Bernie Sanders confirma ser manifestante preso em 1963 retratado em foto e vídeo nos EUA

Então estudante universitário com 21 anos, pré-candidato democrata participava de protesto contra segregação racial em Chicago

Redação

O pré-candidato democrata à Presidência dos EUA Bernie Sanders confirmou na última sexta-feira (19/02) ser ele o manifestante fotografado enquanto era preso em um protesto contra a segregação racial na cidade de Chicago em agosto de 1963. A foto mostra um jovem sendo levado por dois policiais.

“Bernie se identificou. Ele olhou e disse, ‘Sim, esse de fato sou eu’”, afirmou Ted Davine, conselheiro da campanha do democrata, acrescentando que o pré-candidato carrega consigo sua carteirinha da Universidade de Chicago até hoje. Quando se identificou na foto, Sanders estava no Estado de Nevada, na véspera da convenção partidária democrata local, na qual a rival Hillary Clinton se saiu vencedora.

Na semana passada, a produtora Kartemquin Films divulgou gravações em vídeo de um jovem manifestante sendo agarrado por policiais. A campanha de Sanders confirmou que se tratava do pré-candidato. Em seguida, o jornal Chicago Tribune identificou uma foto em seus arquivos que retrata Sanders sendo preso.

Nos últimos dias, Hillary tem questionado o compromisso de Sanders, que também é senador por Vermont, com as demandas da população negra dos EUA, o que é visto por analistas como uma estratégia para angariar votos entre os eleitores da Carolina do Sul, Estado com expressiva população negra e local da próxima primária democrata, no próximo sábado (27/02).

Na época das imagens, Sanders tinha 21 anos e era estudante de Ciência Política na Universidade de Chicago. Uma matéria datada de janeiro de 1964 que se referia aos protestos do mês de agosto anterior, que foi identificada nos arquivos do jornal Chicago Tribune, menciona um Bernard Sanders, detido por resistência à prisão.

Uma foto de 1962, divulgada nos últimos meses, mostrava um jovem creditado como Sanders durante uma manifestação. Procurado por ex-alunos, o centro de pesquisa da biblioteca da Universidade de Chicago havia identificado o jovem como outro estudante. O fotógrafo, Danny Leon, então contatou a equipe e mostrou outras fotos do mesmo dia, o que, segundo o centro, confirmou a identidade de Sanders.

Na universidade, o pré-candidato foi líder do Congresso por Igualdade Racial, um grupo em prol dos direitos civis para a população negra. O bairro onde Sanders foi preso viveu protestos na época que pleiteavam que crianças negras deveriam estudar nas mesmas escolas de crianças brancas. Chamadas de “Willis Wagons” (“vagões de Willis”, em tradução livre), em referência ao superintendente de Educação de Chicago, Benjamin Willis, salas de aulas móveis segregavam as crianças negras, que não estudavam em escolas regulares.

 

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