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Política e Economia

Em reunião marcada por anúncio de EUA e Cuba, Brasil assume presidência do Mercosul

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Dilma Rousseff disse que bloco aguarda resposta da União Europeia sobre acordo comercial

Luciana Rosa

2014-12-17T22:33:00.000Z

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A reunião de cúpula dos países do Mercosul, ocorrida na tarde desta quarta-feira (17/12) em Paraná, na Argentina, ficou marcada pelo histórico anúncio de retomada das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba. 

Os presidentes que se pronunciaram classificaram o momento como “impensável”. A presidente anfitriã, Cristina Kirchner, disse, por exemplo, haver pensado que  “não viveria para ver esse dia”. Pensamento confirmado pela presidente brasileira, Dilma Rousseff. Já o venezuelano Nicolás Maduro não mediu palavras e declarou essa como “uma grande vitória de Fidel”.

Agência Efe

Dilma e Cristina durante a reunião desta quarta-feira


Mas, para além das novidades vindas do norte do continente, nesta reunião o Brasil recebeu a presidência pró-tempore do bloco. Entre outras declarações, Dilma afirmou que intensificará o seu compromisso de defender a Argentina e os demais países membros dos especuladores, em alusão aos chamados “fundos abutres”.

A presidente lembrou que, desde a cúpula ocorrida em Caracas, em agosto deste ano, o Brasil vêm manifestando total apoio ao governo Kirchner. “Continuaremos (durante a presidência pró-tempore) apoiando a luta da Argentina por um desfecho justo na reestruturação de sua dívida soberana. Com o mesmo empenho que nós temos tido, desde a cúpula de Caracas”.  Ela citou ainda sua intervenção com relação ao tema nas reuniões dos BRICs e do G-20.

Principais anúncios  

Entre os principais comunicados emitidos durante esta 47ª reunião de cúpula do Mercosul estiveram acordos sobre energias renováveis, impulsionados pelo Equador, o apoio do bloco à reeleição do brasileiro José Graziano da Silva para a diretoria-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) e o incentivo à regulamentação da negociação de dívidas soberanas. 

Além disso, Dilma reforçou que o bloco estaria esperando uma proposta de Bruxelas sobre as condições de um acordo com a União Européia. Ainda com relação às negociações com outros blocos, a presidente brasileira sinalizou para um interesse em acelerar o processo de complementação econômica com os países da Aliança do Pacífico. 

Uma das expectativas para esta reunião de chefes de Estado do Mercosul era o anúncio de adesão da Bolívia como membro pleno. No entanto, este processo de negociação permanece pendente, ainda que exista um documento em vias de aprovação pelos congressos dos países membros. Durante a reunião de cúpula realizada em junho de 2012, em Mendonça, na Argentina, redigiu-se o documento que daria início ao processo de incorporação do país andino. No entanto, durante aquela ocasião, o Paraguai estava suspenso e não pode participar de sua elaboração, fator este que poderia implicar na necessidade de uma revisão do documento.

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Política e Economia

Zona do euro desacelera e registra inflação recorde em outubro

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De acordo com a agência europeia de estatísticas Eurostat, o Produto Interno Bruto (PIB) da Eurozona registrou crescimento de apenas 0,2% no terceiro trimestre

Redação

RFI RFI

Paris (França)
2022-10-31T22:30:00.000Z

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A economia da zona do euro - o grupo das 19 economias europeias que compartilham a moeda comum - encerrou o terceiro trimestre do ano em desaceleração e registrou inflação recorde em outubro.

De acordo com a agência europeia de estatísticas Eurostat, o Produto Interno Bruto (PIB) da Eurozona registrou crescimento de apenas 0,2% no terceiro trimestre. A desaceleração é considerável em relação ao resultado do segundo trimestre, de expansão de 0,8%, após um desempenho de 0,6% no primeiro trimestre.

O Eurostat destacou que este crescimento de apenas 0,2% vale também para o bloco geral da União Europeia, ou seja, incluindo os países que não adotam o euro como moeda comum. No trimestre anterior, a economia geral da UE cresceu 0,7%, de acordo com o Eurostat, que também informou que a inflação na zona fechou o mês de outubro em 10,7%, um novo recorde.

Em setembro, o índice de inflação medido pela Eurostat foi de 9,9% (inicialmente estimado em 10,0%). Das principais economias da zona euro, a Alemanha teve uma inflação elevada, de 11,5% interanual, enquanto a Espanha registrou 7,3%.

A França registrou a menor inflação da zona do euro em outubro, com 7,1%, embora os países bálticos estejam no outro extremo: a Letônia teve 21,8%, a Lituânia 22,0% e a Estônia teve a maior taxa do bloco, 22,4%.

Inflação descontrolada

O Eurostat salientou que, como acontece há vários meses, a inflação desencadeada é impulsionada pelos fortes aumentos dos preços da energia, que em outubro atingiram 41,9%, contra 40,7% em setembro.

Todos os outros componentes da inflação também aumentaram. O segmento de alimentos (que inclui também álcool e tabaco) cresceu 13,1%, contra 11,8% em setembro. Os bens industriais sem uso de energia aumentaram 6,0%, contra 5,5% um mês antes, e os serviços 4,4%, contra 4,3% em setembro.

Avij/Wikimedia Commons
Em setembro, o índice de inflação medido pela Eurostat foi de 9,9%

O Banco Central Europeu (BCE), que no início do ano trabalhava com uma expectativa de inflação "próxima, mas inferior" a 2% em 2022, sofreu forte pressão devido ao aumento descontrolado dos preços.

Na semana passada, o BCE aumentou as suas taxas de juros em 0,75 ponto percentual, passando assim de 1,5% para 2,25%, e deixou em aberto a possibilidade de novos aumentos.

Crise energética

O bloco europeu enfrenta uma mistura de crescimento muito baixo e inflação alta, combinação intensificada por uma grave crise energética e a continuação da guerra na Ucrânia, que tem efeitos em todo o continente.

Para os economistas da consultoria Oxford Economics, uma recessão na região é inevitável. "Com tantos dados em território negativo, trata-se de saber quão profunda será a recessão", afirmaram. Para os especialistas, o fraco resultado do terceiro trimestre foi um pouco melhor do que o esperado, mas "uma recessão para o inverno [no hemisfério norte] é iminente".

A gravidade do panorama, observaram analistas da Oxford Economics, também se estende aos esforços para controlar a inflação. "As divergências nas taxas de inflação nos países da zona do euro estão se intensificando, e isso torna as coisas mais sérias em termos de política monetária", destacaram.

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