Defesa cede avião da FAB a senadores brasileiros e Venezuela autoriza pouso, diz Wagner

Segundo ministro da Defesa, senadores Aécio Neves e Aloysio Nunes, do PSDB, terão direito a livre circulação no país e visitarão famílias dos políticos presos

Redação

O ministro da Defesa do Brasil, Jaques Wagner, anunciou na noite de terça-feira (16/06) que os senadores Aécio Neves e Aloysio Nunes, ambos do PSDB, irão viajar à Venezuela com um avião militar da FAB (Força Aérea Brasileira) e que o governo venezuelano autorizou o pouso da aeronave, previsto para quinta-feira (18/06).

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José Cruz/Agência Brasil

Wagner afirmou que a Venezuela não tinha negado o pouso, apenas não respondido ainda o pedido das autoridades brasileiras


“A Venezuela comunicou à Embaixada do Brasil, que me comunicou, que evidentemente estava autorizando o pouso do avião da FAB”, afirmou Wagner segundo a Agência Brasil.

Segundo o ministro, os senadores brasileiros terão direito a livre circulação no país vizinho e poderão visitar as famílias dos políticos venezuelanos que estão presos e também conversar com membros da oposição que estão em liberdade.

“Eu entendo que vai ser a mesma coisa com outras autoridades de outros países que chegaram lá. Visitam as famílias, falam com a oposição, mas não têm acesso a ninguém de governo e nem ao presídio onde estão os presos”, explicou Wagner.

Os dois políticos brasileiros organizam a missão a convite da oposição venezuelana para "prestar solidariedade" aos oposicionistas ao governo de Nicolás Maduro que estão presos no país vizinho, como Leopoldo López e Antonio Ledezma, detidos por incitação à violência nas manifestações de 2014 e por atuação em plano de tentativa de golpe contra o presidente.

George Gianni/ PSDB

Em maio, senadores Aécio e Nunes se encontraram com Mitzy Ledezma e Lilian López, mulheres dos líderes oposicionistas detidos


"Tratam-se de pessoas que se opõem ao governo e que foram presas por causa disso", ressaltou ontem Nunes a Opera Mundi. "Eles não são os únicos, são vários e não é de hoje que [ocorrem] violações de direitos humanos [na Venezuela] em nossa opinião”.

Em contrapartida, uma delegação integrada por pessoas ligadas à esquerda — como o escritor Fernando Morais e o líder do grupo Fora do Eixo, Pablo Capilé — está sendo organizada como reação à iniciativa tucana.

Para um dos organizadores desta outra delegação, o deputado Rogério Correia (PT), a atitude dos senadores tucanos é “uma ingerência inoportuna à Venezuela”. Aos seus olhos, trata-se de uma interferência no país, “que vive seus dilemas e seu processo democrático” e que “garante liberdade política e tenta resolver os problemas internos”.

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