Movimentos sul-americanos organizam envio de nova "flotilha da liberdade" à Gaza

Embarcações partiriam da América Latina para enviar material humano à região e furar bloqueio israelense

Marina Mattar


Organizações de diversos países latino-americanos lançaram neste sábado (01/12) uma campanha para enviar frotas marítimas a Faixa de Gaza em uma tentativa de furar o bloqueio israelense à região. A iniciativa, chamada de Flotilha da Liberdade da América Latina, foi anunciada no evento final do Fórum Social Mundial Palestina Livre e arrancou os aplausos da plateia.

Opera Mundi conversou com alguns dos ativistas envolvidos no mais novo movimento de solidariedade ao povo palestino que passou a integrar uma extensa rede de organizações internacionais. É a primeira vez que ativistas latino-americanos organizam uma flotilha ao território palestino; até então, sua participação ficou restrita ao apoio e à presença de algumas pessoas nas embarcações.

Carlos Latuff/Rio de Janeiro


A ideia veio do comitê chileno de solidariedade com a Palestina, mas logo recebeu o apoio de grupos da Argentina, Colômbia, Nicarágua, Uruguai e Brasil que estavam presentes no Fórum Social Mundial Palestina Livre em Porto Alegre. “O congresso nos possibilitou integrar os movimentos latino-americanos de uma maneira muito bonita. Ele nos ajudou a começarmos a nossa organização rumo a Gaza”, conta Arturo Arroyave, da Unidade Colômbia-Palestina.

Emocionado, o representante da Comissão de Apoio ao Povo Palestino do Uruguai explica que as populações rurais, indígenas e de origens africanas da América Latina passaram e ainda têm de enfrentar dificuldades semelhantes às dos palestinos. “Faltam terras, água e comida. Também conhecemos a colonização e a descriminalização”, diz Ruben Elías. “Irmãos palestinos, seu sofrimento é o meu sofrimento. Irmãos palestinos, nós estamos aqui”.

“Não é possível que, em pleno século XXI, exista um território em que a população é aterrorizada pelas forças militares e não consegue atender as suas mínimas necessidades por ser cercada”, diz Nicola Adua, do comitê chileno. “As pessoas estão sendo obrigadas a entregar sua dignidade e a aceitar a situação colonial pela força militar”.
 


O próximo ano será de muito trabalho para a campanha latino-americana. Além de divulgar a proposta e conquistar outros integrantes, o grupo tem de angariar recursos para estabelecer a frota e decidir questões logísticas importantes, como de onde a flotilha sairá. Assim como outras iniciativas de furar o bloqueio a Gaza, o financiamento da frota latino-americana será feito por meio de doações individuais, movimentos sociais, sindicatos e ONGs.

A espanhola Laura Arau, que já participou de três flotilhas internacionais e fundou a organização “Rumo a Gaza”, esteve junto com os movimentos para compartilhar sua experiência. Além de dicas sobre possíveis campanhas de divulgação e conscientização da população sobre o tema, a ativista apontou que este é o momento da América Latina.

Flotilhas da Liberdade

Por diversas vezes, embarcações marítimas de ativistas internacionais carregando ajuda humanitária para os palestinos tentaram furar o bloqueio israelense a Faixa de Gaza. A única vez em mais de quatro décadas que barcos conseguiram entrar nas águas do território palestino foi em agosto de 2008.

Em outubro deste ano, a frota da campanha “Estelle” foi barrada quando chegava ao território palestino pela marinha de Israel. No dia 30 de maio de 2010, militares das Forças Armadas de Israel invadiram a flotilha turca “Liberdade à Gaza” ou “Marmara” que se aproximava da costa com dezenas de ativistas, matando nove ativistas turcos e deixando centenas de feridos.

Repercussão do massacre da flotilha turca

Na época, Israel proibia uma série de produtos alimentícios, como marmelada, chocolate, madeira para móveis, sucos de frutas e produtos têxteis. Por conta de pressão internacional decorrente do episódio, Israel flexibilizou o bloqueio ao território ocupado palestino. Segundo entidades internacionais, agora é permitido, de forma geral, a entrada de alimentos e alguns medicamentos.

As primeiras sanções foram impostas por Israel em 2001 quando palestinos tomaram às ruas contra a ocupação israelense e intensificadas em 2007 após as eleições legislativas que levaram o Hamas democraticamente ao poder.
 

Comentários

Leia Também