Cameron ameaça agir contra jornais que publicaram documentos de Snowden

Primeiro-ministro britânico acusou ex-analista da CIA e veículos de cooperar com inimigos do Reino Unido

Redação

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou nesta segunda-feira (28/10) que seu governo deve agir para impedir jornais de publicar o que ele chamou de vazamentos prejudiciais do ex-analista da CIA Edward Snowden, a menos que eles comecem a agir responsavelmente.

“Se eles [jornais] não demonstrarem alguma responsabilidade social, vai ser muito difícil para o governo recuar e não agir”, Cameron disse ao Parlamento, segundo a agência de notícias Reuters. De acordo com ele, o jornal The Guardian “foi adiante” na publicação de informações nocivas após, inicialmente, ter concordado em destruir outros dados sensíveis.

Agência Efe

O primeiro-ministro David Cameron quer apelar para "responsabilidade social" dos jornais britânicos 

Na sexta (25), Cameron acusou Snowden e jornais britânicos, que ele não nomeou, de cooperar inimigos do Reino Unido ao ajudá-los a evitar a espionagem de seus serviços de inteligência, dizendo que seria mais difícil manter o país seguro agora. 

O jornalista Glenn Greenwald, responsável por publicar grande parte dos vazamentos de Snowden e que recentemente deixou o Guardian, escreveu no Twitter que “na Grã-Bretanha repressiva, são as autoridades políticas que decidem o que pode ou não ser publicado”. “Aliás, o alcance e a autoridade de Cameron são muito limitados, então boa sorte em tentar parar o jornalismo”, acrescentou, em outra mensagem.

 


Revelações sobre programas de espionagem do serviço secreto britânico incomodaram o governo do Reino Unido e irritaram muitos legisladores do partido de Cameron, o Partido Conservador, que acredita que os vazamentos prejudicaram a segurança nacional.

No Parlamento, Cameron deixou claro que sua paciência estava acabando, mas também afirmou aos legisladores que sua preferência não é usar uma “mão pesada” contra os jornais que publicaram as informações e que esperava uma mudança de comportamento por parte deles, em vez disso.

“Eu não quero ter que usar injunções ou banimento de publicações ou as outras medidas mais duras. Acho que é muito melhor apelar para o senso de responsabilidade social dos jornais”, afirmou o primeiro-ministro.

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