Movimento contra Dilma Rousseff 'é perversamente sexista', diz 'New York Magazine'

'Não há duvidas de que processo de impeachment vem de longo histórico de tratamento misógino' contra a presidente, afirma revista norte-americana

Redação


Clique para acessar todas as matérias e artigos de Opera Mundi e Samuel sobre o processo de impeachment


Um artigo publicado na última sexta-feira (22/04) no site The Cut, pertencente à revista norte-americana New York, afirmou que a campanha a favor do impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, “é perversamente sexista”.

Roberto Stuckert Filho/PR

Em março deste ano, a ONU Mulheres Brasil criticou "violência política de ordem sexista" contra a presidente Dilma Rousseff

“Não há duvidas de que o processo de impeachment vem de um histórico mais longo de tratamento misógino contra [Dilma] Rousseff”, diz o artigo, intitulado “A campanha pelo impeachment da presidente do Brasil é perversamente sexista”. Entre os exemplos citados pelo autor Marc Hertzman estão o mote pró-impeachment “tchau, querida”, o adesivo de carro que representa Dilma com as pernas abertas e as críticas à imagem da presidente, que é “contrastada com as também sexistas representações da ‘típica’ mulher brasileira voluptuosa e sexual”.

O artigo aponta ainda que os dois antecessores mais recentes de Dilma na Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, receberam acusações similares às que motivam o processo de impeachment contra a atual presidente, porém nunca tiveram um processo de impeachment aceito pelo Congresso.
 

O artigo do The Cut ressalta que o vice-presidente brasileiro, Michel Temer, que seria alçado à presidência caso o impeachment de Dilma seja aprovado, foi citado diversas vezes em delações de acusados na Operação Lava Jato, que investiga pagamento de propinas e desvio de verbas públicas da Petrobras. "Pelo menos por ora, ele parece destinado a substituí-la, o que seria o cúmulo de um caso sexista de 'dois pesos, duas medidas'", escreve Hertzman.

“Como nos EUA, o tratamento dado à mulher mais proeminente da política do país é amplamente em razão do sexismo”, diz o artigo. No mês passado, a ONU Mulheres Brasil condenou por meio de um comunicado a “violência política de ordem sexista“ contra a presidente Dilma.

“O espetáculo de uma turba política formada quase inteiramente por homens brancos gritando na Câmara dos Deputados, cartazes levantados, rostos avermelhados e vozes roucas pode se tornar a imagem que irá perdurar sobre o atual momento político do Brasil”, afirma o artigo no último parágrafo.

Comentários