Hoje na História: 1919 - Bela Kun funda uma república de sovietes na Hungria

Regime duraria pouco mais de quatro meses

Max Altman

 

Em 21 de março de 1919, o líder comunista Bela Kun instala em Budapeste, capital da Hungria, uma república de sovietes. Inspirado em Lenin, o jovem líder, contudo, iria construir um regime repressivo que duraria apenas três meses. Nascido em 1885, foi um bolchevique enviado por Lenin para formar o Partido Comunista Húngaro.

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Seu objetivo inicial era tomar o poder de Miklos Horthy, simpatizante do fascismo e anticomunista, almirante de um país sem mar e regente de um reino sem rei. Foi Horthy quem assinou o Tratado de Trianon ao lado dos vencedores da Primeira Guerra Mundial.

O governo da Nova República Húngara foi logo pressionado por Bela Kun. Quando o conde Michael Karolyi, presidente húngaro renunciou em 21 de março de 1919, em protesto contra as exigências aliadas para mais concessões territoriais, um governo de coalizão entre comunistas e social-democratas foi imediatamente organizado sob o comando de Kun. Logo depois, ele afastaria seus parceiros de coalizão para assumir, pessoal e discricionariamente, o poder.

A estatização das propriedades rurais em lugar de sua divisão e distribuição entre os camponeses fez com que Kun perdesse o apoio do campesinato. Por sua vez, a burguesia retirou o seu apoio devido às crescentes táticas de repressão a opositores. Diante desse quadro, surgem grupos contra-revolucionários que tentam derrocar Kun e os comunistas.

A ascensão do Partido Comunista em Budapeste foi gradual. Começou a ser organizado num hotel de Moscou em 4 de novembro de 1918, quando um grupo húngaro de prisioneiros de guerra e de simpatizantes comunistas formaram um comitê central e despacharam seus integrantes para a Hungria, onde deveriam recrutar novos membros, propagar as idéias do partido e radicalizar a oposição ao governo de Karolyi.

Em fevereiro de 1919, o partido já contava com cerca de 40 mil membros, inclusive muitos soldados desempregados e jovens intelectuais. No mesmo mês, Kun foi preso por incitamento à rebelião, mas sua popularidade disparou quando um jornalista relatou que ele havia sido brutalmente agredido pela polícia. Ele sairia da prisão e conquista o apoio dos social-democratas. Essa aliança formaria os “comissários do povo”, que proclamam a República Soviética Húngara em 21 de março de 1919.

Os comunistas no governo aprovaram uma constituição transitória garantindo diversos direitos, entre eles, o de liberdade de expressão e de reunião; de educação livre e de direitos culturais e de idioma às minorias.

Propiciou também o sufrágio a todos os cidadãos acima de 18 anos, definindo como únicas exceções o clero e antigos exploradores. Eleições com lista única viriam em abril, porém os membros do parlamento foram selecionados pelos comitês eleitos popularmente.

Após um fracassado golpe de Estado anticomunista em 24 de junho, Kun organizou uma resposta sangrenta. O número de pessoas executadas na ocasião é estimado entre 370 e 600.

A oposição centrou-se em torno do almirante Horthy, que formou um exército nacional para combater a república soviética. Todavia, sua tropa só marchou sobre Budapeste após a retirada das tropas romenas em novembro. O regime Horthy instituiu o “Terror Branco”.

A República Soviética de Kun havia decidido apostar tudo numa ofensiva contra a Romênia em meados de 1919. No entanto, ela seria derrotada e os soviéticos russos prometem unir-se ao líder húngaro. Porém, dificuldades militares enfrentadas pelo ainda precoce Exército Vermelho na Ucrânia fez com que uma invasão da Romênia nem mesmo começasse.

Os romenos invadiram a Hungria, tomaram Budapeste, esmagaram os comunistas e os obrigaram a entregar o poder ao partido Social-Democrata em 1º de agosto de 1919. O governo soviético húngaro durara apenas 133 dias.

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