Deputado chavista e esposa são assassinados em Caracas; causas serão investigadas

Presidente Nicolás Maduro expressou “imensa dor” pela morte do líder; autoridades pediram que venezuelanos “mantenham a calma”

Redação

Atualizada às 15h43

O deputado da AN (Assembleia Nacional) da Venezuela Robert Serra, do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), foi encontrado morto junto com a esposa, María Herrera, na noite desta quarta-feira (01/10) na residência em que viviam no município Libertador, região de Caracas.

Agência Efe

Robert era conhecido pelos eloquentes discursos que fazia na AN

Em coletiva de imprensa na manhã de hoje, o ministro de Relações Interiores, Justiça e Paz, Miguel Rodríguez Torres, afirmou que não se trata de um crime comum, mas "um homicídio intencional, planejado e executado com grande precisão". 

De acordo com as investigações preliminares, o crime durou entre 20 e 25 minutos e foi executado com uma faca. O velório está sendo realizado na AN.

Torres pediu aos setores políticos de oposição que não utilizem a morte como "show midiático" e disse estar seguro de que "os setores conscientes saberão respeitar este momento doloroso e isolarão qualquer manifestação desrespeitosa".

A oposição, que havia convocado uma marcha para este sábado (04/10), desmarcou o ato, como afirmou o secretário-executivo da MUD (Mesa de Unidade Democrática), Jesús Torrealba. Ele explicou que se trata de um "momento doloroso para o país e dentro da política de promover um país unido, a MUD decidiu adiar a mobilização".
 
Devido à popularidade que desfrutava, Serra, que com 27 anos, foi o deputado mais novo da Assembleia Nacional da história do país, Torres pediu mais cedo que a militância do PSUV e da juventude chavista mantivesse a calma. “Nós garantimos que investigaremos a fundo esta situação e seguramente nas próximas horas chegaremos aos responsáveis por esta monstruosidade”, afirmou.
 
O presidente Nicolás Maduro, que era próximo ao deputado, expressou “imensa dor” pela morte do líder. “Robert, seguiremos com teu exemplo, leais e firmes pelo caminho da revolução que defendeu sempre com paixão”.

Também na rede de microblogs, o presidente da AN, Diosdado Cabello, chamou o jovem de “filho da pátria” e garantiu que “vamos encontrar os culpados, teremos justiça”.

A defensora do povo, Gabriela Ramírez, pediu que os venezuelanos condenem a violência. “O povo tem que se manter firme na luta contra a violência e rechaçar os que utilizam a morte para nos dividir”.

Após a notícia, as redes sociais venezuelanas foram tomadas por mensagens sobre a morte do deputado. O governador do estado Miranda e ex-candidato à presidência da Venezuela, Henrique Capriles, também se manifestou. “A morte de qualquer venezuelano merece nosso mais enérgico rechaço, é clamor nacional que se acabe com a violência. Paz à alma do deputado Robert Serra”.

Quem era Robert Serra

Advogado, Serra começou a carreira política como conselheiro juvenil e foi o fundador do Movimento Avançada Revolucionária, constituído por jovens. 

Antes de assumir cargo público, foi dirigente estudantil. A primeira aparição pública que fez foi durante o primeiro debate de estudates na Assembleia Nacional, em junho de 2007.

O discurso fez com que fosse convidado pelo então presidente Hugo Chávez a integrar a comissão presidencial do Poder Popular Estudantil, criada pelo mandatário no mesmo ano.

Veja o discurso aqui (em espanhol):

Em 2009, participou das eleições internas do partido para concorrer como candidato à Assembleia Nacional, sendo eleito deputado em 2010.

Serra teve ainda um importante papel na articulação entre a juventude do PSUV com o Ministério para o Interior, Justiça e Paz, com o objetivo de trabalhar a questão da insegurança com o programa Mil Vezes Juventude.

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