Frente Ampla do Uruguai diz que impeachment de Dilma Rousseff é 'golpe de Estado'

Coalizão, que reúne partidos e organizações de esquerda e governa o país, manifestou "total rejeição" à aprovação do processo contra a presidente na Câmara

Redação



A FA (Frente Ampla) do Uruguai, coalizão que reúne partidos e organizações de esquerda e que governa o país desde 1994, manifestou na segunda-feira (18/04) sua "total rejeição" à aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados no domingo (17/04), decisão classificada como “golpe de estado”.

Agência Efe

Para coalizão uruguaia Frente Ampla, processo contra presidente Dilma Rousseff é "golpe parlamentar"

“A Frente Ampla do Uruguai manifesta sua total rejeição frente ao processo de golpe de estado que está sendo gerado contra a presidente Dilma Rousseff, eleita por 54 milhões de brasileiros nas urnas”, afirma o secretariado executivo da Frente Ampla em nota.

Segundo a coalizão, “o instrumento de julgamento político (impeachment) sem fundamento jurídico que o sustente é, de fato, um golpe parlamentar".

O comunicado afirma que "não existe nenhuma acusação de ato de corrupção" contra Dilma "enquanto existem investigações concretas contra 50% dos que votaram a favor do julgamento político" mencionando o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, "acusado de ter contas ilegais na Suíça vinculadas a propinas" e o vice-presidente da República, Michel Temer, que já teve seu nome citado na Operação Lava Jato.

O objetivo de setores da direita, segundo a coalizão uruguaia, é tirar Dilma da Presidência para "retomar o poder político e econômico para tirar o Brasil da liderança do processo de integração continental soberano e autônomo (Mercosul, Unasul, Celac) e dos chamados Brics, alinhando-o com as políticas econômicas dos grandes centros de poder”.

A Frente Ampla também manifesta solidariedade à Dilma e ao Partido dos Trabalhadores e diz "esta que arremetida continental da direita com golpes de estado de novo tipo" já teve seus efeitos com as destituições de Manuel Zelaya em Honduras, em 2009, e de Fernando Lugo no Paraguai, em 2013.

"Não duvidamos da necessidade de que os setores populares mantenham seu alerta em defesa da democracia e contra as tentativas desestabilizadoras que percorrem o continente", acrescentou.

No domingo a oposição brasileira reuniu os 342 votos necessários para encaminhar o processo contra Dilma ao Senado, que analisará o pedido de impeachment.

(Com Agência Efe)

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