Gás lacrimogêneo fabricado no Brasil é usado para reprimir protestos no Bahrein
Pais dizem que bebê de seis dias morreu intoxicado pelo gás enquanto dormia
Imagens divulgadas nesta sexta-feira (16/12) nas redes sociais denunciam o uso de gás lacrimogêneo fabricado no Brasil durante a repressão aos protestos que seguem há dez meses contra o governo do Bahrein.
Zajil Delmon / Twitter

Nas imagens é possível ver um artefato metálico com a bandeira brasileira impressa junto dos dizeres “Made in Brazil”. O produto teria sido produzido no último mês de maio. Uma terceira foto mostra 20 cápsulas de gás lacrimogêneo que estariam sendo usadas no Bahrein sobre uma camisa da seleção brasileira.
Segundo relatos dos manifestantes bareinitas, as bombas de gás lacrimogêneo brasileiras já teriam, inclusive, feito uma vítima fatal. Uma menina de apenas seis dias teria morrido depois que uma bomba com o gás foi jogada próximo à casa de seus pais, que não participavam dos protestos.
Sajida Jawad sofreu intoxicação após inalar grandes quantidades de gás enquanto dormia. A menina chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu, segundo a agência estatal iraniana Irna.
"Quando as pessoas marcham para as ruas exigindo seus direitos legítimos por que casas deveriam ser atacadas?", questionou Faisal Jawad, pai da criança.
Zajil Delmon / Twitter

Imagem do artefato que estaria sendo utilizado no país
Outro lado
O governo brasileiro ainda não se manifestou sobre o assunto, mas a empresa responsável pela fabricação do artefato negou, por meio de sua assessoria de impressa, que exportasse seus produtos para o Bahrein. A Condor Tecnologias Não-Letais disse também por meio de nota que “fornece produtos para mais de 35 países, inclusive países árabes”. No entanto, “por obrigações contratuais de confidencialidade, a empresa não pode informar detalhes de seus fornecimentos”.
A Condor sugeriu ainda que o material pode estar sendo utilizado por algum país da região para o qual ela exporta seus produtos e que estaria operando no Bahrein a pedido do próprio governo local.
Por fim, a empresa ressaltou que seus produtos “são projetados especificamente para incapacitar temporariamente as pessoas, sem causar-lhes danos irreparáveis ou morte”. “A posição da Condor é que o material não pode ser empregado fora desse propósito”, concluiu. Confira no final desta reportagem a nota da empresa na íntegra.
Sadija Jawad tornou-se, no entanto, a 11ª vítima fatal entre os civis do país por conta do uso do artefato. Segundo cálculos dos próprios manifestantes, a cada cinco civis que morrem nos confrontos no Bahrein, pelo menos um é decorrência do uso do gás lacrimogêneo.
O governo do Bahrein já admitiu ter usado força excessiva em alguns casos. Além disso, o país alegou que os protestos foram incentivados pelo Irã e pediu a ajuda militar da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos para contê-los. Não havia, até então, nenhuma informação a respeito de uma participação brasileira nos conflitos.
Histórico dos protestos
Os protestos contra o governo do Bahrein começaram no último mês de fevereiro motivados pelos demais levantes de países árabes que aconteciam simultaneamente.
Depois de intensos confrontos entre as forças de segurança de país e os manifestantes, milhares de pessoas foram detidas e mortas. Os dados são de uma comissão independente criada por iniciativa do próprio rei do país, Hamad bin Issa al-Khalifa, para averiguar as denúncias de que as forças de segurança estariam usando força extrema.
No final de novembro, o rei anunciou reformas que, segundo ele, iriam contentar "todos os segmentos de nossa sociedade". Apesar disso, os conflitos entre as partes continuam.
Confira a íntegra da nota enviada pela Condor Tecnologias Não-Letais
A Condor fabrica há 26 anos exclusivamente materiais não-letais, projetados dentro do preceito preconizado pela ONU de uso propocional da força (VIII Congresso, realizado em Havana, 1990). As tecnologias não letais são alternativas às armas de fogo e têm como objetivo minimizar danos e preservar vidas.
A Condor fornece produtos para mais de 35 países, inclusive países árabes. Por obrigações contratuais de confidencialidade, a empresa não pode informar detalhes de seus fornecimentos. Entretanto, como é de conhecimento geral, tropas de pelo menos cinco países diferentes estão operando no Bahrein a pedido do governo desse país.
Todos as negociações da empresa são controladas pelo Ministério da Defesa e pelo Ministério das Relações Exteriores e seus órgãos correlatos.
Os produtos não letais são projetados especificamente para incapacitar temporariamente as pessoas, sem causar-lhes danos irreparáveis ou morte. A pesquisa e a produção desse tipo de material são incentivadas pela ONU (8º Congresso da ONU sobre Prevenção do Crime e Tratamento dos Delinqüentes, realizado em 1990) e é medida de salvaguarda dos Direitos Humanos. A posição da Condor é que o material não pode ser empregado fora desse propósito.
Os produtos fabricados pela Condor devem ser utilizados apenas e tão somente na forma indicada em seus manuais de instruções e fichas técnicas, e é imperativo que sejam operados apenas por pessoas treinadas e qualificadas.
Hoje na História: 1969 - série de humor 'Monty Python' estreia na TV britânica
Com estilo surrealista e escrachado, sexteto britânico tornou-se referência do humor mundial
Os Monty Python foram um grupo britânico de humoristas que conseguiu sintetizar, através de seu estilo, os usos e costumes da sociedade britânica dos anos 1960 e 1970, e se tornaram referência de humor até hoje em todo o mundo.
Alcançaram a fama graças à série de televisão Monty Python’s Flying Circus (O Circo Ambulante dos Monty Python), baseada em sketches curtos que, com frequência, incluía uma interessante carga de crítica social, apesar de se centrar em um humor absolutamente surrealista e fundado no absurdo. O primeiro capítulo foi transmitido no dia 5 de outubro de 1969 pela rede britânica BBC. A série prosseguiu no ar até 1974.
Apesar de o fenômeno dos Monty Python ter começado na televisão, converteu-se em algo muito maior e com grande impacto: filmes, álbuns, livros. A influência do grupo na comédia é comparado a dos Beatles na música.
O início
Michael Palin e Terry Jones se conheceram na Universidade de Oxford, onde atuavam no grupo de teatro “The Oxford Revue”. John Cleese e Graham Chapman se conheceram na Universidade de Cambridge. Eric Idle também estudava em Cambridge, tendo começado um ano depois. Cleese conheceu Terry Gilliam em Nova York, quando estava em turnê com seu grupo teatral. Chapman, Cleese e Idle eram membros do grupo Footlights.
Antes de começarem com o Monty Python's Flying Circus, os Pythons escreveram e atuaram em diversas obras e espetáculos.
O sucesso do programa Do Not Adjust Your Set fez com que a ITV oferecesse a Palin, Jones, Idle e Gilliam seu próprio programa juntos. Ao mesmo tempo em que a BBC, impressionada pelo trabalho de Cleese e Chapman em "The Frost Report" e em "At Last, The 1948 Show", lhes ofereceu um show exclusivo.
Como Cleese era contrário a um duo cômico por várias razões, inclusive a suposta personalidade difícil de Chapman, e tinha boas lembranças de seu trabalho com Palin, acabou convidando-o para se unir à equipe. Os outros três - Idle, Jones e Gillian – também foram chamados.
Os membros
Ao contrário do que muitos pensam, Eric Idle, o músico do grupo, não é o autor da canção da série de televisão, que é uma marcha popular chamada “O Sino da Liberdade”, bem como da maioria das canções dos filmes. Em “A Vida de Bryan”, ele canta a canção mais reconhecida dos Python, “Always Look on the Bright Side of Life”.
Idle é conhecido também pelo uso de perucas ridículas e por seus exasperantes papéis, como o “homem invisível”, o “homem das fotos”, o “homem que queria uma formiga” e outros. Interpretou o “valente” Sir Robin em “Monty Phyton - Em Busca do Cálice Sagrado”.
Michael Palin, o "Python agradável”, é, ao lado de Cleese e Idle, mais conhecido por seu trabalho como ator. Participou de uma das melhores cenas: Os Franceses da Ovelha Voadora ou a Consulta de Discussões. Desempenhou o papel de Bevis, o barbeiro meio psicópata que quería ser lenhador na piada “A Canção do Lenhador”.
Paola Orlovas
Pythons escreveram e atuaram em diversas obras e espetáculos.
John Cleese, cujo sobrenome originalmente era Cheese (queijo, em inglês), que o pai tratou de mudar, estudou direito na Universidade de Cambridge.
Teve fama como apresentador da BBC, quando aparecia sentado em frente a um escritório em lugares estranhos como uma rua, uma praia ou um caminhão e repetia o bordão “and now for something completely different” (“e agora algo totalmente diferente”), que se converteu no slogan dos Monty Python. Desde o fim dos Python se acostumou a trabalhar em comédias de éxito em Hollywood, como em "Um Peixe chamado Wanda" e nos filmes de James Bond como o inventor “Q”.
Único não britânico do grupo, Terry Gilliam, norte-americano, sempre apreciou mais a direção que a atuação, uma das razões pelas quais devido seus papéis sempre foram muito esporádicos e secundários. Ficou mais conhecido pelas animações em que utilizava-se de quadros e fotografias, usadas entre uma e outra piada encenada. Depois da dissolução do grupo, ganhou fama como diretor de filmes surrealistas e fantásticos, como “Brazil” e “Os 12 Macacos".
O galês Terry Jones é lembrado principalmente pelos papéis de mulher com a voz esganiçada. Interpretou a divertida mãe de Brian em “A Vida de Brian”, filme que ele mesmo dirigiu. Depois da dissolução do grupo dedicou-se à televisão como roteirista e apresentador.
Médico formado em Cambridge, Graham Chapman era conhecido por interpretar tipos autoritários, como o famoso coronel que interrompia os sketches. Foi o protagonista em “A Vida de Brian” e em “Monty Phyton em Busca do Cálice Sagrado”. Com o passar do tempo, o alcoolismo atrapalhou seu desempenho como ator. Revelou sua homossexualidade e seu vício em bebidas em um programa de entrevistas do músico de jazz George Melly. Chapman morreu em 4 de outubro de 1989 em decorrência de um câncer.
Como parte da elegia de seu funeral, Idle cantou um fragmento de "Always Look on the Bright Side of Life", canção composta por ele mesmo e que encerra "A Vida de Brian". A mensagem da canção era adequada ao otimismo, grande sentido de humor e generosidade do colega.
Também nesta data:
1880 - Morre o compositor Jacques Offenbach
1947 - É criado na Polônia o Cominform
1957 - URSS anuncia que pôs em órbita, na véspera, o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da Terra
1983 - Lech Walesa, fundador do Solidariedade, ganha o Nobel da paz
1986 - Operação Irã-Gate tenta derrubar governo sandinista da Nicarágua
(*) A série Hoje na História foi concebida e escrita pelo advogado e jornalista Max Altman, falecido em 2016.
