Teerã pode ‘diluir urânio’ com fim de sanções dos EUA, diz diretor da agência atômica iraniana
Segundo Mohammed Eslami, redução do nível de enriquecimento depende das negociações com os EUA, que abordam conjuntamente 'questões técnicas, nucleares e políticas'
O diretor da Organização de Energia Atômica iraniano, Mohammad Eslami, levantou a possibilidade de Teerã diluir seu urânio altamente enriquecido caso sejam suspensas “todas as sanções” impostas contra o país persa, conforme informou a agência Tasnim. A posição foi dada nesta segunda-feira (09/02), após a retomada de negociações com Washington, em Omã, na semana passada.
“A possibilidade de diluir urânio enriquecido a 60% nas negociações depende de, em troca, todas as sanções serem ou não suspensas”, afirmou Eslami, sem especificar se isso incluiria todas as sanções contra o Irã ou apenas as impostas pelos Estados Unidos.
Na última sexta-feira (06/02), Washington e Teerã retomaram o diálogo para um acordo sobre o programa nuclear iraniano, após o governo de Donald Trump ameaçar militarmente com o envio de uma frota naval no Golfo Pérsico. O republicano falou em atacar o Irã caso o país persa não retomasse as negociações sobre a questão nuclear.
Segundo Eslami, “questões técnicas e nucleares estão sendo discutidas juntamente com questões políticas nas negociações”. Acrescentou ainda que as relações do Irã com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) permanecem em vigor, mas que o órgão deveria tomar providências sobre o ataque militar ocorrido na chamada “Guerra dos 12 Dias”, ocorrida em junho passado, quando os Estados Unidos e Israel bombardearam as suas instalações nucleares, matando cientistas e oficiais de alto escalão.
De acordo com Tasnim, Eslami destacou que a “AIEA não pode escapar dessa responsabilidade”, e que se o Irã está sob supervisão do órgão, este mesmo “não pode permanecer em silêncio sobre o que ocorreu em junho de 2025”.
Diluir urânio significa misturá-lo com outros materiais para reduzir o nível de enriquecimento, de modo que o produto final não ultrapasse um determinado limite. Antes da “Guerra dos 12 Dias”, o Irã enriquecia urânio a 60%, ultrapassando o limite de 3,67% delimitado pelas potências ocidentais em 2015 por intermédio de um acordo nuclear, agora extinto.

Chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammed Eslami, levantou a possibilidade do país persa diluir seu urânio altamente enriquecido
Reprodução/Tasnim
Resolução justa com os EUA
Nesta segunda-feira, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que a nova rodada de negociações referente à questão nuclear com os Estados Unidos oferece uma boa oportunidade para alcançar uma resolução justa e mutuamente aceitável.
Durante um encontro de embaixadores estrangeiros em Teerã, e no âmbito do 47º aniversário da vitória da Revolução Islâmica, Pezeshkian disse que o Irã sempre enfatizou a diplomacia baseada no respeito mútuo e interesses comuns em nível internacional. Segundo ele, o engajamento e diálogo são as únicas formas sustentáveis de enfrentar desafios globais.
“O Irã acolhe e aceita qualquer negociação conduzida com base no direito internacional, respeito à soberania nacional, igualdade de posições e o princípio do ganha-ganha”, afirmou o mandatário.
Durante seu discurso, também exigiu garantias para os direitos iranianos sob o Tratado de Não Proliferação (TNP), inclusive no enriquecimento de urânio, bem como na remoção de sanções injustas de países ocidentais.
“A mensagem do Irã ao mundo é clara, pois o país permanece fiel aos seus compromissos, desde que testemunhe honestidade e adesão às obrigações por parte de outros também”, declarou.
(*) Com Ansa e Tasnim
























