Trump alerta que tempo do Irã está acabando e próximo ataque será ‘muito pior’
Presidente dos EUA anunciou frota militar 'maior que a da Venezuela' no Oriente Médio para ameaçar Teerã a retomar negociações sobre acordo nuclear
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou suas ameaças contra o Irã nesta quarta-feira (28/01) ao anunciar que uma frota militar “maior que a da Venezuela” está a caminho do Oriente Médio. O republicano usou suas redes sociais, condicionando um possível ataque à decisão iraniana de retomar, ou não, as negociações com Washington referente à questão nuclear.
Em seu perfil no Truth Social, o mandatário norte-americano destacou que “o tempo está acabando”, na tentativa de pressionar o país persa a chegar a um acordo nuclear “o mais rápido possível”.
“Uma enorme frota militar está a caminho do Irã. Ela se move rapidamente, com grande poder, entusiasmo e determinação. Assim como no caso da Venezuela, está pronta, disposta e apta a cumprir sua missão rapidamente, com velocidade e violência, se necessário”, enfatizou Trump, citando o ataque realizado ao país sul-americano em 3 de janeiro, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
“Esperamos que o Irã se sente à mesa de negociações e chegue a um acordo justo e equitativo”, acrescentou, reforçando que o tratado seja “sem armas nucleares” a Teerã. Ainda segundo o republicano, caso Teerã negue às tratativas, o próximo ataque de Washington será “muito pior” do que o realizado em junho passado, na guerra dos 12 dias iniciada por Israel.
Em entrevista ao portal Axios nesta semana, o republicano disse que os Estados Unidos têm uma “grande frota militar ao lado do Irã, maior do que a da Venezuela”. Ao mesmo tempo, sugeriu estar aberto às negociações. Já na semana passada, Trump havia antecipado aos jornalistas a bordo da Air Force sobre terem enviado uma “grande armada” à região do Oriente Médio, acrescentando de estarem “vendo eles muito de perto”.
Na terça-feira (27/01), a Air Forces Central, componente aéreo do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), disse que realizaria um “exercício de prontidão de vários dias para demonstrar a capacidade de implantar, dispersar e sustentar o poder aéreo de combate em toda a área de responsabilidade do Comando Central dos Estados Unidos”.
O exercício foi “projetado para aprimorar a capacidade de dispersão de ativos e pessoal, fortalecer parcerias regionais e preparar a execução de resposta flexível”, acrescentou por comunicado.
O CENTCOM anunciou no início desta semana que um grande destacamento naval norte-americano liderado pelo porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln havia chegado ao Oriente Médio. O porta-aviões, que conta com várias dezenas de caças e quase cinco mil marinheiros, foi acompanhado por vários destroieres lança-mísseis que carregam defesas aéreas.
Segundo o jornal The Washington Post, os Estados Unidos também transferiram um esquadrão de caças F-15E Strike Eagle para a região, pertencentes à mesma unidade que participou dos ataques ao Irã em abril de 2024. O Reino Unido também transferiu jatos Typhoon para a região em uma “capacidade defensiva”, conforme o veículo.
Trata-se da primeira vez que um porta-aviões foi estacionado no CENTCOM desde que o USS Gerald Ford foi enviado ao mar do Caribe em outubro passado, no âmbito das ofensivas norte-americanas na tentativa de derrubar o presidente venezuelano Maduro.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump reforça ameaças contra o Irã e envia frota militar para a região do Oriente Médio
The White House
Rechaço às ameaças
Ainda nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, esclareceu que não houve nenhum contato entre ele e o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, a respeito da questão nuclear.
“Também não solicitamos qualquer rodada de negociação”, acrescentou o chanceler, frisando que as tratativas seguem por meio de países mediadores. “Não se pode falar em diálogo diante de um clima de ameaças. As negociações têm seu próprio código de conduta e devem ser conduzidas a partir de uma posição de igualdade”.
Uma das mediadoras na crise entre as partes, a Turquia, que além da questão nuclear também se manifestou contra a ameaça de intervenção militar norte-americana em meio aos protestos no país persa, exortou Washington a “negociar” e “não atacar o Irã”.
“É um erro recomeçar um confronto” no Oriente Médio, afirmou o ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan.
(*) Com Ansa
























