'Cidade das barracas' londrina centraliza protestos de indignados no Reino Unido

'Cidade das barracas' londrina centraliza protestos de indignados no Reino Unido

Roberto Almeida

Roberto Almeida/Opera Mundi


Entre chocolates quentes, sopas e chás para espantar o frio, o OccupyLSX, ou Ocupem a Bolsa de Londres, completa uma semana de protesto na capital londrina. No dia 15 de outubro, data da ocupação, eram 20 barracas. Agora, são cerca de 100, espalhadas diante da escadaria da catedral de São Paulo, logo em frente ao prédio da bolsa de valores londrina, a London Stock Exchange, no centro de Londres. É a chamada "Tent City", ou "cidade das barracas".

O movimento, convocado pela internet, começou naquele sábado com uma manifestação de cerca de três mil pessoas. Em seguida, inspirado pelo Occupy Wall Street, ganhou nome, fincou terreno e acabou se tornando um dos principais protestos anti-capitalismo e anti-ganância da Europa. O objetivo é permanecer na área indefinidamente.

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No principal documento elaborado pelo OccupyLSX, datado do dia 16 de outubro e aclamado nas escadarias da catedral por cerca de 500 pessoas, os manifestantes afirmam que o "sistema atual é insustentável" e que "se recusam a pagar pela crise dos bancos". As demandas, diretamente relacionadas com a crise europeia, são críticas ao mercado e ao funcionamento da economia global.

"Somos de todas as etnias, gêneros, gerações, sexualidades, deficiências e fés. Estamos juntos com todas as ocupações do mundo", ressalta a carta, em um de seus nove tópicos. "Não aceitamos que os cortes (de empregos e investimento público) sejam necessários ou inevitáveis. Demandamos um basta à injustiça global de impostos e que a nossa democracia pare de representar corporações em vez do povo."

Roberto Almeida/Opera Mundi


Sem data para terminar, ocupação em Londres fica localizada em frente à Catedral de São Paulo


Ocorrências policiais foram registradas apenas no dia da manifestação. O departamento legal do OccupyLSX diz ter contabilizado cinco prisões. Todos foram libertados, mas dois estão sendo processados. Desde então, a área em frente à catedral, ocupada por cerca de 250 pessoas, tem sido palco para debates, festas e demonstrações. Uma divertida placa, renomeando a praça como "Tahrir Square", em alusão ao palco da revolução egípcia, enfeita a "Tent City".

Já a Paternoster Square, onde fica a Bolsa de Valores de Londres, está fechada por barricadas. Seguranças particulares fazem a vigilância da área. No entanto, como o Opera Mundi constatou, o clima é pacífico e, entre os manifestantes, há um esforço em dissociar o protesto dos "riots" que aconteceram durante o verão, quando houve saques e confronto direto com a polícia.

Fôlego

O OccupyLSX recebeu o apoio do decano da catedral de São Paulo, reverendo Giles Fraser, que rechaçou a necessidade de policiamento ostensivo na região do templo. Fraser pediu aos manifestantes apenas que respeitem os horários das missas, em que é proibido usar megafones e aparelhos de som, e que a área das escadarias fosse desocupada para manter o fluxo de turistas.

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Ao mesmo tempo, voluntários recebem doações em dinheiro, que chegam a todo momento. O irlandês aposentado James Christopher St. George, de 64 anos, doou na quarta-feira à tarde 20 libras (cerca de R$ 55) ao movimento. "A Inglaterra se tornou uma economia de salários baixos e perdeu sua base manufatureira. Vendemos nossos bens a organizações privadas", afirmou St. George, justificando sua doação.  "Tudo o que compramos é feito na India ou na China", continuou o irlandês. "O governo e os banqueiros são corruptos. Nós precisamos de mudança."

Além das doações em dinheiro, os manifestantes ganhram alimentos e uma cozinha improvisada foi armada. A comida, preparada por voluntários, é distribuída de graça. "Tudo é fruto de doação. Desde a tenda da cozinha até a banana", contou Chris, de Suffolk, cozinheiro que não quis revelar seu sobrenome. Há ainda um gerador de energia a diesel funcionando entre as barracas, e também uma área para massagens para quem teve uma noite mal dormida na praça.

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O canadense David Ham, 25, estudante de música e morador de Londres há nove anos, é um dos responsáveis por recolher doações e repassar informações aos manifestantes sobre a programação de eventos. Há 17 grupos de trabalho em atividade na praça. "Somos essencialmente pacíficos. Apesar de a polícia ter levado embora nossos banheiros públicos", diz.

A reclamação é a mesma por parte do grupo de hackers Anonymous UK, que tem cinco barracas instaladas em frente à escadaria. "Veja, é um protesto pacífico. Tomamos chocolate quente e chá. Mas levaram nossos banheiros e fecharam os banheiros públicos aqui perto. E a multa é de 80 libras se urinarmos na rua", disse um dos membros, que não quis se identificar. "Mesmo assim, seremos os últimos a sair", avisou.



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