Terça-feira, 23 de junho de 2026
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O Tribunal de Apelação do Reino Unido decidiu nesta segunda-feira (15/06) pela legalidade da medida tomada pelo Ministério do Interior do país ao classificar o grupo Palestine Action como uma “organização terrorista”.

A medida reverte uma decisão tomada em fevereiro deste ano pelo Supremo Tribunal de Justiça, que considerou a iniciativa do Ministério do Interior como “ilegal e desproporcional”, ao utilizar a Lei do Terrorismo criada em julho de 2000 para enquadrar o grupo pró-Palestina.

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Fundado em 2020, o grupo Palestine Action tem se dedidado, desde 2023, a realizar manifestações no Reino Unido para denunciar o genocídio perpetrado pelas forças militares de Israel contra a população palestina residente na Faixa de Gaza (massacre que registrou mais de 70 mil mortes oficiais entre outubro de 2023 e outubro de 2025), e pressionar o governo britânico a tomar medidas contra Tel Aviv.

A magistrada do Tribunal de Apelações, Sue Carr, argumentou na sentença que “a decisão sobre a proscrição (do Palestine Action) alcançou um equilíbrio justo”.

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Huda Ammori, cofundadora do Palestine Action, afirmou que a organização apelará da decisão em instâncias dentro e fora do Reino Unido, podendo levar o caso inclusive para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

“Este é um dos ataques mais extremos à liberdade de expressão e ao direito de protesto na história britânica moderna”, alegou Ammori.

Repercussão

A decisão do Tribunal de Apelações despertou uma série de reações de protesto, como a da Anistia Internacional, que classificou o veredicto do tribunal como “profundamente decepcionante”.

“A proibição da Palestine Action como organização terrorista é um grave abuso dos poderes antiterroristas, com sérias consequências para os direitos humanos”, afirmou a conta oficial da entidade na plataforma X.

Já a organização Defend Our Juries, que lidera uma campanha contra a proibição do Palestine Action, disse em comunicado que “parece que os tribunais foram instrumentalizados para suprimir a oposição ao genocídio, quando deveriam estar fazendo exatamente o oposto”.

Cartaz do Palestine Action defende direito a protesto em favor da causa palestina no Reino Unido
Anistia Internacional

Ativistas também condenados

Nesta mesma segunda, a Justiça britânica condenou quatro ativistas do Palestine Action por realizar uma ação de protesto contra as instalações da empresa militar israelense Elbit Systems. A sentença usa o argumento de “ligação com o terrorismo” como “fator agravante” para definir a dosimetria das penas.

Entre os condenados estão: Samuel Corner, que recebeu sete anos e oito meses de prisão; Leona Kamio e Charlotte Head, ambas com cinco anos de prisão; enquanto Fatema Zainab Rajwani, foi sentenciada a quatro anos e oito meses.

Ademais, ficou estabelecido que os cinco ativistas terão de cumprir um ano adicional em liberdade condicional depois de saírem da cadeia.