Reunião em Caracas convoca fundação da Quinta Internacional para abril de 2010

Reunião em Caracas convoca fundação da Quinta Internacional para abril de 2010

Lamia Oualalou

Apos três dias de debates, o Primeiro Encontro Internacional de Partidos de Esquerda, que reuniu 55 delegações de 39 países em Caracas, encerrou seus trabalhos ontem à noite (21), com a publicação de uma declaração final.
 
Apresentado como resultado de negociações com os partidos de esquerda, o texto foi redigido pelo Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), organizador do encontro. Os representantes tiveram acesso ao rascunho da declaração horas antes de sua publicação.
 
O secretário de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores (PT), Valter Pomar, encaminhou suas críticas ao projeto, pedindo que fosse alterado. Expressava discrepâncias do PT em relação à criação de novas instituições para organizar a esquerda e à prioridade militar no confronto com governos e partidos conservadores.
 
Nenhum desses pontos foi tomado em consideração na redação final do texto, denominado “Compromisso de Caracas” e auto-definido como um “guia revolucionário para os desafios futuros”. O documento prevê a criação de um “espaço de articulação de partidos e organizações de esquerda e progressistas, que permita coordenar políticas contra a agressão aos povos e aos governos legitimamente constituídos, a instalação de bases militares, a violação de soberania dos Estados e a xenofobia”. 
 
Para elaborar uma “agenda comum de trabalho”, o texto recomenda a formação de uma “Secretaria Executiva Temporária” (SET), que seria encarregada de definir ações conjuntas dos partidos de esquerda, convocar mobilizações e enviar observadores para distintos países.
 
Surpresa
 
Nos primeiros rascunhos, esta secretaria política não era temporária. A mudança ocorreu depois da proposta feita pelo presidente venezuelano, em discurso aos 150 delegados presentes, de criar uma “Quinta Internacional, para aglutinar o movimento progressista planetário”.
 
A iniciativa pegou de surpresa os participantes do encontro, já que não havia sido levantada nos dias anteriores à reunião. Dirigentes do PSUV confiaram ao Opera Mundi que, até a intervenção de Chávez, nada sabiam de seu projeto. Mas a proposta acabou endossada pelo partido venezuelano, que a introduziu na versão final do “Compromisso de Caracas” qualificando-a de “decisão especial”.
 
Segundo este último capítulo do texto, a Quinta Internacional deve ser “uma instância dos partidos e correntes socialistas e dos movimentos sociais do mundo para harmonizar uma estratégia comum para a luta antiimperialista, a superação do capitalismo pelo socialismo e a integração econômica solidária”.
 
A declaração propõe criar um “grupo de trabalho” constituído pelos partidos e correntes que aceitam a criação desta “instância mundial revolucionária”. Este grupo deverá preparar uma agenda para preparar o “primeiro evento constitutivo” da Quinta Internacional em abril de 2010 em Caracas.
 
Solidariedade com a revolução bolivariana
 
Ontem, a primeira vice-presidente do PSUV, Cilia Flores, informou numa coletiva que o “Compromisso de Caracas” tinha sido aceito por todos os delegados. Fontes de diversos partidos presentes, porém, divergem dessa informação. O Partido dos Trabalhadores já fez saber ao PSUV que se recusava a assinar o texto, tal como adiantou Valter Pomar ao Opera Mundi.

O primeiro partido que anunciou seu interesse pela iniciativa do presidente Chávez foi a Frente Farabundo Martí de Liberación Nacional (FMLN) de El Salvador. Segundo a Agência Bolivariana de Notícias, o vice-presidente do país, Salvador Sánchez disse em Caracas que seu partido estava disposto a se incorporar plenamente à “Quinta Internacional”.

Sánchez considera que existe una ameaça real do “império” sobre Venezuela, Honduras e vários povos do continente e que a união era necessária para enfrentar o ataque. “É por isso que compartilhamos da proposta do presidente Chávez de criar uma Quinta Internacional Socialista”, conclui.
 
Outros pontos da declaração destacam o repúdio ao golpe de Estado em Honduras e a denúncia da instalação de bases americanas em Colômbia. O texto prevê a organização de protestos mundiais entre os dias 12 e 17 de dezembro de 2009.
 
A declaração faz também um chamado para a organização da “solidariedade mundial dos povos com a revolução bolivariana e o presidente Hugo Chávez, frente aos permanentes ataques imperiais”.
 

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