Hoje na História: 1950 - Dossiê anticomunista Canais Vermelhos coloca celebridades norte-americanas em lista negra

No grupo de repudiados estava Orson Welles, Lillian Hellman, Arthur Miller, Dorothy Parker e outras personalidades artísticas e culturais dos EUA

Max Altman

 

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No dia 22 de junho de 1950, é publicado pelos EUA o dossiê Canais Vermelhos, um relatório da influência comunista no rádio e na televisão que estendia os expurgos anticomunistas do início da Guerra Fria a proeminentes figuras no campo da música e do entretenimento.

Além de atores, diretores e roteiristas, também foram alvo da fúria macartista o consagrado maestro e compositor Leonard Bernstein, autor de West Side Story; Aaron Copland, autor das mais famosas composições clássicas norte-americanas; Lena Horne, a notável cantora e atriz negra, ativista dos direitos civis; Pete Seeger, famoso músico folclórico; e Artie Shaw, célebre clarinetista e band-leader. Todos foram citados publicamente como suspeitos de simpatizar com o comunismo e com a União Soviética.

A “Ameaça Vermelha” dos anos 1940 e 1950 nos EUA encerrou as carreiras de inúmeros profissionais da indústria cinematográfica e forçou outros tantos a repudiar suas crenças políticas para evitar que seus nomes constassem na lista negra. Outros ainda preferiram denunciar diante do Comitê de Atividades Anti-Americanas, presidido pelo senador Joseph McCarthy,  colegas como simpatizantes do Partido Comunista.

Canais Vermelhos era um caderno editado pelo jornal de direita Counterattack (Contrataque), que se auto-intitulava um “jornal de fatos e notícias para combater o comunismo”.

Em 1950, Joseph McCarthy já liderava o Comitê de Atividades Anti-Americanas há alguns anos e figuras como o extraordinário cantor Paul Robeson e os assim chamados Dez de Hollywood haviam sido colocadas na lista negra. No entanto, Canais Vermelhos tratava de seguir adiante, expondo o que ele chamava de “um amplo esforço comunista para conseguir o domínio do rádio e da televisão, e para, assim, controlar a Nação”.

Alguns acreditavam que o editor responsável pelo Canais Vermelhos e diversos ex-membros do FBI tinham acesso ilegal às pastas confidenciais do Comitê para preparar as reportagens que expuseram 151 nomes da indústria do entretenimento e das artes ao escrutínio público, exigindo que fossem incluídos na lista-negra.

Na lista estavam Orson Welles, Lillian Hellman, Arthur Miller, Dorothy Parker e outras personalidades artísticas e culturais como o legendário instrumentista Larry Adler, o cantor de folclore Burl Ives, o ex-folclorista da Biblioteca do Congresso, Alan Lomax, e o crítico musical do The New York Times, Olin Downes.

As evidências de vínculos comunistas apresentadas pelo Canais Vermelhos contra Lena Horne foram a sua presença na lista de apoiadores de um programa de ajuda aos famintos da África do Sul. Contra Aaron Copland, seu comparecimento em 1949 a um dos painéis da Conferência Científica e Cultural pela Paz Mundial; Contra Leonard Bernstein sua participação num comitê pela reeleição de Benjamin J. Davis – um intelectual negro socialista – como conselheiro da cidade de Nova York.

O Canais Vermelhos fez com que diferentes personalidades fossem incluídas na lista negra, mais notoriamente Pete Seeger, que teve de lutar publicamente para demonstrar sua lealdade aos EUA. Outros foram levados a repudiar, também publicamente, seu passado político, alimentando o Comitê de Atividades Anti-Americanas com nomes de outras proeminentes figuras supostamente ligadas a organizações comunistas.

Também nesse dia:

1987 - Morre Fred Astaire, bailarino, ator e cantor de Hollywood

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1937 - Joe Louis, o "Demolidor de Detroit" torna-se campeão mundial dos pesos-pesados ao derrotar Jum Braddock

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