Após proposta de Maduro, EUA recusam diálogo com a Venezuela

Presidente venezuelano havia se disposto a manter um "diálogo elevado" entre os dois governos e enviar embaixador

Luciana Taddeo e Marina Terra

A resposta dos Estados Unidos ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que  propôs nesta sexta-feira (21/02) a criação de uma via de diálogo, inclusive com a nomeação de novos embaixadores, foi negativa. O secretário norte-americano de Estado, John Kerry, recusou a proposta e condenou o "inaceitável" uso da força nas manifestações.

Efe (21/02/2013)

Maduro sugeriu abertura de diálogo com os EUA, acusados pelo governo venezuelano de financiar oposição do país 

"O uso da força por parte do governo e a intimidação judicial contra cidadãos e figuras políticas - que estão exercendo seu direito legítimo de protestar - é inaceitável e apenas incrementa a possibilidade de mais violência", disse Kerry em um comunicado. "Não é assim que se comportam as democracias", continuou.

Ontem, Maduro sugeriu ao presidente dos EUA, Barack Obama, manter um "diálogo elevado" entre os dois governos sobre as divergências bilaterais, acentuadas pelos protestos na Venezuela. "Convoco você, presidente Obama, para um diálogo entre a Venezuela patriota e revolucionária e os EUA e seu governo. Aceite o desafio e vamos iniciar um diálogo elevado, colocando sobre a mesa a verdade", disse Maduro, que acusa "as agências norte-americanas" como a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) e NED (Fundação Nacional para a Democracia) de fomentar um golpe de Estado.

"Designe você o John Kerry ou qualquer outro. Vou designar o chanceler Elías Jaua para o diálogo, um debate, vamos mostrar tudo o que sabemos de vocês", afirmou Maduro, que também propôs a troca de embaixadores entre Caracas e Washington. Venezuela e EUA não têm embaixadores em Washington e Caracas desde 2010, ano em que foram expulsos oito diplomatas americanos.

Oposição

Maduro pediu diálogo com os EUA em encontro com a imprensa internacional em Caracas, onde falou também sobre a oposição. Ele reconheceu que não ter pontes de diálogo com a população opositora e disse que designaria o vice-presidente Jorge Arreaza para implementar iniciativas como “governo de rua” para escutar as demandas de venezuelanos não alinhados ao governo.

O presidente, porém, rechaçou a presença das barricadas nas vias do país e afirmou que estas serão combatidas, “constitucionalmente” pelas forças de segurança. Ontem, um motociclista foi degolado em Caracas após passar com o veículo por um arame estendido entre duas vias.



Na coletiva, Maduro afirmou que não há torturas no país, conforme dizem o movimento estudantil e líderes opositores. “Se você me der [um só caso] eu investigo e se é verdade, castigaremos o funcionário e o entregaremos à promotoria”, instou o presidente, referindo-se ao governador do estado de Miranda e ex-candidato presidencial Henrique Capriles. Segundo ele, não há torturas no país e há respeito estrito aos direitos humanos.

“As únicas ordem que demos, as únicas que poderíamos dar de acordo com o que é nossa ética humana é aplicar a lei e respeitar os cidadãos”, afirmou. O presidente disse ainda que funcionários do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional) que não cumpriram ordens das autoridades no dia 12 de fevereiro, quando protestos terminaram com três mortes, foram colocados à disposição do Ministério Público do país.

“Estão detidos parte dos envolvidos que usaram armas. Os que são funcionários públicos eu entreguei imediatamente. Assim que vi as fotos mandei prendê-los. Assim que a promotoria me pediu, eu os entreguei com armas e tudo”, disse o chefe de Estado, afirmando que o caso foi uma exceção à regra de disciplina cumprida pelo corpo. “Se algum deles aparecer envolvido com alguns falecidos, que pague com prisão. Não protejo ninguém que dispare a ninguém neste país em manifestações”, garantiu.

Imprensa

Outro tema abordado na coletiva de imprensa foi o caso da rede norte-americana CNN em espanhol, acusada pelo governo de fazer uma cobertura parcializada, parecida com “propaganda de guerra”, sobre a Venezuela. Maduro pediu "equilíbrio" ao canal, que precisa se retificar ara seguir presente na programação das operadoras de televisão a cabo do país.

"Eu sei que o país me acompanha nesta investigação administrativa que abri, confio na retificação da 'CNN'", disse em entrevista coletiva.

Maduro pediu desculpas a outra equipe da "CNN", a Internacional, que denunciou que foram vítimas de um assalto em Caracas e garantiu que o caso será investigado para descobrir os culpados.

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