Após EUA acusarem chineses de espionagem, Pequim chama ação de “hipócrita” e fala em “represálias”

China convoca embaixador norte-americano e alerta que indiciamento de cinco militares vai atrapalhar relações bilaterais

Redação

Um dia depois do indiciamento de cinco oficiais chineses por espionagem cibernética nos Estados Unidos, a China convocou o embaixador norte-americano em Pequim, Max Baucus, e ameaçou represálias. Para as autoridades chinesas, a atitude de Washington foi “hipócrita” e o diplomata foi alertado nesta terça-feira (20/05) que as denúncias tinham prejudicado seriamente as relações entre os dois países.

Reprodução/ Al Jazeera

O Departamento de Justiça dos EUA assegura ter provas sólidas que os levaram a rastrear a fonte de espionagem que opera em Xangai


No primeiro caso de ciberespionagem levado às cortes criminais da Justiça norte-americana, Washington acusou na segunda (19/05) os réus de roubar valiosos segredos comerciais e outras importantes informações empresariais nos setores nuclear, metalúrgico e de energia solar em nome do governo chinês.

Efetivamente, o governo chinês anunciou, em resposta, a suspensão do diálogo Pequim-Washington em matéria de segurança cibernética. Para o Ministério das Relações Exteriores da China, essas acusações tinham "violado gravemente os princípios básicos das relações internacionais". O porta-voz da pasta, Hong Lei, também descreveu as denúncias como "fatos deliberadamente forjados”.

Já o assistente do chanceler chinês, Zheng Zeguang, exigiu uma explicação em relatórios sobre as espionagens de Washington em relação aos interesses chineses. Em nota, o ministério chinês da Defesa também lembrou a posição controversa de Washington nos escândalos WikiLeaks e do ex-técnico da NSA, Edward Snowden.

China se aproxima da Rússia

Paralelamente, a China firmou uma série de pactos de cooperação nesta terça com a Rússia, país que tem uma delicada relação diplomática com os Estados Unidos. Em visita a Xangai, o presidente russo, Vladimir Putin, concretizou hoje com o líder chinês, Xi Jinping, uma “completa associação de cooperação energética”.

Além de buscar um acordo para a compra do gás russo, que ainda não foi assinado, os dois chefes de Estado também deram início a uma série de manobras militares conjuntas, inéditas na história entre os dois países.

Efe

Putin (dir) encontrou Jiping (esq) hoje na base naval de Usun, em Xangai, para fechar acordos diplomáticos em meio a tensão com EUA

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