Hoje na História: 1857 - É lançado 'As Flores do Mal', de Charles Baudelaire

Hoje na História: 1857 - É lançado 'As Flores do Mal', de Charles Baudelaire

Max Altman

“Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage

Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,

Qui suivent, indolents compagnons de voyage,

Le navire glissant sur les gouffres amers. ...”

Às vezes, por prazer, os homens de equipagem

Pegam um albatroz, enorme ave marinha,

Que segue, companheiro indolente de viagem,

O navio que sobre os abismos caminha.

(1ª estrofe de O Albatroz, tradução do poeta Guilherme de Almeida)

É colocada à venda em 25 de junho de 1857, a coletânea de poesias As Flores do Mal (Les Fleurs du mal) do genial poeta Charles Baudelaire. As Flores... foram julgadas indecentes e valeram um processo ao seu autor por “ofensa à moral pública, à moral religiosa e aos bons costumes”.  Foi condenado em agosto a retirar da obra seis de seus poemas e a pagar ele, 300 francos e a editora, 100, de multa. O mal foi irreparável. Concebida não como uma sequência aleatória e sim como um todo, a obra ficou desnaturada pela decisão da justiça. Baudelaire, com a morte n’alma, suprime as passagens incriminadas, reposiciona o restante e reescreve os poemas a fim de recompor os liames ao conjunto. A organização original se perdeu para sempre. A poesia tinha pago um pesado preço à pudicícia.

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Retrato de Baudelaire tirado por Nadar

A obra As Flores do Mal, considerada o marco da poesia moderna, foi criada por Baudelaire com versos rigorosamente metrificados e rimados, que prefiguraram o Parnasianismo. Baudelaire tratou de temas e assuntos que vão do sublime ao escabroso, investindo liricamente contra as convenções morais que permeavam a sociedade francesa dos meados do século XIX. As Flores do Mal reúnem de modo exemplar uma série de motivos: a expulsão do paraíso; o amor; a morte; o tempo; o exílio e o tédio. Os poemas desta obra retratam como ninguém as mazelas do espírito humano.

Nem mesmo suas dilacerantes contradições e dramas íntimos, alternando orações a Deus e ao diabo, transformando sua vida em uma prodigiosa confusão entre amor sublime e degradação, dissipação e trabalho intelectual, tudo isso agravado pela doença que o corroia, não o impediram de ser consistente. A propósito comentava outro grande poeta, Paul Valéry: “As Flores do Mal não contêm poemas nem lendas nem nada que tenha a ver com uma forma narrativa. Não há nelas nenhum discurso filosófico. A política está ausente por completo. As descrições, escassas, são sempre densas de significado. Mas no livro tudo é fascinação, música, sensualidade abstrata e poderosa.”

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Além de precursor de todos os grandes poetas simbolistas, Baudelaire é considerado pela maior parte dos críticos como o mais provável fundador da poesia moderna. Isto se deve ao fato de que valendo-se da percepção do real, chegava sempre a um objetivo para o sentimento que desejava expressar.

Desta forma, sua poesia tendeu para a expressão de imagens cotidianas, a visão do autor, tendo o poeta sido quem melhor intuiu a mudança radical provocada pelas metrópoles sobre a sensibilidade.

Era, como os modernistas que o sucederam, um realista que detestava a simples reprodução do mundo em poemas e pinturas e que tinha, ao mesmo tempo, ojeriza pela subjetividade exagerada. Respondendo à pergunta, por ele mesmo formulada, sobre o que seria uma arte pura, concluiu: “É criar uma mágica sugestiva, contendo a um só tempo o objeto e o sujeito, o mundo exterior ao artista e o próprio artista.” É por meio dos sentidos que Baudelaire apreende a realidade concreta. A mesma maneira de encarar a arte que o torna um precursor dos poetas do fim do século XIX e o faz ser considerado o pai da poesia moderna.

Morreu de sífilis em Paris em 31 de agosto de 1867, aos 46 anos. Está enterrado no cemitério de Montparnasse.


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