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Política e Economia

Homenageados na COP-20, países que mais sofrem com eventos climáticos fazem apelo por acordo

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Enquanto líderes mundiais demoram para estabelecer acordos que reduzam efeito estufa, Filipinas, Honduras e Haiti acumulam vítimas decorrentes de eventos climáticos extremos nos últimos 20 anos

Tadeu Breda

2014-12-11T13:32:00.000Z

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Cerca de cem participantes da COP-20 (20ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que ocorre em Lima, no Peru, até sexta-feira (12/12), deram uma pausa em suas atividades para render homenagens às vítimas do tufão Hagupit. A tempestade devastou parte das Filipinas na semana passada e matou ao menos 20 pessoas. Os dois minutos de silêncio à memória dos filipinos não atrapalharam o andamento da cúpula, mas serviram para mostrar que, enquanto governos tardam em fechar acordos contra o aquecimento global, temperaturas cada vez mais altas vão ceifando vidas nas regiões mais vulneráveis às transformações atmosféricas.

Leia mais: Após fracasso de Copenhague, COP-20 busca acordo climático para substituir Kyoto

Agência Efe

Ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore fala sobre mudanças climáticas em sessão plenária da COP-20

Virou clichê citar os países-ilhas como os grandes prejudicados pelo efeito estufa, sobretudo com o derretimento das calotas polares e a correspondente subida no nível dos oceanos. Pequenos paraísos, como Vanuatu ou Tuvalu, realmente podem acabar debaixo d’água se a temperatura média do planeta subir mais de 2º C, como preveem cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança Climática). Mas esse futuro de tragédias já chegou para algumas regiões, como as Filipinas, país mais prejudicado por eventos climáticos extremos em 2013, de acordo com um estudo da ONG alemã Germanwatch. Em novembro, o tufão Haiyan fez pelo menos 5 mil vítimas fatais e desabrigou mais de 3 milhões de pessoas.

Maria Theresa Nera-Lauron, membro da ONG Ibon International, que atua nas Filipinas, explica que a solidariedade é importante, mas não basta para frear as tragédias. “Não dá pra ser apenas solidário enquanto sustentamos padrões que levam a mais devastação e a mais tufões”, declarou, durante a cerimônia, criticando a inação dos líderes mundiais que há 20 anos, COP após COP, têm se recusado a assinar acordos consistentes para reduzir emissões de gases causadores do efeito estufa. “Não queremos ser ‘garotos-propaganda’ dos impactos decorrentes da mudança climática. Os filipinos não estão apenas se afogando, estão lutando. Precisamos que o mundo lute conosco.”

Além de liderar o ranking de vítimas climáticas em 2013 — com 6,65 mortos a cada 100 mil habitantes e 24,5 milhões de dólares em perdas materiais, segundo a Germanwatch —, as Filipinas ocupam a 5ª colocação entre os países mais prejudicados pelo aquecimento global nas últimas duas décadas. A lista é encabeçada por Honduras, Mianmar e Haiti, evidência de que a América Latina e o Caribe também estão pagando o preço do efeito estufa — fenômeno causado pelos países desenvolvidos, mas sentido pelos mais pobres. A ONG alemã sustenta que, desde 1993, mais de 530 mil pessoas perderam a vida em decorrência de 15 mil desastres climáticos em todo o mundo. Os prejuízos financeiros ascendem a 2,2 trilhões de dólares.

“Os números podem ser ainda maiores, pois nossos levantamentos se baseiam em notícias e relatórios que nem sempre são precisos”, explica o pesquisador Söenke Kreft, coordenador do estudo, que está em Lima acompanhando as negociações da COP-20. “Nosso índice olha para o passado, não para o futuro. É uma maneira bem simples de mostrar o que já está acontecendo e o que deve ser feito para remediar os impactos da mudança climática no mundo real.”

Agência Efe

Na plenária: Bachelet (Chile), Santos (Colômbia), Vidal (presidente da COP-20), Humala (Peru), Ban Ki-moon (ONU) e Figueres (COP-20)

Após uma década compilando desastres atmosféricos, Kreft observa que, na impossibilidade de evitá-los, alguns países estão aprendendo a lidar com os problemas causados pelo aquecimento global. “Bangladesh, por exemplo, sempre liderava a lista, com milhares de vítimas. Ainda sofre eventos climáticos extremos, mas está mais bem preparado. Hoje, ocupa a 6ª colocação. Isso mostra que, com políticas públicas eficientes, é possível salvar vidas”, diz.

Além da redução de emissões, a adaptação às consequências do aquecimento global é uma das palavras-chave da COP-20. Durante a conferência, as Filipinas assumiram a liderança do Fórum de Vulnerabilidade Climática, iniciativa que congrega vinte dos países mais suscetíveis ao aquecimento global, como Costa Rica, Nepal, Vietnam e Barbados. Mas não existe consenso sobre quais estão à frente da lista. Honduras, que não integra o fórum, ocupa a primeira posição no índice da Germanwatch e também num levantamento realizado em 2003 pelo Tyndall Centre, ligado à Universidade de Manchester, na Inglaterra. Mas um relatório do Banco Mundial publicado em 2009 elenca os países do Sudeste Asiático como os mais vulneráveis.

O neozelandês Matthew McKinnon, especialista do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), explica que regiões mais áridas e economias mais baseadas na agricultura — atividade diretamente dependente do clima — certamente sofrerão os efeitos mais intensos do aquecimento global. McKinnon argumenta, porém, que estabelecer rankings oficiais sobre vulnerabilidade climática pode ser especialmente complicado. “É uma questão técnica, que se torna política na medida em que os países mais suscetíveis automaticamente disputarão recursos internacionais para adaptar-se à nova realidade climática.”

Uma das grandes incertezas da COP-20 era saber se os países desenvolvidos aportariam recursos suficientes ao chamado Fundo Verde, estabelecido pelas Nações Unidas para ajudar os governos mais pobres a mitigar suas emissões de gás carbônico e, principalmente, adaptar-se aos efeitos irreversíveis do aquecimento global. A ONU havia estipulado um valor mínimo de 10 bilhões de dólares, que foi alcançado depois que Bélgica e Austrália anunciaram doações, na terça. É uma das boas notícias da conferência de Lima, cujo principal objetivo é estabelecer o rascunho de um acordo efetivo para redução de emissões que obrigatoriamente deverá ser assinado na COP-21, em Paris, ano que vem. A previsão é que o documento final seja divulgado amanhã.

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20 Minutos

José Dirceu: ‘Se necessário, chapa de Lula precisa ter vice mais amplo que a esquerda’

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Ex-presidente nacional do PT disse que principal objetivo de 2022 é derrotar Bolsonaro e eleger Lula com programa de reformas; veja vídeo na íntegra

Camila Alvarenga

São Paulo (Brasil)
2021-12-17T20:30:00.000Z

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No programa 20 MINUTOS ENTREVISTA desta sexta-feira (17/12), o jornalista Breno Altman entrevistou o ex-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores José Dirceu sobre os rumos políticos do país.

Ex-ministro da Casa Civil durante o primeiro governo Lula, Dirceu comemorou a tendência atual, que indica que o ex-presidente venceria no primeiro turno das eleições de 2022, de acordo tanto com a Datafolha quanto com o Ipec, “mas não podemos dizer que a vitória está consolidada”. 

Ele lembrou que, em momentos anteriores, as pesquisas eram otimistas, mas depois o partido não teve o resultado esperado, reforçando que isso deve servir de experiência.



“Mas é fato que a rejeição de [Jair] Bolsonaro até no sudeste e o apoio a Lula no centro-oeste indica que as chances de vencer no primeiro turno são reais, até porque as duas candidaturas de direita, de Sergio Moro e João Doria, não têm muito espaço. É evidente que, mesmo assim, haverá um esforço grande em torno de Moro e não podemos subestimar Bolsonaro, que é um competidor com base popular”, discorreu.

Dirceu destacou que o objetivo do pleito será derrotar o bolsonarismo e eleger Lula, formando uma bancada que o permita governar. Por isso, ele defendeu a criação de uma política mais ampla.

“Como essa política vai se expressar depende de como vão evoluir os outros partidos e o próprio posicionamento de Geraldo Alckmin, por exemplo [cogitado para ser o vice de Lula]. Acho que, se for necessário, temos que ter um vice mais amplo que a esquerda. Na conjuntura atual, não me oponho que se faça essa ampliação, mas nada foi decidido e se Alckmin decidir aceitar ser o vice de Lula, ele terá de aceitar tudo o que Lula vem defendendo, não só o antibolsonarismo, mas o antineoliberalismo e a defesa de todas as reformas sociais e radicalização da democracia”, ponderou o ex-presidente nacional do PT.

Apesar das alianças, Dirceu também sublinhou a importância de uma campanha de mobilização, elevação do nível de consciência e convencimento político para poder levar a cabo o programa de reformas que o PT propõe conseguir eleger bancadas e governos.

“O sentimento predominante é contra o bolsonarismo, de retomar o caminho democrático, de combater a fome, e acho que todos veem que Lula é o único capaz de fazer isso”, alegou.

Novo governo de esquerda

Caso Lula se eleja, Dirceu refletiu sobre as dificuldades que seu eventual governo encontraria. Disse esperar que os militares “voltem aos quartéis” e que a direita entenda que “está aferrada a coisas que até os países centrais do capitalismo estão abrindo mão, como o teto de gastos”.

Com relação à política externa, para evitar retaliações imperialistas, ele frisou que o Brasil deverá trabalhar para voltar a criar uma integração latino-americana, com uma diplomacia não alinhada, mas de oposição ao imperialismo norte-americano e em solidariedade a aliados estratégicos, como a China. “O Brasil precisa manter sua posição histórica de ter sua política externa própria, não alinhada”, repetiu.

O dirigente também discorreu sobre as reformas que deverão ser feitas por um novo governo Lula, por exemplo revogando o teto de gastos e a regra de ouro: “Temos que superar esse modelo econômico que começou a ser implementado com Michel Temer e essas restrições constitucionais absurdas”.

Além disso, ele destacou a importância de realizar uma disputa política e cultural, utilizando também as redes sociais para estar em constante contato com a base e gerar respaldo para o governo.

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