Coreia do Norte ameaça anular cessar-fogo se sofrer novas sanções

Para regime comunista, sanções internacionais e atividades militares entre EUA e Coreia do Sul ameaçam paz na península

Redação

A Coreia do Norte ameaçou nesta terça-feira (05/03) anular o acordo de cessar-fogo que encerrou a Guerra da Coreia (1950-53). O governo norte-coreano justificou a sua intenção com a tentativa dos Estados Unidos de impor novas sanções ao regime, por seu recente teste nuclear e a continuação de atividades militares com a Coreia do Sul.

"Quando os exercícios bélicos atingirem sua fase principal depois de 11 de março, o acordo de armistício da guerra coreana chegará ao seu fim", assegurou o comunicado publicado hoje pela agência de notícias estatal norte-coreana, KCNA, atribuindo as declarações ao Comando Supremo do Exército Popular de Coreia. Tecnicamente, a Guerra da Coreia nunca terminou, uma vez que foi assinada uma trégua, não um acordo de paz.

Reprodução/Flickr: Comando das Forças Armadas dos EUA

Exercício militar da operação Foal Eagle em 2012


As manobras militares conjuntas de Coreia do Sul e Estados Unidos, chamadas de “Foal Eagle”, foram iniciadas na região em 1º de março e irão até 30 de abril, com 10 mil tropas dos EUA e 200 mil da Coreia do Sul. A próxima ação militar, chamada de “Key Resolve”, envolverá 10 mil tropas sul-coreanas e 3.500 norte-americanas e treinará prontidão de defesa.
 

Apesar de Seul creditar as operações como anuais e defensivas, Pyongyang as denuncia como “uma ação irresponsável e perigosa” que desestabilizará ainda mais a situação. Em nota da KCNA, um trabalhador dos correios, Pak Um Gyong, diz que “os inimigos nunca conseguem esconder a verdade de um ato criminal imperdoável de trazer o perigo de uma guerra nuclear”.

O Exército norte-coreano ameaçou também cortar ligações telefônicas diretas com a Coreia do Sul na aldeia de Panmunjom, situada na fronteira entre os dois países e utilizada para manter encontros entre as duas partes.  Um porta-voz das Armadas disse que Washington e outros estavam ultrapassando o nível de sanções econômicas e estavam partindo para agressões e atos militares.

Em 12 de fevereiro, o regime norte-coreano realizou seu terceiro teste nuclear subterrâneo, após os de 2006 e 2009, o que causou reprovação da comunidade internacional e provavelmente levará à aplicação de novas sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU, que se reúne nesta terça-feira.

O teste de fevereiro foi o primeiro desde que Kim Jong-Un herdou o cargo de seu falecido pai, Kim Jon-Il, em dezembro de 2011. Pyongyang disse que a detonação foi mais forte que as duas anteriores e usava um equipamento menor e mais leve, o que pode sugerir avanços no programa armamentista.

Agência Efe (26/02)

Foto da KCNA sem local ou data específicos que mostra o líder Kim Jong-Un em visita a manobra com fogo de artilharia


A Coreia do Norte é fortemente criticada pela comunidade internacional por perseguir um programa nuclear com supostos fins militares, que ameaçaria a paz e a segurança internacionais. Já uma nota da KCNA afirma que “entre os países membros da ONU, os EUA foram o lançador de mais satélites, incluindo os militares e mísseis balísticos intercontinentais. Segundo a teoria do império, a ameaça principal à paz e segurança do mundo é ele mesmo, que deve ser acusado antes de qualquer outro”.

EUA e China

O anúncio ocorreu em um momento em que os Estados Unidos e a China, tradicional aliada de Pyongyang na Guerra da Coreia, teriam chegado a um acordo sobre uma nova série de sanções contra a Coreia do Norte, segundo a imprensa local. A resolução, que irá impor algumas sanções vigentes e incorporará outras novas, será apresentada na reunião do Conselho de Segurança da ONU desta terça-feira.

A China já votou a favor de três séries de sanções à Coreia do Norte por seus anteriores testes nucleares e lançamentos de mísseis balísticos, ambos proibidos pelo Conselho de Segurança. Porém, o porta-voz do Ministérios de Relações Exteriores chinês, Hua Chunying, não deu detalhes sobre o acordo atual: “já dissemos aqui muitas vezes que a China apoia o Conselho de Segurança em reagir moderadamente e explicitamente não concorda com testes nucleares da Coreia do Norte”.

As sanções existentes incluem a proibição de todos os testes de mísseis balísticos e nucleares e também a importação e a exportação de materiais nucleares e próprios para mísseis balísticos.

O Conselho também impôs um embargo sobre todas as importações e exportações de armas - à exceção das de pequeno porte -, assim como sanções financeiras e de viagens para uma série de pessoas e empresas da Coreia do Norte. Além disso, pede que as nações inspecionem produtos entrando e saindo do país, em busca de contrabando. Importação de itens de luxo, supostamente realizados por líderes do regime comunista, também são proibidos.

Segundo as fontes diplomáticas ouvidas pelo jornal The Washington Post, Pequim não estaria de acordo com um embargo de petróleo por temer que o colapso da economia da Coreia do Norte origine uma onda de refugiados à China.

* Com informações de Efe, Cnn, The Guardian, The Washington Post, KCNA e Xinhua

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