Hoje na história: Operação Irã-Gate tenta derrubar governo sandinista da Nicarágua

Hoje na história: Operação Irã-Gate tenta derrubar governo sandinista da Nicarágua

Max Altman

Em 1986, a CIA (Agência Central de Inteligência, dos Estados Unidos), obedecendo aos objetivos estratégicos e aos ditames da administração conservadora do então presidente Ronald Reagan, tentava derrubar o governo sandinista da Nicarágua, presidido por Daniel Ortega, que havia chegado ao poder com a vitória das forças guerrilheiras da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN). Um escândalo internacional, que viria a ser conhecido como Irã-Contras ou Irã-Gate, veio à tona em 5 de outubro de 1986.

Tratava-se de uma operação clandestina e ilegal montada pelo governo norte-americano para ajudar as forças anti-sandinistas da Nicarágua.

Descobriu-se que a CIA vendia ilegalmente armas para o Irã. Naquela altura, o governo dos aiatolás do Irã era um inimigo dos Estados Unidos. Note-se, porém, que estavam em vigor à época leis votadas pelo Congresso que proibiam o governo norte-americano tanto de fornecer armas para o Irã quanto de financiar a guerrilha anti-sandinista na Nicarágua.

As armas partiam de Israel e chegavam ao Irã. O lucro desta operação ilegal era depositado em contas secretas dos rebeldes nicaraguenses - chamados de Contras. Aos israelenses, interessava fortalecer o Exército do aiatolá Khomeini contra o seu inimigo mais próximo, o Iraque de Saddam Hussein.

Saddam Hussein, simpático à FSLN, era também um aliado dos Estados Unidos contra o Irã, o que não impediu Washington de usar a venda de armas ao inimigo para financiar a derrubada do governo sandinista da Nicarágua.

Descoberta a trama, o escândalo provocou o afastamento de vários assessores do governo Reagan, entre eles o tenente-coronel Oliver North, apontado como principal responsável pela operação.

A opinião pública ficou chocada ao conhecer o lado obscuro da agência de informações de seu próprio país. Na verdade, tal escândalo fazia parte da estratégia do governo dos Estados Unidos para a guerra Irã-Iraque, já que desejava que ambos os lados se digladiassem de forma a se exaurir.

A operação veio a público quando a imprensa norte-americana denunciou as negociações secretas entre a Casa Branca e o governo xiita do Irã. De acordo com as denúncias, o governo iraniano adquiriu armas dos Estados Unidos em troca da libertação de reféns norte-americanos presos por xiitas no Líbano.

Além disso, o dinheiro da compra dos armamentos foi depositado na Suíça, em contas movimentadas pelos "contras" da Nicarágua. Washington, por sua vez, além de armar os muçulmanos xiitas, comprometeu-se a liberar bilhões de dólares do Irã congelados em bancos norte-americanos desde 1979, quando a revolução iraniana derrubou o xá Reza Pahlevi e levou o aiatolá Khomeini ao poder.

O governo Reagan acabou admitindo sua participação no caso. Em consequência, o chefe do Conselho de Segurança Nacional, almirante John Poindexter, e seu subordinado, coronel Oliver North, foram forçados a renunciar aos cargos. As investigações apontaram ainda o envolvimento de outros funcionários de alto escalão do governo, incluindo o então vice-presidente George Bush, pai.

Durante várias semanas, a tevê norte-americana transmitiu ao vivo os trabalhos da comissão de investigação, que descobriu uma complexa rede envolvendo contrabandistas de armas, especulação financeira em paraísos fiscais e jogos de influência e de poder. 

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