Merkel fecha acordo com centro-esquerda para formar governo de coalizão na Alemanha

CDU aceitou condições impostas pelo SPD em questões como salário mínimo, aposentadoria e imigração

Redação


O bloco conservador alemão liderado pela chanceler Angela Merkel alcançou, na madrugada desta quarta-feira (27/11), um acordo com o SPD (Partido Social-Democrata da Alemanha), de centro-esquerda, para formar uma coalizão de governo para os próximos quatro anos, antecipou a imprensa local após uma longa noite de negociações.

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Após mais de um mês de reuniões, a CDU (União Democrata-Cristã) juntamente com seu partido equivalente na Baviera, a CSU (União Social-Cristã) se acertaram com a legenda liderada por Sigmar Gabriel e Andrea Nahles. O último passo para oficializar a coalizão será uma consulta à militância do SPD, já que o partido se comprometeu a submeter um eventual acordo a seus mais de 470 mil filiados.

Caso isso ocorra, Merkel deve ser eleita em 17 de dezembro pelos deputados do Bundestag para comandar um governo de "ampla coalizão" em um terceiro mandato de quatro anos. Em setembro, o governo de coalizão do CDU terá o voto de 504 dos 631 deputados da Câmara. Na oposição ficam o Die Linke, de esquerda, com 64 membros, e os Verdes, com 63.

Agência Efe

A secretária-geral do SPD, Andrea Nahles, durante conferência de imprensa em meio a negociações com a CDU

O acordo de governo consta de mais de 170 páginas e tenta responder às principais reivindicações dos três partidos, por isso serão assumidos compromissos no valor de bilhões de euros.

Está previsto que, em algumas horas, os líderes dos três partidos apresentem os detalhes do acordo, que, apesar das apostas que já são ventiladas pela imprensa local, adia a repartição formal dos ministérios até o resultado da consulta social-democrata.

Concessões

Merkel aceitou algumas concessões que podem ajudar a superar as dúvidas dos militantes do SPD, que hesitam ante a ideia de uma aliança com a direita.
 


Como, por exemplo, a criação de um salário mínimo de 8,50 euros a hora a partir de 2015, mas que só será aplicado a todos os setores a partir de 2017. Até então, o país deixava as questões salariais nas mãos dos interlocutores sociais. Muitos detalhes ainda deverão ser explicados. O SPD exigiu a aceitação da medida como um requisito para qualquer acordo de coalizão.

Segundo o instituto econômico DIW, 5,6 milhões de pessoas, 17% da força de trabalho alemã, recebem atualmente menos de 8,50 euros por hora.

Além disso, os social-democratas conseguiram um plano que aumenta incentivos para os que recebem salários baixos e mães da família, além da possibilidade de aposentadoria aos 63 anos (contra 67) para os trabalhadores com 45 anos de contribuição. Na área social, estará prevista também a possibilidade de conceder dupla cidadania aos filhos de estrangeiros nascidos na Alemanha.

Agência Efe

Militantes do SPD, em frente à sede do partido, exigindo o direito de serem ouvidos 

No entanto, Merkel exigiu como contrapartida que, para financiar essas iniciativas, não houvesse aumento de impostos no país.

A CSU da Baviera conseguiu também a aprovação, para o próximo ano, de um pedágio para os veículos estrangeiros nas estradas alemãs, respeitando a legislação europeia e que não represente custos adicionais para os motoristas alemães.

Será a segunda vez que Merkel vai liderar uma grande coalizão de governo, como aconteceu em sua primeira legislatura (2005-2009). Na última legislatura, Merkel optou por governar com os liberais do FDP, formação que nas eleições de 22 de setembro ficou fora do Bundestag por não superar os 5% de votos necessários para entrar na Câmara.

(*) com agências de notícias internacionais
 

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