Cidade espanhola autoriza plantação de maconha para atenuar crise econômica

Na Catalunha, pequena vila de 900 habitantes vai alugar terrenos para o plantio da erva

João Novaes

A câmara municipal da pequena cidade de Rasquera, na Catalunha espanhola, aprovou nesta quarta-feira (29/03) uma medida polêmica para atenuar a crise e saldar a dívida do município, estimada em 1.336 milhão de euros (ou 2,9 milhões de reais): o aluguel de terrenos para o cultivo de maconha.

Para a administração da cidade agrícola, de aproximadamente 900 habitantes, essa iniciativa poderá gerar 50 postos de trabalho diretos ou indiretos, e evitar o êxodo da parcela mais jovem da população para outras regiões. As informações são do jornal espanhol El Mundo e da revista portuguesa O Público.

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Em Rasquera, grupo de associados poderá ter terreno disponível para consumo de maconha sem fins lucrativos

A iniciativa da lei foi da ABCDA (Associação Barcelonesa Canábica de Autoconsumo), um clube com fins lúdico-terapêuticos formado por 5.000 sócios, que negociou com a prefeitura local durante oito meses. O grupo se propôs a pagar 36 mil euros (82 mil reais) pela assinatura de um convênio com o município, bem como outros 550 mil euros (1,2 milhão de reais) anuais pelo arrendamento do terreno. Para a associação, a plantação poderá atrair um grande número de interessados a Rasquera. Nada garante, no entanto, que outra empresa não possa concorrer com a ABCDA para utilizar o terreno para os mesmos fins.

A ABCDA ficaria encarregada apenas do cultivo. O consumo, no entanto, só será permitido aos seus sócios, que teriam de ir à cidade. Na Espanha, o consumo de maconha é descriminalizado, mas a comercialização (ou o tráfico) é ilegal.

Para Bernat Pellisa, prefeito de Rasquera, do partido ERC (Esquerda Republicana da Catalunha) a iniciativa serve como “um grande medidor da hipocrisia da sociedade”. “Ao se legalizar o consumo racional da maconha, o narcotráfico deixa de lucrar. Os benefícios terapêuticos da substância poderão ser investigados, o que poderá ser revertido em benefícios até mesmo na segurança social”, afirma.

Pellisa afirmou que, na próxima semana, será realizada uma assembleia composta por  cientistas, médicos e advogados para explicar a medida à população. “O poder público não começará a plantar maconha, apenas vai regularizar algo que já existe”. Ele afirmou que, após uma série de estudos, uma empresa pública irá determinar a quantidade de marijuana que poderá ser consumida por pessoa.

O prefeito disse que o projeto recebeu o apoio de um grupo de aproximadamente cinquenta vítimas de câncer e fibromialgia, que querem utilizar a substância para fins medicinais.

O líder municipal também garante que o dinheiro que entrará nos cofres públicos servirá, principalmente, para reativar o serviço de reciclagem de lixo, que foi paralisado por falta de verbas.

Já o líder da oposição, Bernat Farnós, da CiU (Convergência e União) pediu um referendo popular para decidir a questão e declarou que esta é uma iniciativa “no limite das atividades ilícitas”. O departamento de Interior da Catalunha afirmou que deverá levar a questão à Justiça.
 

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