Desemprego na Espanha atinge maior nível em 18 anos

Estatísticas divulgadas nesta sexta-feira revelam que 5,6 milhões de trabalhadores espanhóis já estão excluídos do mercado de trabalho

Fillipe Mauro

 

Pouco mais de quatro meses após assumir a missão de “incrementar a atividade econômica, recuperar a renda e expandir as bases da Previdência Social”, o Presidente de Governo da Espanha, Mariano Rajoy, admitiu que não conseguirá conter o déficit de 500 mil empregos que assola o país durante seu mandato.

Divulgado nesta sexta-feira (27/04) pelo Ministério da Economia da Espanha, o relatório do Programa de Estabilidade encabeçado por Rajoy descreve a persistência de um cenário de estagnação econômica até pelo menos o ano que vem. Nos próximos meses, o número de postos de trabalho sofrerá uma queda de cerca de 3,7%.

Também hoje, o INE (Instituto Nacional de Estatísticas da Espanha) revelou os dados sobre desemprego no primeiro trimestre de 2012 (ver gráfico abaixo). 5,6 milhões já estão excluídos do mercado de trabalho espanhol, o equivalente a 25,4% da população economicamente ativa do país.

 

Progressão trimestral do desemprego na Espanha

O governo de Rajoy prevê que, em 2013, o aumento no volume de desempregados já não será mais tão intenso. Contudo, é apenas em 2014 que o país terá uma pequena possibilidade de voltar a expandir sua economia.

Em apenas três anos, esta já é a segunda vez que a Espanha ingressa em um quadro recessivo. Até o fim de 2012, o Executivo aguarda um recrudescimento de 1,7% no PIB (produto interno bruto), o suficiente para suprimir outras 630 mil vagas de trabalho.

No período que vai de 2014 a 2015, especula-se a criação de cerca de 200 mil empregos, o que, se concretizado, ainda assim deixará um saldo negativo de 500 mil desempregados. Nesse mesmo intervalo, também há a esperança de que a Espanha volte a apresentar um discreto crescimento da atividade econômica, nada além do suficiente para elevar o PIB em 1,4%. Segundo os cálculos mais recentes do FMI (Fundo Monetário Internacional), a recuperação do quadro macroeconômico anterior à crise não se dará antes de 2017.

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