Protestos contra aprovação do plano de austeridade deixam centenas de feridos na Grécia

Ao menos 130 pessoas foram presas e centenas ficaram feridas; Atenas foi palco de incêndios e confrontos

João Novaes (*)

A aprovação de um novo pacote de austeridade fiscal pelo Parlamento gerou uma fúria popular que se espalhou por todo o país. Ao menos 130 pessoas foram presas e centenas ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e a polícia. Durante todo o último domingo (12/02), na capital Atenas, pelo menos 80 mil pessoas ficaram reunidas em frente à sede do Parlamento, na praça Syntagma, para, em vão, mostrar sua insatisfação diante as medidas que serão aplicadas.

Efe

Manifestantes enfrentam bombas de gás lacrimongêneo nas ruas de Atenas

Na manhã desta segunda-feira (13/02), a cidade mostra as cicatrizes dos confrontos, que envolveram bombas de gás lacrimogêneo lançadas pelos policiais contra os populares que, por sua vez, jogavam pedras e coquetéis molotov. Outro importante local de manifestação foi a praça Omonoia.

Ao menos 45 edifícios em Atenas sofreram com incêndios, enquanto pelo centenas de lojas e cafés foram depredados. Seus proprietários se esforçavam para limpar os destroços e os vidros quebrados, no início de uma semana que deverá produzir uma nova dor de cabeça para as seguradoras.

A violência teria começado durante a tarde de domingo, quando o cantor Mikis Theodorakis, que convocou o protesto junto com os sindicatos do país, pediu à polícia que deixasse a população subir nas escadas do Parlamento. Segundo testemunhas, os presentes não provocaram a polícia. Um amigo do cantor denunciou a uma rádio local que o ocorrido foi uma "tentativa de assassinato" e que a polícia jogou o gás na direção do artista.

Símbolos

O cinema Attikon, construído em 1881 e célebre ponto turístico da cidade, queimou durante horas e foi duramente afetado pelo incêndio. Outro cinema também pegou fogo, o ASTY, que pagou o preço por no passado ter sido um centro de torturas da Gestapo durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial. Um lugar simbólico numa sociedade que se sente oprimida pelas pressões da Alemanha da chanceler Angela Merkel.

Efe

Fogo consome o cinema Attikon, vítima de coquetéis molotov; local abrigava uma série de materiais inflamáveis, como rolos de filme

Apesar da situação econômica crítica do país, a prefeitura de Atenas prometeu aos comerciantes ajuda para reconstruir o que foi danificado.

A manifestação de insatisfação popular não ficou restrita à capital. Em Tessalônica, segunda maior cidade do país, vinte mil pessoas saíram às ruas e também foram registrados distúrbios, assim como nas ilhas de Creta e Corfu.

Perguntado pela emissora "Vima" se os distúrbios podiam ter sido prevenidos, Athanasios Kokkalakis, porta-voz da polícia em Atenas, assegurou que os agentes de segurança fizeram tudo o que estava a seu alcance.

"Não podemos dizer que estamos satisfeitos pelo que aconteceu nas últimas horas, que produziu tantos desastres", disse, numa ambígua referência aos distúrbios e à aprovação do pacote, ao qual uma importante associação policial também se opôs. "A sociedade também não está satisfeita", finalizou.

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Manifestantes enfrentaram a polícia encapuzados

Indiferença

Alheio ao desespero popular, o tecnocrata Lucas Papademos, nomeado como primeiro-ministro de um governo provisório de coalizão, disse que “o vandalismo não poderia ser tolerado” e pediu calma à população. Segundo pesquisas, 79% dos gregos rejeitam as reformas.

(*) com agências internacionais

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