'Tentativa de golpe no Brasil é ataque a políticas sociais do PT', diz Rede de Intelectuais e Artistas

REDH manifestou solidariedade à presidente Dilma Rousseff e disse que processo de impeachment visa prejudicar integração entre países da América Latina

Redação



A REDH (Rede de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais em Defesa da Humanidade) emitiu um comunicado nesta segunda-feira (18/04) no qual declarou que o processo de impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, é “um claro ataque às políticas sociais” conduzidas pelos governos do PT.

EFE

Câmara dos Deputados aprovou, no último domingo (17/04), prosseguimento do processo de impeachment por 367 votos a 137

“A tentativa de golpe no Brasil é um claro ataque às políticas sociais que os governos do PT promoveram ao longo de catorze anos para remediar a situação social do país”, disse a organização. A Câmara dos Deputados aprovou no último domingo (17/04), por 367 votos a 137, o prosseguimento do processo de impeachment ao Senado.

Segundo a REDH, o processo contra a presidente “é também um ataque à integração latino-americana (Unasul-Mercosul-Celac) e aos esforços dos governos de Dilma e Lula de avançar para a construção de um mundo multipolar, por meio dos BRICS”. A organização disse ainda que “as intenções de destituição têm claras articulações externas, orientadas para debilitar os impulsos dos países que vêm contribuíndo para a configuração de um novo ordenamento internacional, em detrimento da supremacia dos Estados Unidos e da União Europeia”.

Em sua declaração oficial após o 12º Encontro Nacional da REDH, realizado neste mês em Caracas, a organização se manifestou “energicamente [contra] toda tentativa de golpe de Estado no Brasil”.
 

Com a decisão da Câmara, cabe agora ao Senado formar uma comissão para analisar o pedido de impeachment, que depois deve seguir para o plenário, onde a aprovação por maioria simples afastaria Dilma do cargo por até 180 dias e alçaria Michel Temer à Presidência interina. Nesse caso, ocorrerá um julgamento no Senado sob o comando do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Ricardo Lewandowski, em que é necessária a maioria de dois terços dos senadores para que Dilma sofra o impeachment.

Leia a íntegra do comunicado da REDH:

A Secretaria Executiva da Rede de Intelectuais em Defesa da Humanidade (REDH) denuncia a tentativa de golpe institucional que ocorre no Brasil, comandado pela dupla Temer-Cunha, em desconhecimento do voto de 54 milhões de brasileiros que há apenas um ano e meio reelegeram de forma legítima a presidente Dilma Rousseff.

A tentativa de golpe no Brasil é um claro ataque às políticas sociais que os governos do PT promoveram ao longo de catorze anos para remediar a situação social do país mais desigual do planeta e que se materializaram em programas como o Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida, através dos quais os governos de Lula e Dilma melhoraram e dignificaram a vida de milhões de brasileiros de baixa renda.

É também um ataque à integração latino-americana (Unasul-Mercosul-Celac) e aos esforços dos governos de Dilma e Lula de avançar para a construção de um mundo multipolar, por meio dos BRICS. A recente revelação da agência Reuters, acerca de que, no caso de se consumar definitivamente a saída de Dilma, o [banco] norte-americano Goldman Sachs conduziria a economia brasileira com Paulo Leme [presidente do Goldman Sachs no Brasil] à frente, demonstra que as intenções de destituição têm claras articulações externas, orientadas para debilitar os impulsos dos países que vêm contribuíndo para a configuração de um novo ordenamento internacional, em detrimento da supremacia dos Estados Unidos e da União Europeia.

Por tudo o que foi exposto, e em relação direta com as conclusões do nosso 12º Encontro Internacional da REDH, realizado dias atrás na cidade de Caracas, Venezuela, a REDH reafirma seu compromisso com o respeito ao voto popular e à ordem constitucional, e sua solidariedade com o PT, a CUT [Central Única dos Trabalhadores], o MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra] e os grandes movimentos sociais brasileiros, as históricas lideranças de Lula da Silva e de Dilma Rousseff.

Os golpistas não passarão, nem no Brasil, nem na América Latina!

Segunda-feira, 18 de abril de 2016

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