Santos nega ação para desestabilizar Venezuela e fala em "mal-entendido"

Presidente colombiano disse que "não tem cabimento" considerar que seu governo esteja envolvido em algum plano

Luciana Taddeo

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, descartou nesta sexta-feira (31/05) que seu governo  tenha conhecimento sobre conspirações contra a Venezuela ou planeje qualquer ação no país vizinho. A declaração, feita em um discurso televisionado, acontece em meio a uma crise diplomática com a Venezuela, após o chefe de Estado ter se reunido com o líder opositor do país vizinho, Henrique Capriles, há dois dias, em Bogotá.

Para Santos, "não tem cabimento" considerar que seu governo “saiba, ou pior ainda, esteja apoiando algum tipo de ação para desestabilizar a Venezuela”. “Somos os mais prejudicados com qualquer problema que a Venezuela tenha, o que queremos é que a Venezuela vá bem e por isso tem que ser um mal-entendido e por isso vamos resolver qualquer diferença de forma prudente, pelas vias diplomáticas”, garantiu Santos.

O mandatário pediu, no entanto, que o diálogo entre as nações seja realizado entre chancelarias e não através de “microfones”, como seu governo já expressado em comunicado nesta quarta-feira. O vice-presidente colombiano, Angelino Garzón, por sua vez, afirmou à emissora CNN que o governo colombiano rechaçaria qualquer complô contra Maduro.

“A política do Estado colombiano é fortalecer integralmente a relação da Venezuela com a Colômbia, de reconhecer as autoridades legitimamente eleitas”, disse, recordando que Santos e sua chancelaria reconheceram a eleição de Maduro, no pleito presidencial de 14 de abril, cujos resultados são rejeitados por Capriles.

FARC

Frente à possibilidade de que a Venezuela decida interromper sua condição de acompanhante dos diálogos de paz entre o governo colombiano e a guerrilha, como considerado pelo chanceler Elías Jaua e pelo próprio Nicolás Maduro, o chefe colombiano para a negociação com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Humberto de la Calle, manifestou preocupação, já que considera o papel do país “tem sido muito importante na condução dos diálogos”.

“Não queremos que isso se interrompa”, afirmou De la Calle sobre o processo iniciado em Oslo, na Noruega, e atualmente levado a Cabo em Cuba. Na última quarta-feira, Jaua afirmou que o representante venezuelano para o acompanhamento dos diálogos para a paz na Colômbia, Roy Chaderton, foi chamado ao país para avaliação.

Maduro, por sua vez, considerou que frente aos esforços venezuelanos para contribuir para o fim do conflito armado no país vizinho, a atitude de Santos ao receber Henrique Capriles é uma “punhalada pelas costas”. Para o presidente venezuelano, o encontro viola o acordo de Santa Marta, de 2010, no qual os países estabeleceram regras para a relação. “Uma regra básica do jogo para a convivência é o respeito”, disse.

Sem contato

Nesta quinta, o chanceler venezuelano afirmou a jornalistas que não houve contato por parte do governo da Colômbia para esclarecer a situação e resolver a tensão entre os países, e garantiu que a Venezuela se reserva ao direito de tomar as medidas necessárias para preservar a paz em seu país.

Em declaração realizada no dia da reunião do líder opositor com o mandatário colombiano, o ministro relembrou que Capriles chamou a um panelaço contra a proclamação de Maduro como presidente, pelo poder eleitoral do país. Na data, uma onda de violência foi registrada no país, gerando 11 mortes de venezuelanos vinculados ao chavismo.

Comentários

Leia Também