Hoje na História: 1917 - Cópia do Telegrama Zimmerman é públicada

Revelação do documento sigiloso colocou a opinião pública norte-americana contra a Alemanha

Max Altman

 

No dia 1º de março de 1917, o Telegrama Zimmermann, que continha uma mensagem do ministro do Exterior germânico ao seu embaixador no México que propunha uma aliança entre os dois países no caso de uma guerra entre os EUA e a Alemanha, é publicado nas primeiras páginas dos principais jornais norte-americanos.

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No telegrama, interceptado e decifrado em janeiro de 1917 pelos criptógrafos britânicos Nigel de Grey e William Montgomery, Zimmermann instruiu o embaixador Conde Johann von Bernstorff a oferecer significativa ajuda financeira ao México para que o país entrasse como aliado da Alemanha na hipótese de um conflito contra os EUA.

A Alemanha prometeu inclusive devolver ao México os territórios do Texas, Novo México e Arizona, perdidos na guerra entre México e EUA com o Tratado de Guadalupe-Hidalgo, em 1848.

Londres estava em um dilema: se publicasse o telegrama, os alemães suporiam que seu código tinha sido rompido; se não a publicassem, perderiam uma oportunidade de ouro para que os EUA se unissem à guerra e inclinassem a balança para o lado aliado.

Na época, os sentimentos anti-alemães estavam à flor da pele. O navio de passageiros britânico RMS Lusitania havia sido afundado pelos alemães, o que resultou em diversas mortes de norte-americanos.

Washington não podia tomar conhecimento do telegrama. A mensagem fora enviada de Berlim ao embaixador alemão em Washington para ser retransmitida ao embaixador no México por três rotas distintas. Os EUA tinham outorgado aos britânicos acesso às suas linhas privadas de diplomatas alemães. Os germânicos não estavam preocupados, dado que as mensagens iam cifradas e os norte-americanos não dispunham daquela tecnologia criptográfica.

O telegrama partira da embaixada americana em Berlim rumo a Copenhage, e, daí, via cabo submarino, aos EUA, passando pela Grã Bretanha, onde foi interceptado. Se os britânicos revelassem a origem do telegrama, ficariam com o constrangimento de admitir que também monitoravam as comunicações norte-americanas.

O governo britânico especulou que a embaixada alemã em Washington enviaria a mensagem para o México via sistema telegráfico comercial. Uma cópia da mensagem poderia, portanto, ser passada ao governo norte-americano, alegando ter sido obtida pela espionagem no México sem fazer referência à origem da descoberta. De fato,  contatou-se com um agente no México, conhecido como Senhor H, que obteve a cópia tornada pública.

O presidente dos EUA, Woodrow Wilson, tomou conhecimento do telegrama em 26 de fevereiro. No dia seguinte, propôs ao Congresso começar a armar os navios contra possíveis ataques germânicos. Autorizou também o Departamento de Estado a tornar público o Telegrama Zimmermann.

Em 1º de março, a notícia vem à tona. Os alemães despertaram a ira de Wilson e da opinião pública com sua política de irrestrita guerra submarina. Setores que ainda defendiam a neutralidade, alegaram, a princípio, que o telegrama era falso. A alegação caiu por terra dois dias depois, quando o próprio Zimmermann, confirmou sua autenticidade.

Wilson compareceu em 2 de abril diante do Congresso para apresentar uma mensagem de Guerra. Os EUA entraram formalmente na Primeira Guerra Mundial quatro dias mais tarde.

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