Trump diz que Irã quer negociar; Teerã declara ‘prontidão’ para guerra, mas sugere diálogo
Sem detalhes, presidente dos EUA afirmou que 'reunião está sendo marcada' entre as duas partes; dias atrás, republicano ameaçou atacar país persa em meio a protestos massivos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (11/01) que os representantes iranianos ligaram sugerindo negociações com Washington após suas ameaças de intervir e atacar o país persa, em meio aos protestos massivos voltados à situação econômica interna.
“Os líderes do Irã ligaram”, revelou o republicano a repórteres a bordo do Air Force One, sem citar nomes. “Acho que eles estão cansados de apanharem dos Estados Unidos. O Irã quer negociar com a gente”, disse Trump, acrescentando que “uma reunião está sendo marcada”.
Por sua vez, o Irã não reagiu de imediato aos comentários do mandatário norte-americano. Já nesta segunda-feira (12/01), Teerã informou que mantém as comunicações abertas com os Estados Unidos. De acordo com a agência Associated Press (AP), momentos antes da declaração de Trump, o ministro das Relações Exteriores de Omã, há tempo interlocutor entre os dois países, havia viajado ao país persa neste fim de semana.
“O canal de comunicação entre nosso ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o enviado especial dos EUA [Steve Witkoff] está aberto e as mensagens são trocadas sempre que necessário”, disse o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei. O representante acrescentou que os contatos também permanecem abertos por meio do tradicional intermediário Suíça.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os representantes iranianos ligaram sugerindo negociações com Washington
RS/Fotos Públicas
‘Pronto para guerra’
O chanceler iraniano Abbas Araghchi declarou, nesta segunda-feira (12/1), que o Irã está pronto para a guerra, apesar de não ser interessante para o país, e que está aberto a negociações.
“A República Islâmica do Irã não busca a guerra, mas está totalmente preparada para a guerra”, disse o ministro, em coletiva. “Também estamos prontos para negociações, mas essas negociações devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo”.
Os protestos em território iraniano evoluíram ao longo de semanas e, segundo um balanço divulgado pela ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), deixaram mais de 538 mortos, entre manifestantes e policiais. As manifestações inicialmente pacíficas começaram em 29 de dezembro, rejeitando a grave situação econômica – incluindo a desvalorização do rial (moeda local) e a inflação –, decorrente das sanções impostas pelo Ocidente.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian reiterou que seu governo está tentando responder às demandas da população, mas que os protestos ultrapassaram o âmbito do legítimo, envolvendo grupos armados dispostos a promover o caos por meio de atos violentos contra alvos civis e religiosos.
Cerca de 200 pessoas, apontadas como lideranças desses grupos, foram presas neste final semana e um bloqueio da internet, criticado por várias organizações, está em vigor no país desde quinta-feira (08/01). As autoridades alegam que as manifestações vêm sendo estimuladas por uma conta em farsi ligada ao Mossad israelense, que chegou a alegar ter agentes infiltrados nas multidões.























