Tribunal do Reino Unido mantém classificação do grupo pró-Palestina como ‘terrorista’
Medida favorece iniciativa do Ministério do Interior sobre ‘ilegalidade’ da Palestine Action e reverte decisão favorável aos ativistas tomada em fevereiro passado
O Tribunal de Apelação do Reino Unido decidiu nesta segunda-feira (15/06) pela legalidade da medida tomada pelo Ministério do Interior do país ao classificar o grupo Palestine Action como uma “organização terrorista”.
A medida reverte uma decisão tomada em fevereiro deste ano pelo Supremo Tribunal de Justiça, que considerou a iniciativa do Ministério do Interior como “ilegal e desproporcional”, ao utilizar a Lei do Terrorismo criada em julho de 2000 para enquadrar o grupo pró-Palestina.
Fundado em 2020, o grupo Palestine Action tem se dedidado, desde 2023, a realizar manifestações no Reino Unido para denunciar o genocídio perpetrado pelas forças militares de Israel contra a população palestina residente na Faixa de Gaza (massacre que registrou mais de 70 mil mortes oficiais entre outubro de 2023 e outubro de 2025), e pressionar o governo britânico a tomar medidas contra Tel Aviv.
A magistrada do Tribunal de Apelações, Sue Carr, argumentou na sentença que “a decisão sobre a proscrição (do Palestine Action) alcançou um equilíbrio justo”.
Huda Ammori, cofundadora do Palestine Action, afirmou que a organização apelará da decisão em instâncias dentro e fora do Reino Unido, podendo levar o caso inclusive para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
“Este é um dos ataques mais extremos à liberdade de expressão e ao direito de protesto na história britânica moderna”, alegou Ammori.
Repercussão
A decisão do Tribunal de Apelações despertou uma série de reações de protesto, como a da Anistia Internacional, que classificou o veredicto do tribunal como “profundamente decepcionante”.
“A proibição da Palestine Action como organização terrorista é um grave abuso dos poderes antiterroristas, com sérias consequências para os direitos humanos”, afirmou a conta oficial da entidade na plataforma X.
Já a organização Defend Our Juries, que lidera uma campanha contra a proibição do Palestine Action, disse em comunicado que “parece que os tribunais foram instrumentalizados para suprimir a oposição ao genocídio, quando deveriam estar fazendo exatamente o oposto”.

Cartaz do Palestine Action defende direito a protesto em favor da causa palestina no Reino Unido
Anistia Internacional
Ativistas também condenados
Nesta mesma segunda, a Justiça britânica condenou quatro ativistas do Palestine Action por realizar uma ação de protesto contra as instalações da empresa militar israelense Elbit Systems. A sentença usa o argumento de “ligação com o terrorismo” como “fator agravante” para definir a dosimetria das penas.
Entre os condenados estão: Samuel Corner, que recebeu sete anos e oito meses de prisão; Leona Kamio e Charlotte Head, ambas com cinco anos de prisão; enquanto Fatema Zainab Rajwani, foi sentenciada a quatro anos e oito meses.
Ademais, ficou estabelecido que os cinco ativistas terão de cumprir um ano adicional em liberdade condicional depois de saírem da cadeia.
























