Primeiro-ministro italiano pede desculpa aos que deixam o país para procurar emprego

Em carta publicada na imprensa da Itália deste domingo, Enrico Letta fala em "culpa dos políticos" pelo desemprego

Redação

O primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, pediu desculpa à população da Itália. Específico, direcionou sua atenção aos trabalhadores que são forçados a procurar outro país para conseguir emprego. Letta falou em nome dos políticos que, “durante anos, fizeram de conta que não percebiam e que, por palavras, ações e omissões, consentiram esta dissipação de paixão, de sacrifícios, de competências". "Quero pedir desculpas", disse o primeiro-ministro.

As palavras de Enrico Letta foram divulgadas em uma carta - publicada neste domingo (02/06) no diário La Stampa. Segundo informação do Sindicato dos Trabalhadores italianos, cerca de 674 mil pessoas perderam o emprego nos últimos cinco anos. Além disso, outras 123 mil vagas devem ser cortadas ainda em 2013 sob os efeitos das medidas de austeridade no continente europeu.

Letta também assume a responsabilidade da situação em nome dos políticos: “ Estamos todos envolvidos. Quando uma geração inteira é roubada da esperança e da confiança – não de repente, mas pior ainda: lentamente dia após dia – não pode haver ,justificativas: ninguém pode se dissociar pessoalmente ou politicamente. Nunca acreditei em salvadores da pátria. Acredito na comunidade. Só unidos poderemos reencontrar o sentimento alto e nobre do serviço ao país”, afirma na carta.

Agência Efe

Primeiro-ministro Enrico Letta quer plano de recuperação de empregos na Itália

As palavras de Letta são uma resposta a um artigo publicado neste sábado (01/06) sobre um relato dramatico de um trabalhador italiano que precisou deixar o país - se mudou para Cingapura - graças à crise. 

Os jovens são a principal preocupação, destacou o primeiro-ministro. Segundo informações do portal Público, estima-se que pelo menos dois milhões de italianos com menos de 40 anos seguiram o rumo da emigração nos últimos anos, em função de não conseguirem encontrar trabalho, ou apenas empregos temporários e mal pagos no país. 

“A dívida mais pesada que contraímos é em relação aos jovens. É um erro imperdoável”, afirmou. “No último mês fizemos todos os esforços para que na agenda europeia para lutar contra o desemprego juvenil. Conseguimos.”

Hoje se comemora no país a festa da República italiana.

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