Libéria vai processar paciente que viajou com ebola para Estados Unidos

Formulário em posse do governo liberiano mostra que Thomas Duncan respondeu "não" ao questionário que perguntava se ele havia tido contato com infectados

Redação

O homem liberiano infectado com ebola que trouxe a doença para os Estados Unidos será processado quando voltar para casa por supostamente ter mentido no questionário de triagem no aeroporto ao sair da África, anunciaram autoridades da Libéria nesta quinta-feira (02/10).

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A declaração foi dada por Binyah Kesselly, presidente do conselho de administração da Liberia Airport Authority. Para ele, o paciente Thomas Eric Duncan, 42, propagou um “estigma” sobre liberianos que vivem no exterior. Segundo autoridades de saúde do Texas, pelo menos cem pessoas tiveram contato direto ou indireto com ele.

Efe

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No formulário obtido pela Associated Press e confirmado por um funcionário do governo, Duncan respondeu "não" ao questionário que perguntava se ele tinha cuidado de alguém infectado pelo vírus ou se ele tinha tocado no corpo de alguém que tivesse morrido em alguma área afetada pelo surto.

O paciente saiu da Libéria e partiu para os EUA em 19 de setembro para visitar a família e ficou doente alguns dias depois que chegou. Neste momento, está isolado em um hospital no estado do Texas e foi declarado em estado grave, mas estável, segundo a Reuters.

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Dias antes de deixar a Libéria, Duncan teria ajudado a levar uma mulher grávida a um taxi. Ela, segundo vizinhos, morreu de ebola logo depois. Na ocasião, acreditava-se que a doença dela poderia estar relacionada à gravidez.

Autoridades alegam que Duncan não estava mostrando nenhum sintoma quando embarcou no avião e, portanto, não estava em estágio contagioso, visto que o ebola só pode ser transmitido por meio de fluidos corporais de pessoas que já apresentam sintomas.

Serra Leoa: A cada hora, cinco são infectados

Cinco pessoas são infectadas com ebola a cada hora em Serra Leoa e a taxa está prevista para dobrar até o fim de outubro, alertou nesta quinta-feira (02/10) a ONG Save the Children.

“A escala da epidemia de ebola é devastadora e aumenta a cada dia”, declarou a diretora-executiva do órgão, Justin Forsyth. “Precisamos coordenar uma resposta internacional que garanta a construção de centros de tratamento com funcionários imediatamente”, completou.

As declarações foram dadas durante uma conferência em Londres que reuniu especialistas em controle de doenças para debater o surto especificamente em Serra Leoa, antiga colônia britânica.

Segundo a ONG, pelo menos 735 novos casos foram descobertos apenas no país na última semana, mas há somente 327 leitos em hospitais para tratar esses pacientes infectados. Por enquanto, o Reino Unido forneceu 143 novos leitos e prometeu quase 600 para o próximo mês.

Outra questão em jogo, aponta o órgão, é que o número de casos deve ser superior, em vista que muitos infectados não estão sendo devidamente registrados. Além disso, a organização revela que um número incontável de crianças está morrendo anonimamente nas ruas ou dentro de casa.

A falta de fiscalização e controle dos pacientes em Serra Leoa evidencia o frágil sistema de saúde do país, onde o número de casos têm dobrado a cada três semanas, de acordo com o diretor da Save the Children, Rob MacGillivray.

Um grupo de 165 médicos e enfermeiros cubanos foram enviados hoje a Serra Leoa como parte da primeira brigada que Cuba envia para combater a epidemia no continente africano, antes de mandar também voluntários para Libéria e Guiné, anunciou nesta quinta a imprensa oficial da ilha. A delegação é formada por 63 médicos e 102 enfermeiros com mais de 15 anos de trabalho, que, em sua maioria, têm experiência como voluntários de saúde.

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