Romney promete apoio a Israel em caso de ataque militar contra o Irã

Candidato republicano à Presidência dos EUA visita país do Oriente Médio e critica programa nuclear iraniano

João Novaes (*)

O candidato republicano à Presidência dos EUA, Mitt Romney, apoiará de forma unilateral eventuais ataques militares de Israel contra instalações nucleares do Irã. O ex-governador de Massachusetts, no entanto, não especificou se esse apoio será de ordem militar.

Agência Efe

O candidato republicano tenta obter a preferência dos votos da comunidade judaica nos EUA, majoritariamente democrata

A informação foi divulgada neste domingo (29/07) por um de seus assessores. “Caso Israel tenha que tomar uma atitude unilateral para desenvolver a capacidade iraniana de desenvolver essa capacidade, o (ex-)governador respeitará essa decisão”, afirmou Dan Senor, responsável por assuntos de segurança do candidato, aos repórteres que acompanhavam sua comitiva.

O republicano ainda fez um discurso à imprensa criticando o programa nuclear iraniano. “Como vocês, nós estamos muito preocupados com o desenvolvimento das capacidades nucleares do Irã, e consideramos inaceitável que esse país se torne uma nação dotada de arma nuclear", afirmou, em coletiva ao lado do premiê.

Romney está em Israel desde a noite de sábado para uma rápida visita ao país. Estão previstas na agenda encontros com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente Shimon Peres e o premiê Salam Fayyad. O republicano cancelou, de última hora, uma reunião com Shelly Yacimovitch, líder do Partido Trabalhista e um dos líderes de oposição ao governo Netanyahu.

Romney disse ter conversado Netanyahu sobre "medidas adicionais" que podem ser tomadas para convencer o Irã a por fim à "sua loucura nuclear". Netanyahu disse que todas as sanções econômicas e políticas contra o regime de Teerã para que ele interrompa seu programa nuclear não estão surtindo efeito. EUA e Israel acusam o país persa de que o objetivo do programa tem fins militares. A República Islâmica nega veementemente, afirmando seu programa é pacífico, com fins civis e medicinais.
 


Com a visita a Israel, Romney chega à última parte de seu “tour” internacional, que faz parte de sua estratégia eleitoral para vencer a eleição presidencial norte-americana, a ser disputada em 6 de novembro. Ele já esteve no Reino Unido, outro aliado estratégico de Washington, onde cometeu uma gafe ao questionar o sucesso dos Jogos Olímpicos, e na segunda-feira (30) parte para a Polônia.

O objetivo de sua visita é reforçar sua imagem como aliado de Israel e sua amizade pessoal com Netanyahu, e capitalizar votos do eleitorado judeu nos Estados Unidos.  Romney e Netanyahu estudaram juntos no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) de Boston e se conhecem há mais de três décadas. Um dos principais apoios econômicos ao candidato republicano, o magnata Sheldon Adelson, tem em Israel um jornal gratuito, "Israel Hayom", que defende as políticas do governo israelense de forma quase sistemática. O jornal israelense Haaretz afirma que o cancelamento da visita a Yacimovitch foi feita a pedido do premiê para enfraquecer o adversário.

Agência Efe

Netanyahu e Romney, amigos desde os tempos da universidade, se encontram em Jerusalém

Romney antecipou que, se for eleito, seu primeiro destino internacional seria o Estado judeu e reprova o presidente democrata Barack Obama por não ter visitado o país durante seu mandato, o que levou a equipe do presidente a esclarecer que ela será realizada se o democrata for reeleito. O círculo de Obama se apressou, além disso, a ressaltar que George W. Bush não viajou a Israel até o final de seu segundo mandato e o também conservador Ronald Reagan nem sequer o fez.

O ex-governador ainda espera a conferência nacional do Partido Republicano para ser oficializado como candidato. No entanto, ele é o único concorrente restante e já reuniu o número de delegados necessários para sua nomeação. Seu adversário do Partido Democrata será o atual presidente Barack Obama, que também ainda não foi nomeado oficialmente.
 

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