Trump afirma que execuções pararam no Irã e recua nas ameaças de ataque: 'vamos observar'
Preço do petróleo cai 3% após declaração do republicano; ‘diplomacia é muito melhor do que guerra’, afirma chanceler iraniano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, na noite desta quarta-feira (14/01), ter recebido garantias de autoridades iranianas de que os manifestantes não serão mortos no país.
“Fomos informados de que as mortes no Irã estão parando e que não há planos de execuções”, afirmou aos jornalistas no Salão Oval. Ele disse ter recebido garantias de “fontes muito importantes do outro lado” de que não ocorreriam mais mortes.
“As execuções não vão acontecer – e vamos descobrir”, disse. “Era para haver muitas execuções hoje”, afirmou, ao se referir a Erfan Soltani, primeiro manifestante condenado à morte desde o início dos protestos em 29 de dezembro, cuja execução, esperada para quarta-feira (14/01), foi adiada.
Ao ser questionado se a ação militar dos Estados Unidos contra o país estava fora de questão, ele disse: “vamos observar e ver qual é o processo.”
Nas últimas semanas, Trump escalou suas ameaças de ataque ao país, chegando a dizer que os Estados Unidos estavam “prontos e preparados” para intervir, caso Teerã continuasse a disparar contra manifestantes. Ele também anunciou uma tarifa de 25% contra países que comercializassem com o Irã.
Diplomacia é muito melhor
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, também se manifestou. Ele declarou à Fox News que “não existe plano” de punições capitais ligadas aos protestos e que “enforcamento está fora de questão”.
Questionado sobre o que diria a Trump, o chanceler afirmou que “entre guerra e diplomacia, diplomacia é um caminho melhor, embora não tenhamos nenhuma experiência positiva dos Estados Unidos. Mas ainda assim, diplomacia é muito melhor que guerra”.
A declaração ocorre no mesmo dia em que o governo iraniano denunciou nas Nações Unidas as ameaças de intervenção militar dos Estados Unidos contra o país.

Trump recua das ameaças e afirma que execuções pararam no Irã: ‘não vão acontecer’
Reprodução vídeo / X Casa Branca
Preços do petróleo, ouro e prata caem após declaração
A declaração teve efeito imediato no mercado financeiro. O preço do petróleo caiu cerca de 3%, à medida que diminuíram os temores de interrupção no fornecimento global. Ouro e prata também recuaram após dias de ameaças de guerra na região.
No plano diplomático, o Conselho de Segurança da ONU realiza nesta quinta-feira (15/01) uma reunião sobre a situação no Irã. Paralelamente, os chanceleres do G7 declararam estar “preparados para impor medidas restritivas adicionais” contra Teerã devido à condução dos protestos e ao “uso deliberado da violência, assassinato de manifestantes, detenções arbitrárias e táticas de intimidação”.
O governo iraniano acusou ingerência externa na escalada violenta dos protestos iniciados em 29 de dezembro. A imprensa ocidental aponta que, pelo menos mais de 3 mil pessoas, entre manifestantes e forças de segurança, podem ter sido mortas durante os confrontos desde então.
O jornal britânico The Guardian lembra, ao reportar o recuo das ameaças nesta quarta-feira (14/01), que antes do ataque contra o Irã, na Guerra dos 12 Dias, em junho do ano passado, o republicano havia sugerido negociações enquanto se preparava para a ofensiva que deixou mais de mil mortos no país.























