Presidente do banco britânico Barclays deixa o cargo após escândalo com taxas

Marcus Agius teria manipulado a Libor e a Euribor, que definem o preço usado pelos bancos para empréstimos

Redação

O presidente do Barclays, Marcus Agius, anunciou nesta segunda-feira (02/07) a renúncia para tentar amenizar um escândalo sobre a manipulação das taxas interbancárias Libor e Euribor. Agiu disse que a reputação do banco sofreu um "golpe devastador".

O banco prevê fazer uma auditoria sobre estas práticas, com a divulgação de um informe público e a publicação de um novo código de conduta para seus funcionários. Agius, que preside o conselho de administração há quase seis anos, permanecerá no cargo até que seja encontrado um substituto, informou a instituição.

Na quarta-feira, o Barclays anunciou que pagaria 290 milhões de libras - aproximadamente 450 milhões de dólares - para por fim às investigações das autoridades britânicas e norte-americanas sobre tentativas de manipulação das taxas Libor e Euribor. Elas definem o preço ao qual os bancos emprestam dinheiro, mas também indiretamente os preços dos créditos para as famílias e as empresas.

O diretor-geral do Barclays, o norte-americano Bob Diamond, foi convocado por uma comissão parlamentar britânica para dar explicações e informar o que sabia destas práticas.

O líder da oposição trabalhista britânica, Ed Miliband, disse nesta segunda-feira que é necessária uma mudança de direção mais ampla, incluindo a saída de Diamond, que "era responsável pelo polo do Barclays onde ocorreram estes escândalos há vários anos".

O governo anunciou no sábado que o funcionamento do Libor será analisado por uma instância independente. Mas é muito provável que o escândalo se estenda a outros bancos, já que foram abertas investigações em vários continentes pela eventual manipulação das taxas.

O britânico Royal Bank of Scotland (RBS), alvo destas investigações, tirou quatro de seus traders no fim de 2011 por seu suposto envolvimento em manipulações. Este novo caso aumenta a impopularidade do setor bancário britânico, regularmente criticado pelos astronômicos prêmios que paga aos seus dirigentes e que já foi considerado culpado por vários descumprimentos.

* Com informações da Agência France Presse

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