ONU estuda liberar fundos para compra de itens humanitários na Líbia

ONU estuda liberar fundos para compra de itens humanitários na Líbia

Thaís Romanelli

A ONU estuda liberar os fundos financeiros para os líbios que há mais de uma semana vem reforçando os pedidos de auxílio a para a compra de remédios e outros itens de primeira necessidade para a população. A informação foi dada pelo português José Filipe Moraes Cabral, chefe do comitê da organização que monitora as sanções impostas contra o líder líbio, Muamar Kadafi.

Segundo ele,  tanto o governo de Kadafi quanto o governo instaurado pelos rebeldes no leste do país e sediado em Benghazi enviaram cartas ao comitê solicitando compra de itens humanitários.

Sendo assim, segundo Cabral, houve  houve um consenso entre os 15 membros do comitê - todos tiveram acesso às cartas - de que esta é uma exceção às sanções contra o ditador e portanto, a ONU estudará a liberação da verba.

Leia mais:
Governo líbio afirma que acusações do TPI contra Kadafi são invenções
Tribunal Penal Internacional ordena prisão de Kadafi, filho dele e cunhado
O 'balé macabro' dos civis decidirá a guerra da Líbia 
O destino das revoltas árabes está no reino do petróleo  

Para Cabral, "se há um acordo entre os dois lados" para o uso desses fundos para satisfazer as necessidades humanitárias do povo líbio "sem discriminação e por meio de um processo totalmente transparente", o comitê deve aprovar os pedidos.

O português, porém, alertou que a ONU não quer que a liberação dos fundos e o auxílio para a população não sejam feitos como no Iraque, onde de 1996 a 2003 aconteceu o chamado "petróleo-por-comida", o maior programa já promovido pela ONU. Na ocasião, o país vendia petróleo contando que a maior parte do dinheiro se destinasse à compra de itens humanitários. O projeto, que teve um custo total de 64 bilhões de dólares, foi encerradovpor denúncias de corrupção.

"Se aprovado, o programa na Líbia  será efetuada pela ONU e por outros órgãos ligados à agência que estão acima de qualquer suspeita", disse. "Será um processo transparente", garantiu.

No dia 26 de fevereiro, o Conselho de Segurança da ONU impôs um embargo de armas sob a Líbia e ordenou o congelamento de ativos por todos os países. As sanções incluiam ainda a proibição de Kadafi e seus aliados de viajar e a paralização de ativos de bancos líbios e da petroleira estatal.

Financiamento

Em junho, os rebeldes líbios receberam ajuda financeira e armamento das potências internacionais conforme informaram o ministro britânico de Relações Exteriores, William Hague, e as Forças Armadas da França.

De acordo com Hague, os primeiros cem milhões de dólares (70 milhões de euros) já foram entregues aos opositores líbios por meio do Mecanismo Temporário de Financiamento.

As armas francesas, porém, foram entregues por meio de aviões que jogaram, de paraquedas, armas leves aos rebeldes líbios no começo de junho nas montanhas de Yebel Nafusa, no sudeste de Trípoli.


Siga o Opera Mundi no Twitter   
Conheça nossa página no Facebook


Comentários