Irmandade Muçulmana acusa simpatizantes de Mubarak por tragédia no futebol egípcio

Violência causou a morte de 73 pessoas e deixou cerca de mil feridos

Thassio Borges

O Egito e o mundo ficaram chocados com a briga generalizada entre torcedores do Al Masry e Al Ahly, que resultou na morte de pelo menos 74 pessoas, além de deixar cerca de mil feridos. Diante da tragédia, o PLJ (Partido Liberdade e Justiça), que possui metade das cadeiras do Parlamento e é o braço político da Irmandade Muçulmana, culpou os partidários do ex-presidente do país Hosni Mubarak pela violência no estádio de Port Said.

“Os eventos de Port Said foram premeditados e têm a assinatura dos partidários do antigo regime”, declarou o deputado Essam al Erian em comunicado divulgado no site do PLJ.

A violência começou logo após o término do jogo, vencido por 3 a 1 pelo time da casa, o Al Masry. Torcedores do clube invadiram o campo e partiram para cima do time adversário, que se escondeu no vestiário. Logo depois, os invasores voltaram-se contra a torcida do Al Ahly e a violência intensificou-se.

De acordo com as autoridades locais, a grande maioria das vítimas teve fraturas no rosto e hemorragia interna. Além disso, dezenas de pessoas foram pisoteadas e outras asfixiadas durante a confusão.

Al Erian também criticou a atuação dos policiais presentes no estádio. O deputado afirmou que a Assembleia do Povo, cuja maioria pertence à Irmandade Muçulmana, deverá pedir ao ministro do Interior do país e aos responsáveis pela segurança do estádio que “assumam plenamente suas responsabilidades”.

As críticas partiram também do deputado liberal Amr Hamzawi, que pediu a demissão do ministro do Interior, assim como do governador e do chefe de segurança de Port Said.

Ainda nesta quinta-feira, um dos diretores do Al Masry, Mohamed Sein, afirmou à Agência Efe que poderia haver pistoleiros infiltrados no torcida do clube. “Não entendo como os torcedores do Al-Masry puderam fazer isso após a vitória. Acredito que havia pistoleiros infiltrados que os incitaram", afirmou Sein.

Segundo ele, o clube havia feito uma reunião com os torcedores para pedir que os visitantes do Al Ahly fossem bem recebidos no estádio. Segundo ele, os torcedores locais haviam aceitado a proposta.

O diretor do estádio, Mohamed Yunis, afirmou também à Efe que a polícia não agiu porque teve medo. “Os policiais limitaram-se a olhar porque temiam ser linchados”, disse Yunis.

A ação da polícia gerou revolta entre a população que convocou manifestações nesta quinta-feira para protestar contra as consequências da tragédia.

Os jogadores do Al Ahly, que refugiaram-se no vestiário do estádio, voltaram à capital Cairo em um avião militar. Logo depois, reuniram-se com o marechal Hussein Tantawi, líder do Conselho Supremo das Forças Armadas, que comanda o país desde a queda de Mubaraka. Tantawi lamentou a tragédia, mas tentou minimiza-la afirmando que o incidente poderia acontecer em qualquer outro país. O governo egípcio decretou luto de três dias por conta da tragédia.

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