Hoje na história: Guerra de Yom Kipur começa com ataque de Egito e Síria a Israel

Hoje na história: Guerra de Yom Kipur começa com ataque de Egito e Síria a Israel

Max Altman

O surpreendente ataque simultâneo das tropas do Egito e da Síria contra Israel, deflagrado em 6 de outubro de 1973, arrastou o Oriente Médio à turbulência política e levou os Estados Unidos e a União Soviética à beira de um conflito direto pela primeira vez desde a Crise dos Mísseis em Cuba em 1962. Embora o confronto militar não tenha se expandido a ponto de levar as duas nações ao teatro de operações, os acontecimentos que circundaram a Guerra de Yom Kipur danificaram seriamente as relações entre Estados Unidos e União Soviética e praticamente fez ruir a bastante alardeada tentativa do presidente Richard Nixon de estabelecer uma détente com a potência inimiga.

A guerra começou com um ataque conjunto pelo Egito e Síria, no feriado judaico de Yom Kipur, que cruzaram as linhas de cessar-fogo no Sinai e nas Colinas do Golã, respectivamente, que haviam sido capturadas por Israel em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias.

Os egípcios e sírios avançaram durante as primeiras 24/48 horas, após o qual o cenário começou a se formar em favor de Israel. Parecia, no começo, que o Egito e a Síria sairiam vitoriosos do conflito. Armados com moderno armamento bélico fornecido pela União Soviética, as duas nações esperavam vingar-se da humilhante derrota na Guerra dos Seis Dias. Israel, apanhado desprevenido, vacilou inicialmente no combate em duas frentes de batalha, porém seus contra-ataques violentos, ajudados por maciça assistência militar dos Estados Unidos e também pela desorganização em meio às tropas egípcias e sírias, viraram o jogo.

Na segunda semana de guerra, os sírios foram empurrados completamente para fora das colinas estrategicamente importantes do Golã. Com as forces egípcias ocorreu algo pior: foram forçadas a recuar através do deserto de Sinai ao sul. Os israelenses atacaram enfiando uma cunha entre dois exércitos egípcios invasores, cruzaram o canal de Suez, onde se situava a velha linha de cessar-fogo, cercando totalmente os milhares de homens do Terceiro Exército egípcio, justamente quando o cessar-fogo das Nações Unidas entrou em vigor.

Após febris negociações, o secretário de Estado, Henry Kissinger, junto com diplomatas soviéticos conseguiram finalmente estabelecer um cessar-fogo, embora frágil. Quando ficou claro que Israel não levantaria o cerco às tropas egípcias, privadas do fornecimento logístico de comida e medicamentos, os soviéticos ameaçaram agir unilateralmente para socorrer seus aliados. A temperatura subiu perigosamente tanto em Moscou quanto em Washington, que pôs suas forças militares em alerta no nível 3 – o nível 5 significa que ataques nucleares foram desencadeados. A União Soviética recuou de suas ameaças, mas o dano nas relações entre as duas nações estava feito e seria duradouro.

Kissinger trabalhou intensamente para estabelecer um acordo de paz, principalmente entre Israel e Egito. Com a morte de Nasser, seu sucessor, Anwar Sadat aproximou-se dos Estados Unidos e Washington tinha interesse numa relação estratégica com o Egito também. Finalmente, o governo israelense resolveu retirar suas tropas de algumas das posições conquistadas no Sinai, ao passo que o Egito se comprometeu a não utilizar a força em seu relacionamento com Israel. A Síria, por seu lado, aceitou relutante o plano de paz, porém permaneceu inflexível na oposição à existência do Estado de Israel.

A guerra teve implicações profundas e provocou um rearranjo político-estratégico na região com repercussões até os dias de hoje. O Mundo Árabe, que havia sido humilhado pela catastrófica derrota da aliança Egípcio-Sírio-Jordaniana durante a Guerra dos Seis Dias, sentiu-se psicologicamente vingado por seu momento de vitórias no início do conflito, apesar do resultado final.

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