Hoje na História: Assassinos de Orlando Letelier são condenados a prisão perpétua

Hoje na História: Assassinos de Orlando Letelier são condenados a prisão perpétua

Max Altman

Em 23 de março de 1979, acusados do assassinato do ex-embaixador do Chile nos Estados Unidos, os dissidentes cubanos Guillermo Novo e Alvin Ross Díaz foram sentenciados à prisão perpétua.

O assassinato ocorreu em 21 de setembro de 1976, quando o carro do diplomata Orlando Letelier e seus amigos Michael e Ronni Moffitt explodiu numa rua de Washington. O alvo do atentado era Letelier, ex-embaixador de Salvador Allende, devido ao seu intenso trabalho político contra o ditador chileno Augusto Pinochet. O assassinato patrocinado pelos agentes da polícia secreta chilena, a DINA, foi um dos muitos ocorridos na Operação Condor.

Letelier tinha vivido em Washington, durante os anos 1960 e apoiou a campanha de Allende para a presidência. Allende acreditava que a experiência de Letelier e suas conexões com os banqueiros internacionais poderiam facilitar as relações entre Chile e EUA. Durante o governo de Allende, Letelier serviu sucessivamente como ministro das Relações Exteriores, em seguida ministro do Interior e finalmente ministro da Defesa. No entanto, após o golpe de Estado de Pinochet, respaldado pela CIA, em 1973, foi detido em distintos campos de concentração, sofrendo severas torturas: primeiro no regimento Tacna, em seguida na Academia Militar. Mais tarde foi enviado a uma prisão política na ilha de Dawson, próximo ao estreito de Magalhães, Terra do Fogo. onde permaneceu por 8 meses. Foi então transferido para uma base aérea e finalmente ao campo de concentração de Ritoque até que a pressão internacional o arrancasse do Chile. Passou a viver nos EUA onde despendeu tempo e energia para pressionar contra a emergente ditadura militar. Devido a essas atividades, Pinochet assinou em 10 de setembro de 1976 um decreto revogando a cidadania chilena de Letelier.

De acordo com a acusação, um homem chamado Michael Townley foi contatado por figures chaves do regime de Pinochet para assassinar Letelier. Townley serviu-se dos exilado cubanos contra-revolucionários de Miami, entre eles Novo e Ross Díaz, para ajudar a levar a cabo o plano de homicídio. Toda a conspiração veio à tona quando Townley foi capturado, prestou depoimento e virou testemunha de acusação. Pela sua cooperação, foi entregue a Townley uma nova identidade e sentenciado a apenas 40 meses de prisão. Jamais manifestou qualquer remorso e há indícios de que tenha voltado ao Chile após a sua libertação.

Pinochet concedeu-lhe anistia pelos seus crimes nos momentos finais de seu poder no país andino.

A sentença de Novo e Ross Díaz foi bastante reduzida na apelação à instância superior e mais tarde ambos foram absolvidos. Fartas evidências vieram à luz posteriormente indicando que a CIA estava previamente a par do iminente assassinato e nada fez para impedi-lo, provavelmente devido às estreitas relações dos EUA com a ditadura militar de Pinochet.

Letelier estava indo para o trabalho no Instituto de Estudos Políticos acompanhado de Ruddi Moffitt e seu marido. Letelier estava no volante e Ruddi no banco do passageiro. Atrás, Michael, no banco traseiro justo atrás de sua mulher. Às 9h35 é detonada uma forte explosão, possivelmente por controle remoto, arremessando o automóvel aos ares que caiu sobre outro carro ali estacionado. Michael conseguiu safar-se quebrando o vidro traseiro. Viu sua mulher sair do carro cambaleando e imaginando que pudesse estar bem correu em direção a Letelier preso ainda em seu banco.

Levados para o hospital, Orlando Letelier morreu pouco depois. Os médicos não conseguiram estancar a hemorragia de Ronni Moffitt que tinha tido a laringe e a carótida seccionada.


*Com informações do website Spartacus.schoolnet

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