Presidente mexicano liquida companhia elétrica e sindicato denuncia jogo de interesse
Presidente mexicano liquida companhia elétrica e sindicato denuncia jogo de interesse
O presidente do México, Felipe Calderón, decretou a liquidação da empresa pública Luz e Força do Centro (LyFC), que abastece a capital e o centro do país, e a Polícia Federal ocupou de surpresa as instalações da companhia. Cerca de seis mil agentes federais ingressaram nos escritórios nessa madrugada, localizados em Colônia Tlaxpana, na cidade do México. Calderón acusa a empresa de ineficiência operacional e financeira e de ter custos exorbitantes.
Fotos:EFE
Trabalhadores da LyFC protestam em frente a uma fila de policiais
Segundo Martin Esparza, secretário geral do SME (Sindicato Mexicano de Eletricistas), um dos
sindicatos mais ativos e críticos do país, o governo do presidente Felipe Calderón, por meio de seu secretário do Trabalho, Javier Lozano Alarcón, “pretende acabar com a LyFC para privatizar e apropriar-se de uma rede de mais de mil quilômetros de fibra ótica; infraestrutura que utilizaria para realizar negócios multimilionários com os gigantes das telecomunicações”. A ação, assegurou o dirigente do SME em entrevista exclusiva ao semanal Proceso, “é só o começo do conflito iniciado pelo governo para tentar destruir a organização”.
Há alguns dias governo não reconheceu a eleição de Esparza, alegando uma suposta fraude
interna no sindicato.
Histórico
Em julho de 1999, a Secretaria de Comunicações e Transportes, dirigida então por Carlos Ruiz Sacristán, deu à empresa WL Comunicaciones S.A. de C.V. uma concessão mediante o acordo P/161299/0673. Em maio do ano seguinte, se formalizou o título que garantia à companhia de origem espanhola – cujos sócios majoritários são os ex-secretários de Energia, Fernando Canales Clariond e Ernesto Martens – a possibilidade de operar a rede por um prazo de 30 anos, com possibilidade de prorrogação.
Em 16 de maio de 2008 começariam os trabalhos para a instalação da rede, mas o SME impediu a realização das obras.
Esparza acrescentou que no último dia 30 de junho o diretor da Companhia de Luz e Força do Centro (LFC), Jorge Gutiérrez Vera e ele, como secretário geral do SME, solicitaram à SCT um título de concessão para operar a rede de fibra ótica e oferecer serviços de voz, áudio e dados – chamado triple play – para entrar com força no negócio das telecomunicações.
Para respaldar sua solicitação, sustentou Esparza, os dois apresentaram um estudo elaborado pelo escritório De La Huerta e Weihouse, em que se demonstrava que o LFC contava com capacidade para operar a rede.
O documento, detalha Esparza, propõe um plano para oferecer o serviço Power Line Communications (PLC) que possibilita a transmissão de voz e dados através de qualquer linha elétrica doméstica ou de baixa tensão. Essa tecnologia se baseia em um modem conectado a qualquer tomada, que permite, por exemplo, o acesso à internet de alta velocidade.
O dirigente sindical afirma que a utilização deste sistema com a infraestrutura do LFC deixaria mais barato o custo desses serviços, com o LFC e o SME conseguindo competir com as redes Telmex ou Cablevisión.
No entanto, afirma Esparza, a iniciativa provocou a ira de alguns políticos, como Canales Clariond e Ernesto Martens, do ex-procurador do PAN (Partido Ação Nacional) Antonio Lozan Gracia e do ex-secretário de Governo, Armando Salinas Torre, que exigem que o governo cumpra com o convênio validado pela SCT em 2000.
Todos têm interesses no caso, sustentou Esparza. “Em abril passado o diretor de Luz e Força e eu nos reunimos com essas mesmas pessoas (citadas)”.
Governo
Por sua vez, o governo justifica sua intervenção argumentando que a LyFC apresenta "comprovada ineficiência operacional e financeira", tem um passivo trabalhista de 240 bilhões de pesos (18 bilhões de dólares) e seus custos "são quase o dobro de sua receita por vendas".
No decreto, o presidente afirma que desde sua criação a LyFC "não cessou de receber transferências orçamentárias numerosas, as quais longe de diminuir aumentaram nos últimos anos ". Essas transferências, disse Calderón, aumentaram em mais de 200% entre 2001 e 2008.
Também assegurou que "os resultados reportados pela Luz e Força do Centro são notavelmente inferiores em relação a empresas ou organismos que prestam o mesmo serviço em nível internacional".
Reações
Os sindicatos e os movimentos sociais estão organizando a resistência e o apoio aos companheiros do SME.
Centenas se reuniram hoje no Monumento à Revolução (foto abaixo).
O Secretario de Governo, Fernando Gómez Mont afirmou que a demissão de trabalhadores exigirá 160 milhões de pesos, mas o governo disporá de até 200 milhões. Gómez Mont acrescentou que “frente à crise econômica, governo e cidadãos devem fazer esforços extraordinários” porque “a prioridade do governo é o combate à pobreza, a luta contra a insegurança e atenção a saúde” e não pode gastar o equivalente de programas contra a pobreza em uma “empresa em queda livre”.
Fernando Amezcua, secretário de Exterior do SME, declarou que uma “batalha muito grande” aguarda a todos “mas posso lhes assegurar que não nos tirarão a empresa”.
Partido dos Trabalhadores confirma presença de Lula em conferência climática da ONU
Petista recebeu convite do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal e do presidente do Egito para participar de cúpula climática
O presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participará da conferência climática da Organização das Nações Unidas (COP27), que ocorrerá em Sharm el-Sheikh, no Egito, entre os dias 6 e 18 de novembro.
A informação foi confirmada nesta terça-feira (01/11) pela presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), deputada Gleisi Hoffmann, à imprensa brasileira. "Ele foi convidado pelo Consórcio [Interestadual da Amazônia Legal], recebeu um convite do governador Waldez [Góes, do Amapá, presidente do consórcio] para acompanhá-los neste evento. Ele irá, está vendo a melhor semana para ir", disse Gleisi.
Na última segunda-feira (31/11) o petista já havia recebido um convite do presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sissi, para participar da cúpula climática que contará com a presença de mais de 90 chefes de Estado.
Segundo comunicado do porta-voz presidencial do Egito, Al-Sissi espera que o Brasil desempenhe um papel "positivo e construtivo" na cúpula.
Twitter/COP 27
27º Conferência climática da Organização das Nações Unidas (COP27) ocorrerá em Sharm el-Sheikh, no Egito, entre 6 e 18 de novem
Em seu primeiro discurso, Lula garantiu que lutará pelo "desmatamento zero" na Amazônia e reforçou seu compromisso em prol do meio ambiente e dos povos indígenas.
A vitória do petista foi bem recebida por cientistas do clima e ambientalistas, além de chefes de Estado do mundo inteiro que lutam por um compromisso para combater as mudanças climáticas, principalmente após Bolsonaro ter apoiado atividades madeireiras e mineradoras durante seu governo.
Sob sua liderança, os incêndios florestais e a extração de madeira cresceram exponencialmente, provocando preocupação mundial, também tendo em vista a liberação de mais carbono do que absorve pela floresta amazônica.
Um dia após a derrota de Bolsonaro, Noruega e Alemanha anunciaram que retomarão o envio de subsídios de proteção da Amazônia ao Brasil.
(*) Com Ansa
