica iraniano, Mohammad Eslami, levantou a possibilidade de Teerã diluir seu urânio altamente enriquecido caso sejam suspensas “todas as sanções” impostas contra o país persa, conforme informou a agência Tasnim. A posição foi dada nesta segunda-feira (09/02), após a retomada de negociações com Washington, em Omã, na semana passada.

“A possibilidade de diluir urânio enriquecido a 60% nas negociações depende de, em troca, todas as sanções serem ou não suspensas”, afirmou Eslami, sem especificar se isso incluiria todas as sanções contra o Irã ou apenas as impostas pelos Estados Unidos.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Na última sexta-feira (06/02), Washington e Teerã retomaram o diálogo para um acordo sobre o programa nuclear iraniano, após o governo de Donald Trump ameaçar militarmente com o envio de uma frota naval no Golfo Pérsico. O republicano falou em atacar o Irã caso o país persa não retomasse as negociações sobre a questão nuclear.

Segundo Eslami, “questões técnicas e nucleares estão sendo discutidas juntamente com questões políticas nas negociações”. Acrescentou ainda que as relações do Irã com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) permanecem em vigor, mas que o órgão deveria tomar providências sobre o ataque militar ocorrido na chamada “Guerra dos 12 Dias”, ocorrida em junho passado, quando os Estados Unidos e Israel bombardearam as suas instalações nucleares, matando cientistas e oficiais de alto escalão.

Mais lidas

De acordo com Tasnim, Eslami destacou que a “AIEA não pode escapar dessa responsabilidade”, e que se o Irã está sob supervisão do órgão, este mesmo “não pode permanecer em silêncio sobre o que ocorreu em junho de 2025”.

Diluir urânio significa misturá-lo com outros materiais para reduzir o nível de enriquecimento, de modo que o produto final não ultrapasse um determinado limite. Antes da “Guerra dos 12 Dias”, o Irã enriquecia urânio a 60%, ultrapassando o limite de 3,67% delimitado pelas potências ocidentais em 2015 por intermédio de um acordo nuclear, agora extinto.

Chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammed Eslami, levantou a possibilidade do país persa diluir seu urânio altamente enriquecido
Reprodução/Tasnim

Resolução justa com os EUA

Nesta segunda-feira, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que a nova rodada de negociações referente à questão nuclear com os Estados Unidos oferece uma boa oportunidade para alcançar uma resolução justa e mutuamente aceitável.

Durante um encontro de embaixadores estrangeiros em Teerã, e no âmbito do 47º aniversário da vitória da Revolução Islâmica, Pezeshkian disse que o Irã sempre enfatizou a diplomacia baseada no respeito mútuo e interesses comuns em nível internacional. Segundo ele, o engajamento e diálogo são as únicas formas sustentáveis de enfrentar desafios globais.

“O Irã acolhe e aceita qualquer negociação conduzida com base no direito internacional, respeito à soberania nacional, igualdade de posições e o princípio do ganha-ganha”, afirmou o mandatário.

Durante seu discurso, também exigiu garantias para os direitos iranianos sob o Tratado de Não Proliferação (TNP), inclusive no enriquecimento de urânio, bem como na remoção de sanções injustas de países ocidentais. 

“A mensagem do Irã ao mundo é clara, pois o país permanece fiel aos seus compromissos, desde que testemunhe honestidade e adesão às obrigações por parte de outros também”, declarou.

(*) Com Ansa e Tasnim