'Por Deus, por meus netos, pela BR-429': 'Economist' lista razões de deputados para votar contra Dilma

Revista britânica também avalia que possível governo Temer teria 'dificuldades' por resistência de parte significativa da população que se opõe a impeachment

Redação

A revista britânica The Economist publicou nesta segunda-feira (18/04) algumas das razões citadas por deputados para votar “sim” ao impeachment da presidente Dilma Rousseff na noite deste domingo (17/04).

A publicação ressaltou que a acusação contra a presidente brasileira, que diz respeito a uma suposta tentativa de maquiagem fiscal com o objetivo de fechar as contas do governo federal do ano de 2015, quase não foi citada pelos deputados que votaram pelo prosseguimento do processo de impedimento de Dilma Rousseff. Em vez disso, pulularam referências ao cristianismo, à família (esposas, maridos, filhos, netos, bisnetos e avós) e até ao juiz Sérgio Moro, que lidera a Operação Lava Jato, e à “República de Curitiba”.

Nilson Bastian / Câmara dos Deputados

O deputado Bruno Araújo (PSDB-PE) vota a favor do prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff

Segundo levantamento do UOL, dos 367 deputados que votaram “sim” ao impeachment, somente 16 citaram as acusações de que Dilma é alvo. A jornalista e ativista Cecília Olliveira compilou em seu perfil no Facebook algumas das justificativas dadas pelos deputados para votar pelo impedimento da presidente, que foram depois traduzidas pela The Economist. Veja a seguir uma amostra das razões dos deputados para o “sim”:

“Pelo aniversário da minha neta”

“Pelos fundamentos do cristianismo”

"Pelos princípios que ensinei a minha filha"

"Pelo Bruno e o Felipe"

"Pelo meu neto Pedro"

"Pelos maçons do Brasil"

"Pelos produtores rurais, que se o produtor não plantar, não tem almoço nem janta"

"Proposta de que criança troque de sexo na escola (...) Pelo fim do ensino de sexo para crianças de 6 anos"

"Pelo fim da rentabilização de desocupados e vagabundos"

"Pela Família Quadrangular"

"Pelos idosos e pelas crianças"

"Pelo fim da Vagabundização remunerada"

"Pela Minha mãe nega Lucimar..."

"Pela renovação carismática"

"Pelos médicos brasileiros"

"Pelo fim da CUT e seus marginais"

"Pelo fim dos petroleiros, digo, do Petrolão"

"Pelos progressistas da minha família, Maria Vitória"

"Pela República de Curitiba"

"Em memória do meu pai"

"Por causa de Campo Grande, a morena mais linda do Brasil"

"Para me reencontrar com a história"

"Pelo estatuto do desarmamento"

"Pelo comunismo que assombra o país"

"Pela nação evangélica"

"Pelo povo destemido e pioneiro do estado de Rondônia"

"Pelo resgate da auto estima do povo brasileiro"

"Pela BR-429"

"Pela minha esposa, pelo meu filho e minha filha"

"Por Daiane, Mateus e Adriane"

"Por todos os corretores de seguro"

"Pela minha filha Manoela que vai nascer"

"Pela minha mãe que está em casa com os seus 93 anos"

"Pelo meu neto e bisneto"

"Em homenagem ao aniversário da minha cidade"

"Pela minha mãezinha"

"Pela paz de Jerusalém”

"Para dizer que o Brasil tem jeito e o prefeito de Montes Claros mostra isso"

“Possível governo Temer teria dificuldades”, diz Economist

The Economist publicou também nesta segunda-feira (18/04) uma análise do que seria um possível governo liderado pelo atual vice-presidente, Michel Temer, caso o Senado brasileiro vote pelo impedimento de Dilma Rousseff.

Para a publicação, caso Temer chegue ao poder, ele teria dificuldades em realizar as reformas em prol de investidores e do mercado financeiro que já sinalizou em novembro passado pela resistência externa “ao problema de imagem do PMDB”, já que muitos membros do partido estão envolvidos em casos de corrupção, inclusive os que envolvem a Petrobras e estão sendo investigados pela Operação Lava Jato.

Economist também ressaltou a resistência popular a um possível governo Temer, formada por parte significativa da população que se posiciona nas redes e nas ruas contra o processo de impeachment contra a presidente brasileira. “As multidões antigoverno podem se dispersar”, diz a revista britânica, mas “é pouco provável que aqueles que consideram o impedimento de Dilma Rousseff um golpe antidemocrático desapareçam em silêncio”.

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