Impeachment de Dilma 'é uma tragédia e um escândalo', diz jornal britânico The Guardian

Editorial considera “paradoxal” o fato de Dilma não estar envolvida nas investigações da Lava Jato enquanto seus opositores são suspeitos de corrupção, incluindo Eduardo Cunha

Redação



O impeachment da presidente Dilma Rousseff pode resultar no fim das investigações da Operação Lava Jato, afirmou na segunda-feira (18/04) o jornal britânico The Guardian, que classificou o processo como "uma tragédia e um escândalo".

De acordo com o editorial, “agora muitos temem que a campanha anticorrupção desaparecerá, com exceção de uma concentração final de fogo em Lula”.

O jornal afirma que o vice-presidente, Michel Temer, enfrentará os mesmos problemas de Dilma Rousseff, “e suas chances de lidar com eles [problemas] de maneira efetiva devem ser classificadas como baixas”.

“É difícil imaginar um cenário mais sombrio para o Brasil”, acrescenta a publicação.

The Guardian diz que o processo de impeachment, “longe de resolver a polarização política e social do Brasil, exacerbou ambas”.

O muro de aço na Esplanada dos Ministérios em Brasília para separar manifestantes a favor e contra o impeachment no domingo (17/04) foi um “símbolo” de até onde a polarização no país chegou, de acordo com o texto.

Agência Efe

Segundo jornal, 
processo de impeachment, “longe de resolver a polarização política e social do Brasil, exacerbou ambas”
 

O editorial considera “paradoxal” o fato de Dilma não estar envolvida nas investigações sobre corrupção na Petrobras que são a base da Operação Lava Jato. Segundo a publicação, as motivações que deram origem ao processo de impeachment da chefe de Estado  – as chamadas “pedaladas fiscais” - não seriam mais do que um “delito de menor gravidade” de acordo com padrões brasileiros.

“No entanto, todos aqueles envolvidos em seu impeachment são suspeitos de corrupção, incluindo Eduardo Cunha, o presidente da Câmara”.

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