FMI diz que dívida da Grécia é insustentável e que país precisa de mais 50 bi de euros até 2018

Análise foi realizada antes de o governo grego entrar em default técnico por não pagar € 1,6 bilhão à instituição financeira

Redação

Atualizada às 15h18

O FMI (Fundo Monetário Internacional) declarou nesta quinta-feira (02/07) que a Grécia necessita de ao menos € 50 bilhões em um novo financiamento por mais três anos para conseguir fechar as contas. Desse montante, pelo menos € 36 deveriam vir da União Europeia (UE). Segundo a instituição, a atual situação da dívida é insustentável e é preciso aliviar os seus pagamentos.

Em relatório, o FMI diz que, mesmo com concessões financeiras até 2018, a dívida permanecerá muito alta por décadas e extremamente vulnerável a choques. “Dada a dinâmica frágil das dívidas, concessões futuras são necessárias para trazer de volta a sustentabilidade da dívida”, diz o documento, consultado pelo jornal britânico The Guardian.

EFE

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Para o órgão, um dos problemas que torna a dívida insustentável é a substituição gradual dos empréstimos baratos da zona do euro com empréstimos caros dos mercados.

De acordo com o FMI, a situação financeira do país deteriorou-se nos últimos tempos porque Atenas tem sido lenta em realizar reformas econômicas. Para o órgão, credores europeus devem oferecer descontos em taxas de juros e um período maior para o pagamento da dívida.

Essa análise foi realizada antes de o governo grego entrar em default técnico ao não pagar a parcela da dívida de € 1,6 bilhão para com a instituição na última terça-feira (30/06). 


Ela também é anterior à decisão do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, de decretar o controle de capitais, com o fechamento temporário de bancos e a restrição de saques em caixas eletrônicos. Acredita-se que o panorama financeiro seja ainda pior agora.

No domingo (05/07), a população grega vai às urnas decidir se concorda ou não com as propostas de credores para um acordo que implique a prorrogação do resgate financeiro e, consequentemente, a instauração de reformas econômicas de maior austeridade.

Para líderes europeus, esse referendo não faz sentido, uma vez que a oferta concedida pela troika (Banco Central Europeu, Conselho Europeu e FMI) já expirou nesta semana após o calote. Para o presidente do Eurogrupo, essa consulta popular poderá levar o debate muito mais no âmbito da permanência ou não de Atenas na zona do euro.

EFE

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Entenda o caso

Horas após dar calote no FMI, a Grécia pediu na quarta-feira (01/07) “mudanças graduais” às condições impostas pelo Eurogrupo. Negociado há meses, esse acordo busca um consenso pela prorrogação do resgate financeiro por parte das instituições financeiras europeias, em troca da aceitação do governo grego por reformas estruturais e corte orçamentário.

No fim de semana, o governo anunciou a restrição de capitais, limitando a retirada de dinheiro a € 60, bem como ordenando o fechamento de bancos e dos mercados até o dia 7 de julho. A decisão gerou uma corrida a caixas eletrônicos, além de manifestações pró e contra o governo em Atenas.

Nos últimos meses, o governo grego  tentou negociar com os credores a possibilidade de um novo empréstimo no valor de 7,2 bilhões de euros, em troca de reformas orçamentárias. Uma das principais exigências do Eurogrupo é o corte no setor previdenciário, algo a que os ministros do Syriza radicalmente se opõem.

Kívia Costa / Opera Mundi

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